{"id":15662,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15662"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-7\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>Como era de prever, Martins da Cruz deixou o Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, n\u00e3o por solidariedade para com o seu colega do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Ensino Superior, Pedro Lynce, mas porque se sentiu ofendido na sua honra e dignidade com as acusa\u00e7\u00f5es de que estaria c\u00famplice de manobras para alterar a lei, com vista a beneficiar a filha. Mas vamos mudar de p\u00e1gina, porque j\u00e1 temos a sucessora de Martins da Cruz.<\/p>\n<p>Com a sua demiss\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o social multiplicou-se em dilig\u00eancias na tentativa de descobrir quem seria o novo ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros. Cargo dif\u00edcil e que exige capacidade negocial a n\u00edvel internacional, n\u00e3o seria f\u00e1cil de preencher. Conceituados analistas pol\u00edticos chegaram mesmo a dizer que tinham olhado para todos os lados e que na \u00e1rea do PSD n\u00e3o viam ningu\u00e9m \u00e0 altura das fun\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Horas depois de tanto se falar, Dur\u00e3o Barroso escolhe Teresa Patr\u00edcio Gouveia, uma mulher j\u00e1 com experi\u00eancia governativa nas \u00e1reas da Cultura e do Ambiente, no tempo do Prof. Cavaco Silva. E com esta nomea\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se fizeram esperar os elogios \u00e0 op\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro, vindos de v\u00e1rios quadrantes pol\u00edticos, muito embora alguns tivessem adiantado que o mal estaria na pol\u00edtica do Governo, que n\u00e3o na pessoa, que todos consideravam \u00e0 altura das fun\u00e7\u00f5es, com a ajuda, em algumas mat\u00e9rias, do Chefe do Governo.<\/p>\n<p>Uma mulher conseguiu, neste caso, suscitar consensos respeitosos, o que nos leva a pensar e a afirmar que h\u00e1 muito a nossa pol\u00edtica vem precisando de mais mulheres, n\u00e3o pelo simples facto de elas deverem ter, na pr\u00e1tica, os mesmos direitos que os homens, a todos os n\u00edveis,  mas sobretudo porque gozam do privil\u00e9gio de nos seus genes predominar sensibilidade, bom senso, serenidade e compet\u00eancias que durante s\u00e9culos lhes negaram e que muita falta fazem na pol\u00edtica, t\u00e3o masculinizada est\u00e1 ela.<\/p>\n<p>O Procurador Geral da Rep\u00fablica, Souto Moura, afirmou  que somente estaremos verdadeiramente num Estado de Direito, quando os pol\u00edticos forem tratados pela Justi\u00e7a como quaisquer cidad\u00e3os comuns. Isto quer dizer que no nosso Pa\u00eds, pese embora vivermos em democracia h\u00e1 mais de um quarto de s\u00e9culo, tal n\u00e3o tem acontecido. N\u00e3o pode haver outra interpreta\u00e7\u00e3o para a sua den\u00fancia. <\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, as leis, numa sociedade democr\u00e1tica, s\u00e3o feitas pelos pol\u00edticos, segundo o que pensam ser o melhor para o povo. Quando algu\u00e9m transgride, cabe aos Tribunais aplicar as penas respectivas. E assim se vai vivendo.<\/p>\n<p>O chamado caso da pedofilia na Casa Pia, por\u00e9m, veio mostrar as fragilidades das nossas leis, coisa que ningu\u00e9m tinha verificado at\u00e9 a\u00ed, apesar de haver milhares de presos preventivos no Pa\u00eds, muitos deles sem conhecerem realmente a mat\u00e9ria da acusa\u00e7\u00e3o. A pris\u00e3o de um pol\u00edtico e de gente medi\u00e1tica, contudo, mexeu com meio mundo. Aqui-d\u2019el-rei que n\u00e3o pode ser&#8230;  as leis t\u00eam de ser alteradas&#8230; somos o \u00fanico pa\u00eds onde isto acontece&#8230; etc&#8230;. etc.<\/p>\n<p>Pois \u00e9. Souto Moura tem raz\u00e3o. Enquanto a  gente comum sofria e sofre na pris\u00e3o, estava tudo certo. Agora, com medi\u00e1ticos (presum\u00edveis inocentes at\u00e9 prova em contr\u00e1rio) a pressionarem os poderes com a ajuda dos grandes \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social,  j\u00e1 n\u00e3o falta quem exija a imediata altera\u00e7\u00e3o das leis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como era de prever, Martins da Cruz deixou o Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, n\u00e3o por solidariedade para com o seu colega do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Ensino Superior, Pedro Lynce, mas porque se sentiu ofendido na sua honra e dignidade com as acusa\u00e7\u00f5es de que estaria c\u00famplice de manobras para alterar a lei, com vista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}