{"id":15642,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15642"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sal-da-tunisia-e-franca-mata-salgado-historico-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sal-da-tunisia-e-franca-mata-salgado-historico-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Sal da Tun\u00edsia e Fran\u00e7a mata salgado hist\u00f3rico de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>De tr\u00eas centenas passou a meia d\u00fazia <!--more--> O salgado aveirense continua a ser uma inc\u00f3gnita. <\/p>\n<p>Chegaram a ser tr\u00eas centenas de marinhas. Hoje s\u00e3o meia d\u00fazia<\/p>\n<p>Ando, nesta marinha da Troncalhada, h\u00e1 uns vinte anos e quando a C\u00e2mara a comprou em 1995 j\u00e1 c\u00e1 andava. Trabalho nisto h\u00e1 34 anos. Conhe\u00e7o o sal por dentro e por fora, sei quanto \u00e9 salgado, quanto custa a safra&#8230;\u201d diz-nos o Jo\u00e3o Banca, no intervalo do trabalho, comendo belos petiscos, produto do mar e da ria, com uns amigos, ali nas proximidades das Pir\u00e2mides.<\/p>\n<p>E a descri\u00e7\u00e3o de uma vida salpicada de odisseias, vem-lhe espontaneamente. Estava-lhe na pele bronzeada, evolu\u00eda-lhe do cora\u00e7\u00e3o entre o humor\u00edstico e a realidade de uma actividade que fez hist\u00f3ria, que j\u00e1 est\u00e1 em livros. Faz parte da hist\u00f3ria de Aveiro. Quem a querer\u00e1 olvidar? Quem a querer\u00e1 trocar pelo sal da Tun\u00edsia?<\/p>\n<p>\u201cIsto est\u00e1 a acabar: das 300 marinhas que havia h\u00e1 trinta e tal anos hoje s\u00f3 j\u00e1 temos a trabalhar nove, mas destas apenas cinco funcionam em pleno. As outras est\u00e3o a fazer sal aos suspiros, um bocado aqui ou outro ali, numa desorganiza\u00e7\u00e3o confrangedora. Daqui at\u00e9 S\u00e3o Jacinto s\u00f3 v\u00ea muros partidos; marinhas n\u00e3o v\u00ea nenhuma.<\/p>\n<p>\u2014 No seu entender porque \u00e9 que isto est\u00e1 assim t\u00e3o abandonado? Falta de pessoal, de estrutura aglutinadora&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Haver pessoal h\u00e1, o que falta s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para podermos trabalhar, viver. Possivelmente formar-se uma empresa, \u00e0 qual fic\u00e1ssemos agregados, onde tiv\u00e9ssemos, no fim de m\u00eas, o nosso ganha-p\u00e3o garantido. O sal n\u00e3o se vende, n\u00e3o temos a quem vender. O sal desta marinha, que \u00e9 da C\u00e2mara e me est\u00e1 alugada, \u00e9 de dois anos. Aqui j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para tirarmos o sal. Estamos ligados aos armazenistas, mas n\u00e3o lhes interessa p\u00f4r o nosso sal \u00e0 venda por causa do sal que vem de Fran\u00e7a ou da Tun\u00edsia, onde ganham mais de meio por meio. A C\u00e2mara ficou de nos construir um armaz\u00e9m. Se assim for \u00e9 um passo andado e conseguiremos escoar o sal, vendendo-o directamente ao consumidor. Aqui n\u00e3o se vende gato por lebre. O sal de Aveiro \u00e9 mesmo sal de Aveiro. Falta-lhe s\u00f3 a certifica\u00e7\u00e3o, o que urge que se fa\u00e7a \u2014 disse-nos o Banca, adiantando que ainda houve esperan\u00e7a na Cooperativa, mas hoje est\u00e1 falida. \u201cAinda estamos associados e eu at\u00e9 sou Director da Cooperativa, mas tenho de dizer que temos, presentemente, uma cooperativa de fachada\u201d<\/p>\n<p>A marinha da Troncalhada, que tem cerca de cinco hectares, produziu no ano passado, segundo aquele respons\u00e1vel, cerca de cem toneladas, este ano fica-se por umas quarenta. Neste trabalho \u00e9 ajudado pelo filho, mas apenas na tiragem do sal.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 de referir que os tais cl\u00e1ssicos mo\u00e7os acabaram em 1984&#8230; <\/p>\n<p>\u2014 Se tivesse de viver disto morria de fome. De Inverno fa\u00e7o outras coisas \u2014 esclarece \u2014 refor\u00e7ando que o sal de Aveiro est\u00e1 morto mais que morto, mas temos possibilidades, se nos derem condi\u00e7\u00f5es. Daqui a tr\u00eas ou quatro anos temos 30 ou mais marinhas a produzir sal. A C\u00e2mara j\u00e1 faz a sua obriga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ir mais al\u00e9m. <\/p>\n<p>Soubemos que sal da Tun\u00edsia ou Franc\u00eas est\u00e1 a ser comercializado com o r\u00f3tulo de Aveiro. E o da Tun\u00edsia \u00e9 sal marinho? \u2014 eis a quest\u00e3o. Quem zela por uma transpar\u00eancia econ\u00f3mica, por salvar o salgado aveirense?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De tr\u00eas centenas passou a meia d\u00fazia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[63],"tags":[],"class_list":["post-15642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15642"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15642\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}