{"id":15660,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15660"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"desnorteio-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desnorteio-preocupante\/","title":{"rendered":"Desnorteio preocupante"},"content":{"rendered":"<p>Basta prestar alguma aten\u00e7\u00e3o ao que se passa \u00e0 nossa volta e frente aos nossos olhos, para que cres\u00e7am sempre mais as preocupa\u00e7\u00f5es de qualquer cidad\u00e3o atento, tal a despropor\u00e7\u00e3o entre os acontecimentos e a sua mediatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esmi\u00fa\u00e7a-se tudo, de modo doentio, at\u00e9 ao tutano. Mais importantes que as pessoas s\u00e3o as audi\u00eancias das televis\u00f5es e a tiragem dos jornais. Nos \u00faltimos dias, com a sa\u00edda do Governo de dois ministros, o termo da pris\u00e3o preventiva de um pol\u00edtico conhecido, os estudantes universit\u00e1rios em cortejo pelas ruas das cidades com gritos de contesta\u00e7\u00e3o, deu-se a impress\u00e3o ao Pa\u00eds de que nada mais importante se estava passando. Um clima de histerismo.  <\/p>\n<p>Horas seguidas de transmiss\u00e3o a repetir a mesma coisa, julgamentos em pra\u00e7a p\u00fablica, ferroadas de sangrar em pessoas que parece que s\u00f3 fizeram disparates em toda a sua vida, ju\u00edzos farisaicos formulados e alardeados por quem n\u00e3o pode atirar pedras a ningu\u00e9m, ataques e contra-ataques a tempo e fora de tempo a pessoas e a institui\u00e7\u00f5es, insinua\u00e7\u00f5es at\u00e9 dizer basta, perturba\u00e7\u00e3o do clima de serenidade a que temos direito, um nunca acabar de interven\u00e7\u00f5es, de mesas redondas, de comentadores de turno. Nem sempre tudo limpo, mas com pretens\u00e3o de um bem que leva escondido vingan\u00e7as ser\u00f4dias e despeitos que n\u00e3o esquecem.<\/p>\n<p>N\u00e3o se passou ainda a p\u00e1gina e novas coisas velhas se v\u00eaem no horizonte.<\/p>\n<p>Venho de uma reuni\u00e3o onde ouvi, de gente sofrida, uma ladainha de mis\u00e9rias que atingem fam\u00edlias que se cansaram de o ser. Abro o jornal e vejo que, em vinte freguesias de um concelho, que se tem considerado acima da m\u00e9dia econ\u00f3mica, alastra o alcoolismo, a droga, a prostitui\u00e7\u00e3o, o analfabetismo, a depend\u00eancia dos idosos, a instabilidade  profissional, o trabalho infantil, o abandono da escola, a desorganiza\u00e7\u00e3o familiar. Vejo respons\u00e1veis de institui\u00e7\u00f5es de solidariedade preocupados com os mil problemas das mesmas e com outros que lhes trazem diariamente os que delas beneficiam. Comparo a despropor\u00e7\u00e3o do que gasta o Estado com alguns cidad\u00e3os pouco respons\u00e1veis e o que n\u00e3o chega ou tarda a chegar, para atender a situa\u00e7\u00f5es de primeira necessidade\u2026 E s\u00f3 vejo a grande comunica\u00e7\u00e3o social preocupada com isto, se pelo meio h\u00e1 algum esc\u00e2ndalo ou algo que cheire a tal.<\/p>\n<p>Nos are\u00f3pagos da pol\u00edtica, mais palavras que ideias. Na compreens\u00e3o dos problemas, mais emo\u00e7\u00f5es que realismo. Na ordena\u00e7\u00e3o da vida e no que toca a cada um, mais queixas que compromissos e esfor\u00e7o pr\u00f3prio. O desnorteio \u00e9 real. Sem  o respeito e colabora\u00e7\u00e3o de todos, n\u00e3o h\u00e1 Governo que governe. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Basta prestar alguma aten\u00e7\u00e3o ao que se passa \u00e0 nossa volta e frente aos nossos olhos, para que cres\u00e7am sempre mais as preocupa\u00e7\u00f5es de qualquer cidad\u00e3o atento, tal a despropor\u00e7\u00e3o entre os acontecimentos e a sua mediatiza\u00e7\u00e3o. Esmi\u00fa\u00e7a-se tudo, de modo doentio, at\u00e9 ao tutano. 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