{"id":15686,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15686"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"estadios-coloridos-hospitais-abarrotados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/estadios-coloridos-hospitais-abarrotados\/","title":{"rendered":"Est\u00e1dios coloridos, hospitais abarrotados"},"content":{"rendered":"<p>Partilhando <!--more--> O Pa\u00eds parece que perdeu a rota em sectores t\u00e3o vitais, porventura, nunca imagin\u00e1veis. N\u00e3o vale a pena evocar casos, situa\u00e7\u00f5es que preocupam todo o cidad\u00e3o consciente, todo o cidad\u00e3o que n\u00e3o deve viver s\u00f3 para si mas tamb\u00e9m para os outros. E de quem \u00e9 a culpa? Ser\u00e1 um pouco de todos, uns mais outros menos, uns por culpas de gest\u00e3o, outros por omiss\u00f5es. E hoje o pecado da omiss\u00e3o ser\u00e1 dos piores de uma sociedade consumista, ego\u00edsta.<\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m dever\u00e1 entrar no pessimismo do n\u00e3o te importes porque ainda n\u00e3o bateu \u00e0 minha porta! \u00c9 tempo de remar contra a mar\u00e9 de pessimismo.<\/p>\n<p>O que vai ainda valendo para apagar, qui\u00e7\u00e1, algumas m\u00e1goas, incertezas no futuro, ser\u00e1 o futebol de alta competi\u00e7\u00e3o ou fobia de inau-gura\u00e7\u00f5es de grandes est\u00e1dios, como sendo n\u00f3s os melhores do mundo!&#8230; E ent\u00e3o este fim-de-semana foi ao rubro quando a \u201ccatedral\u201d do Benfica desceu ao relvado e os tribunos subiram \u00e0 c\u00e1tedra do lindo Est\u00e1dio do glorioso Benfica!&#8230;<\/p>\n<p>Gostei do espect\u00e1culo, recordando-me um pouco os Ol\u00edmpicos, com dignidade, arte, moldura, alegria e&#8230; que mais?! Tamb\u00e9m gostei das entrevistas feitas no local, todas elas afinando pelo mesmo diapas\u00e3o, como \u00e9 normal nestas circunst\u00e2ncias de euforia. Mas um depoimento me chamou a aten\u00e7\u00e3o sa\u00eddo da boca de um cavalheiro, enrolado na bandeira do Glorioso: \u201cOlhe, tudo isto est\u00e1 certo, est\u00e1 lindo mas&#8230; Sabe eu estava a ver este est\u00e1dio e a pensar: Se fazem estes est\u00e1dios (s\u00e3o dez no Pa\u00eds) em tempo recorde e com esta grandeza, porque n\u00e3o h\u00e1 recordes para fazer mais hospitais, para dotar os que h\u00e1 com o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es?!<\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Ouvi e mastiguei um pouco mais neste fim-de-semana por ter mais tempo&#8230; para mastigar, e fui reflectindo na \u00e2nsia daquela jovem m\u00e3e, internada num hospital de Lisboa, lan\u00e7ando por entre dentes este desabafo: Ai o meu poney, l\u00e1 da quinta onde trabalho; ai as minhas meninas!\u201d A mulher, dos lados do Montijo, h\u00e1 tr\u00eas anos algu\u00e9m lhe doou um rim. Tudo bem, s\u00f3 que a jovem &#8211; m\u00e3e, \u00e0 minha interpela\u00e7\u00e3o, desabafava ter ficado bem, mas agora vim c\u00e1 outra vez! Olhe, era um rim de um homem que tinha morrido. N\u00e3o sei! Mas as minha filhas n\u00e3o as tiro do cora\u00e7\u00e3o, nem da cabe\u00e7a: uma delas disse-me quando vim: \u00d3 m\u00e3e, n\u00e3o vais l\u00e1 ficar outra vez?! N\u00e3o, filha, disse-lhe esperan\u00e7ada&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Esta gente deste hospital \u00e9 boa gente e se n\u00e3o fazem mais \u00e9 porque n\u00e3o podem fazer recordes. Estes s\u00e3o para os que mandam, agora ou em tempos idos. \u00c9 que os teres n\u00e3o abundam, porque s\u00e3o preciso met\u00ea-los nos est\u00e1dios ou acudir a f\u00e1bricas (e bem) que v\u00e3o amea\u00e7ando o labor de toda uma vida de milhares de trabalhadores!<\/p>\n<p>Ganhou-se a aposta (em est\u00e1dios) ganhe-se agora a aposta, em tempo recorde, de dotar o Pa\u00eds de melhor sa\u00fade, de mais seguran\u00e7a, de maior esperan\u00e7a num mundo melhor para todos. \u00c9 porque gene-rosidades n\u00e3o faltam neste rect\u00e2ngulo! Que as \u201ccatedrais\u201d de futebol, pomposamente proclamadas pela turba multa se transformem, tamb\u00e9m, em \u201ccatedrais\u201d de sa\u00fade, de matar fomes, de dar emprego a 450 mil \u00e0 procura. A luta s\u00f3 se vencer\u00e1 com todos. S\u00e3o gotinhas que n\u00e3o se v\u00eaem, mas podem ser das gotas de uma Teresa de Calcut\u00e1, que ela mesma reconheceu serem, efectivamente, gotas, mas que bradaram em todo o mundo. Bradaram! Haja esperan\u00e7a!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilhando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}