{"id":15666,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15666"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-b\/","title":{"rendered":"XXIX Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra <!--more--> O Comit\u00e9 Nobel atribuiu a uma mulher iraniana, Shrin Ebadi, o Nobel da Paz 2003, destacando os seus esfor\u00e7os em prol da democracia e dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres e das crian\u00e7as. Esta mulher renunciou a uma carreira brilhante nos Estados Unidos, para se entregar ao seu povo, preferindo ser oprimida e presa, por causa dos ideais que defendia. Este evento mostra-nos a veracidade da mensagem b\u00edblica, que neste domingo nos \u00e9 proposta. Na l\u00f3gica de Deus, os vencedores s\u00e3o aqueles e aquelas que vivem no sofrimento, na humilha\u00e7\u00e3o e na abnega\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria vida, e que, por isto, trazem \u00e0 humanidade concreta uma mais valia de vida, de liberta\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a, como aconteceu com Shrin Ebadi, mu\u00e7ulmana de religi\u00e3o. Contr\u00e1ria \u00e9 a l\u00f3gica humana, em que os vencedores s\u00e3o aqueles e aquelas que se preocupam com o poder, com o dinheiro e com o dom\u00ednio, e cujo fruto \u00e9 presun\u00e7\u00e3o e frivolidade. <\/p>\n<p>Comecemos pela primeira leitura. Isa\u00edas fala-nos do Servo do Senhor. Este Servo foi esmagado pelo sofrimento, mas ofereceu a sua vida como v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o, por isso ter\u00e1 uma des-cend\u00eancia duradoira e, no fim dos seus dias \u201cver\u00e1 a luz e ficar\u00e1 saciado\u201d. Em Jesus, esta enigm\u00e1tica figura alcan\u00e7ou a sua plenitude. Na continua\u00e7\u00e3o da Carta aos Hebreus, o autor fala-nos de Jesus Cristo, que, pela sua encar-na\u00e7\u00e3o, vestiu a nossa fragilidade, partilhou a nossa condi\u00e7\u00e3o humana e sofreu a morte. Mas Deus ressuscitou-o e f\u00ea-lo penetrar nos C\u00e9us, tornando-se, assim, o grande sumo sacerdote, capaz de se compadecer das nossas fraquezas e de nos obter todos os aux\u00edlios e favores, de que carecemos. Tanto o Servo do Senhor como Jesus foram vencedores, na direc\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica de Deus. No evangelho, Marcos narra um epis\u00f3dio que nos mostra a dificuldade que os pr\u00f3prios disc\u00edpulos de Jesus t\u00eam em entender e acolher o itiner\u00e1rio de vida que Ele lhes prop\u00f5e, segundo a l\u00f3gica de Deus. Tiago e Jo\u00e3o querem ser os maiores, entre os doze. Pedem a Jesus o lugar de primeiro e de segundo ministro, no seu reino. Jesus, por\u00e9m, contrap\u00f5e-lhes: \u201cSabeis que os que s\u00e3o considerados como chefes das na\u00e7\u00f5es exercem dom\u00ednio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. N\u00e3o deve ser assim entre v\u00f3s: Quem entre v\u00f3s quiser tornar-se grande, ser\u00e1 vosso servo, e quem quiser entre v\u00f3s ser o primeiro, ser\u00e1 escravo de todos; porque o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a vida para reden\u00e7\u00e3o de todos\u201d.<\/p>\n<p>Jesus veio habitar no meio de n\u00f3s, pela sua encarna\u00e7\u00e3o, para servir e, por isso, recusou todas as tenta\u00e7\u00f5es de ambi\u00e7\u00e3o, de poder e de grandeza. Fez da sua vida um permanente servi\u00e7o aos pobres, aos pequenos, aos doentes, aos \u00faltimos da comunidade humana e religiosa. Este \u00e9 o exemplo da vida de Jesus que Ele apresenta como modelo aos seus seguidores. Isto \u00e9 sumamente s\u00e9rio e nenhum cl\u00e9rigo, religioso\/a ou leigo\/a o pode ignorar, porque quem n\u00e3o \u00e9 capaz de renunciar aos seus esquemas de ego\u00edsmo, de ambi\u00e7\u00e3o, de dom\u00ednio, para fazer da sua vida um dom e um servi\u00e7o de amor, n\u00e3o pode ser disc\u00edpulo e disc\u00edpula de Jesus. Na comunidade crist\u00e3 sempre houve a tenta\u00e7\u00e3o de nos organizarmos de acordo com os esquemas da l\u00f3gica humana: jogos de poder, tentativas de do-m\u00ednio, sonhos de grandeza, de fazer \u201ccarreira\u201d, de conquistar honras e privil\u00e9gios, de protagonismo, de expectativa sobre lugares de destaque, promo\u00e7\u00f5es, etc.  Contudo, esta n\u00e3o \u00e9 a Igreja fundada em Jesus Cristo, porque toda a autoridade que n\u00e3o \u00e9 amor e servi\u00e7o, \u00e9 incompat\u00edvel com a din\u00e2mica do Reino. N\u00f3s, os disc\u00edpulos e as disc\u00edpulas de Jesus, temos a responsabilidade de instaurar e de desenvolver uma nova or-dem em todos os espa\u00e7os onde nos encontramos, desde o familiar ao eclesial, passando pelo laboral, pol\u00edtico e econ\u00f3mico. Havemos de exercer as nossas fun\u00e7\u00f5es de autoridade como um servi\u00e7o, na perspectiva do bem comum. E, se algu\u00e9m havemos de privilegiar, sejam os mais pequenos e desprotegidos. A nossa habitual atitude face ao pr\u00f3ximo, h\u00e1-de ser a de acolhimento emp\u00e1tico, de respeito caloroso e profundo, de aceita\u00e7\u00e3o incondicional e de autenticidade, vendo nele um filho e uma filha muito amada de Deus. Como quem serve, como Jesus. <\/p>\n<p>Leituras do XXIX Domingo Comum &#8211; Ano B<\/p>\n<p>Is 53,10-11; Sl 32 (33); Heb 4,14-16; Mc 10,35-45<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-15666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}