{"id":1567,"date":"2010-05-05T09:55:00","date_gmt":"2010-05-05T09:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1567"},"modified":"2010-05-05T09:55:00","modified_gmt":"2010-05-05T09:55:00","slug":"somos-flores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/somos-flores\/","title":{"rendered":"Somos Flores"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 33 <!--more--> Um dia, nos meus tempos de forma\u00e7\u00e3o na Alian\u00e7a de Santa Maria, ao arranjar o jardim com a fundadora, quebrei, por descuido, um galho de uma planta. Chamaram-me a aten\u00e7\u00e3o e ela disse-se algo que n\u00e3o entendi de imediato: \u201cSe n\u00e3o tiveres cuidado com as flores, n\u00e3o saber\u00e1s trabalhar com as almas\u201d. Mais tarde, explicou-me que cada pessoa \u00e9 como uma planta preciosa e o padre \u00e9 o jardineiro; que no Jardim de Deus tamb\u00e9m os cardos s\u00e3o bonitos\u2026 e que n\u00e3o h\u00e1 ervas daninhas que n\u00e3o sirvam para adornar. Por isso, na forma\u00e7\u00e3o do meu semin\u00e1rio de Toledo, em Espanha, cada seminarista era obrigado a ter uma tarefa para conserva\u00e7\u00e3o da casa e desenvolvimento da comunidade. Pedreiro, carpinteiro, electricista, mec\u00e2nico, cabeleireiro, bibliotec\u00e1rio, jardineiro\u2026 A forma\u00e7\u00e3o integral, at\u00e9 de um filho, prepara-nos para sermos pobres ou ricos, para vivermos na abund\u00e2ncia ou na pobreza, como o fabricante de tendas que foi S. Paulo. <\/p>\n<p>Um filho n\u00e3o se manda s\u00f3 para a escola. Dividem-se tarefas em casa, desde o lavar a lou\u00e7a at\u00e9 aparar a relva, aspirar o p\u00f3 ou pintar uma porta. O mesmo se passa no cuidado para com os animais. Um dia, conheci uma religiosa que atirava os gatos filhotes do quinto andar do convento. Cruel. N\u00e3o sabia do sentimento da criaturinha que geme ansiosa pela sua liberta\u00e7\u00e3o, como diz S. Paulo. N\u00e3o sabia que um c\u00e3o abandonado ou a passar fome implica muita ang\u00fastia naquele ser delicado que s\u00f3 quer estar connosco; que quem \u00e9 cruel com a natureza, n\u00e3o pode dizer que ama o Dono dessa natureza; que o amor ao pr\u00f3ximo implica homens, animais e plantas; que a ecologia \u00e9 evang\u00e9lica e n\u00e3o s\u00f3 franciscana.<\/p>\n<p>Por isso, quando nos educamos no respeito pela natureza e ao n\u00e3o permitirmos que nossos mi\u00fados cacem passarinhos para os matar por prazer, estamos a educar homens para respeitarem os outros homens. Por isso, cada pessoa tem a delicadeza de uma flor. E temos de lidar com ela sabendo o valor de cada flor, de cada ser, de cada vest\u00edgio de Deus nas obras da sua cria\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o anula a nossa natureza, mas aperfei\u00e7oa-a e desenvolve-se com a sua gra\u00e7a. E no homem, padre ou n\u00e3o, quanto mais perfeita e equilibrada, mais apta para a santidade que move e transforma o mundo e liberta o cosmos.<\/p>\n<p>Pensa, por isso, que tamb\u00e9m tu \u00e9s uma flor desse enorme jardim. Consola-te com aquela magn\u00edfica afirma\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora em F\u00e1tima, a 13 de Julho de 1917: Os que me amarem ser\u00e3o como flores que eu colocarei no trono de Deus Pai para o adornar.<\/p>\n<p>O teu destino \u00e9 um Jardim. N\u00e3o est\u00e1s  chamado a ser s\u00f3 semeador da palavra, mas jardineiro de Deus e a encantar com a tua beleza e o teu perfume os cora\u00e7\u00f5es de todos os que te olham e sabem que tua seiva \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. Transportas, pelo Baptismo, o suave odor de Cristo.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 33<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-1567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}