{"id":15683,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15683"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"comunhao-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comunhao-dos-santos\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o dos Santos"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu vou criar novos c\u00e9us e uma nova terra&#8230; Exultarei em Jerusal\u00e9m, o meu povo ser\u00e1 a minha alegria; E doravante n\u00e3o mais se ouvir\u00e3o choros nem lamentos&#8221; (Is. 65, 17-19) <!--more--> A meta final, prometida \u00e0 humanidade, \u00e9 uma vida de plenitude, sem afli\u00e7\u00f5es nem ang\u00fastias, sem dor nem morte. A glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 o passo sem retorno que abre caminho ao cumprimento dessa promessa. Estamos na rota da grande festa final dos santos, daqueles que lavaram as t\u00fanicas e as branquearam no sangue do Cordeiro.<\/p>\n<p>Os pastores da Igreja e a piedade crist\u00e3 foram assumindo, progressivamente, a consci\u00eancia de que a santidade de Deus \u2014 na B\u00edblia, s\u00f3 Jav\u00e9 \u00e9 santo \u2014, numa religi\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o, Deus a deveria comunicar ao Seu povo, n\u00e3o como fruto do esfor\u00e7o humano, mas como dom do amor do mesmo Deus e acolhimento da pessoa humana a esse dom. <\/p>\n<p>A pouco e pouco, se desenhou o h\u00e1bito de celebrar aqueles que evidenciavam um resposta mais her\u00f3ica a esse dom. Desde os primeiros s\u00e9culos, com o culto dos M\u00e1rtires, testemunhos de fidelidade por excel\u00eancia. J\u00e1 no s\u00e9c. VII, Bonif\u00e1cio IV purifica o Pante\u00e3o do Campo de Marte e dedica-o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem e a todos os M\u00e1rtires. E a primeira festa dos Santos em geral \u00e9 fixada em 13 de Maio. Foi-se alargando o espectro dos abrangidos (os Ap\u00f3stolos, os Confessores), at\u00e9 que, por 737, se insere no C\u00e2none da Missa uma comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Santos. Pelo Papa Greg\u00f3rio IV, no s\u00e9c. IX, a festa \u00e9 fixada definitivamente em 1 de Novembro; e Sisto IV eleva-a a uma das maiores solenidades, com oitava.<\/p>\n<p>\u00c9 a festa da esperan\u00e7a, do c\u00e9u cheio de estrelas, da peregrina\u00e7\u00e3o terrena \u2014 carregada de sombras e vias tortuosas \u2014 agora transfigurada em aleluias permanentes! Finalmente, aquilo que, sem vermos, acredit\u00e1mos pela f\u00e9, manifestou-se em plenitude. E quantos acreditaram em Deus, n\u00e3o ficar\u00e3o desiludidos; porque Ele se manifesta!<\/p>\n<p>Junta-se \u00e0 Festa de Todos os Santos a celebra\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos. Como e por que raz\u00e3o ter\u00e1 surgido esta aproxima\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o pelos mortos \u00e9 um uso crist\u00e3o desde as origens. E a solidariedade com aqueles que n\u00e3o deixaram parentes neste mundo \u00e9 tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica desde o princ\u00edpio. A convic\u00e7\u00e3o de que podemos ajudar \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o final os que partiram e esta consci\u00eancia de que temos que ver uns com os outros consolida esta pr\u00e1tica de rezar por todos os defuntos. Santo Agostinho menciona este uso e interpreta-o como um sinal da bondade da Igreja, que \u00e9 M\u00e3e de todos! As diversas Igrejas, os diversos Ritos, fixam dias pr\u00f3prios para esta ora\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria. No Ocidente, este dia consagrado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pelos Defuntos era quase geral nos mosteiros do s\u00e9c. VII, embora com dias vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>No s\u00e9c. IX, Amal\u00e1rio, organizando os of\u00edcios divinos, encostou o dos Fi\u00e9is Defuntos ao de Todos os Santos, porque entendia que aqueles que est\u00e3o em purifica\u00e7\u00e3o se encontram numa linha interm\u00e9dia entre o c\u00e9u e a terra. Foi o abade de Cluny, Santo Odilon, por 998, certamente com o mesmo pensamento de Amal\u00e1rio, que juntou a comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos, em 2 de Novembro, \u00e0 Festa de Todos os Santos, com obrigatoriedade nos mosteiros clunienses. O costume espalhou-se e tornou-se geral nos s\u00e9c.s XIII e XIV. Com a reforma do Brevi\u00e1rio romano, por S. Pio X, o of\u00edcio dos Defuntos veio juntar-se \u00e0 oitava de Todos os Santos. Desde 1913, foi dotado de of\u00edcio especial.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos parecem ocasionais todas estas aproxima\u00e7\u00f5es das duas festas. At\u00e9 ao ponto de, tamb\u00e9m por conveni\u00eancia social, dado que o 1.\u00ba de Novembro \u00e9 feriado, estar praticamente consagrada a celebra\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos na tarde do dia 1 de Novembro.<\/p>\n<p>Na verdade, a alegria de saber que uma multid\u00e3o incont\u00e1vel, proveniente de todos os povos, ra\u00e7as, l\u00ednguas e na\u00e7\u00f5es, canta os louvores do Cordeiro, intui que muitos desses eleitos s\u00e3o aqueles cujos restos mortais temos nos nossos cemit\u00e9rios, das nossas comunidades e das nossas fam\u00edlias, pais e m\u00e3es de fam\u00edlia, jovens e crian\u00e7as, profissionais com quem convivemos&#8230; Por outro lado, a certeza da comunh\u00e3o dos santos, isto \u00e9, que continuamos, em Jesus Cristo, a ser um Corpo cujos membros contribuem para o bem uns dos outros, faz-nos sentir que a santidade dos bem-aventurados aliada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o da Igreja peregrina constituem a mais bela express\u00e3o da caridade crist\u00e3!<\/p>\n<p>A expectativa da festa final precisa de ser alimentada em serena esperan\u00e7a e motivada pela certeza de que muitos responderam fielmente ao dom de Deus. Juntos, na festa, a caminho, ou ainda nesta tenda provis\u00f3ria, ganhamos outro \u00e2nimo, quando estamos com os nossos.<\/p>\n<p>Isto deveria transformar o panorama dos nossos cemit\u00e9rios: menos carregados de luto e mais iluminados pela esperan\u00e7a; menos pejados de velas poluentes e flores de luxo e mais envolvidos em clima de ora\u00e7\u00e3o confiante e de esperan\u00e7oso canto de ressurrei\u00e7\u00e3o. Na certeza de que, com Cristo, vencedor sobre os poderes inimigos, tamb\u00e9m n\u00f3s participaremos da nova cria\u00e7\u00e3o, que consistir\u00e1 num retorno definitivo \u00c0quele de quem tudo prov\u00e9m!<\/p>\n<p>Cf. JO\u00c3O PAULO II, A vida eterna j\u00e1 come\u00e7ou, F\u00e1tima 2000.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 LEITE, org., Santos de cada dia III, Braga 1985.<\/p>\n<p>MISSAL DOMINICAL, ed. Paulinas, Bras\u00edlia  1980.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu vou criar novos c\u00e9us e uma nova terra&#8230; Exultarei em Jerusal\u00e9m, o meu povo ser\u00e1 a minha alegria; E doravante n\u00e3o mais se ouvir\u00e3o choros nem lamentos&#8221; (Is. 65, 17-19)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15683","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15683\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}