{"id":15687,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15687"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-festa-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-festa-8\/","title":{"rendered":"A Festa (8)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> D) Depois dos aspectos focados no artigo anterior, h\u00e1, pois, que cuidar dos elementos de festa de uma celebra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013 a comunidade reunida, que se sinta convocada, acolhida e protagonista da celebra\u00e7\u00e3o; n\u00e3o como uma sociedade an\u00f3nima e dispersa, mas como fam\u00edlia de crentes que participam activamente;<\/p>\n<p>\u2013 um ambiente agrad\u00e1vel, esteticamente cuidado, nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de celebra\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>\u2013 o canto e a m\u00fasica, que al\u00e9m da expressividade d\u00e3o a toda a celebra\u00e7\u00e3o um tom festivo, quer quando o canto \u00e9 realizado por toda a assembleia quer quando, em determinados dias de festa, o coral canta polifonia ou quando se ambientam os momentos de entrada ou de sil\u00eancio meditativo com um solo de m\u00fasica;<\/p>\n<p>\u2013 o cuidado das ac\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas: as que se encontram nos livros lit\u00fargicos e as que uma s\u00e3 imagina\u00e7\u00e3o pastoral possa acrescentar com car\u00e1cter festivo para ocasi\u00f5es mais expressivas da comunidade; a linguagem dos s\u00edmbolos \u00e9 a melhor para comunicar a sintonia festiva a toda a assembleia celebrante;<\/p>\n<p>\u2013 a gradualidade no car\u00e1cter festivo, reservando para os domingos ou festas mais importantes os elementos mais extraordin\u00e1rios, mas sem privar toda a celebra\u00e7\u00e3o de um tom m\u00ednimo de vitalidade e alegria;<\/p>\n<p>\u2013 a festa afecta todo o homem, n\u00e3o s\u00f3 os seus ouvidos ou a sua f\u00e9 interior: os elementos de adorno, m\u00fasica, est\u00e9tica, incenso, movimentos, s\u00edmbolos, imagens&#8230; sabiamente harmonizados tamb\u00e9m pertencem \u00e0 festa crist\u00e3;<\/p>\n<p>\u2013 dentro da ordem e da identidade de cada momento da celebra\u00e7\u00e3o, a nossa liturgia necessita de uma dose maior de fantasia e criatividade; pode-se respeitar o esp\u00edrito e os objectivos da celebra\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, dar-lhe um ar maior de espontaneidade e variedade; na \u00abgram\u00e1tica\u00bb da festa humana h\u00e1 express\u00f5es que n\u00e3o desdizem necessariamente da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>E) Valentia para fazer festa. \u00c9, muitas vezes, o que nos falta. A pastoral deveria, pois, ter na Igreja de hoje uma mais clara atitude de aceita\u00e7\u00e3o para a festa. Uma Igreja que descobre um Deus menos \u00absevero\u00bb e mais pr\u00f3ximo, que segue um Cristo mais humano e festivo, inclusivamente na sua fidelidade radical \u00e0 dif\u00edcil miss\u00e3o \u2013 quando a liturgia fala da morte de Cristo refre-se a ela como \u00aba  gloriosa Paix\u00e3o\u00bb \u2013; uma Igreja convencida da presen\u00e7a nela do Esp\u00edrito de Deus, que \u00e9 Esp\u00edrito de vida, de alegria e festa \u2013 sem descuidar, naturalmente, a tarefa de anunciar e defender a verdade, porque Ele \u00e9 tamb\u00e9m o Esp\u00edrito da verdade; nem ser menos exigente no estilo evang\u00e9lico de vida, porque tamb\u00e9m o Esp\u00edrito \u00e9 o que nos ensina a lei nova do amor&#8230;<\/p>\n<p>Uma Igreja assim deve ser uma comunidade em festa, que convida toda a humanidade \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos melhores valores que se podem desejar. Uma comunidade crist\u00e3 que acolhe com alegria o novo estilo festivo de umas celebra\u00e7\u00f5es mais humanas, ou a vitalidade de umas p\u00e1scoas juvenis, ou a criatividade de uma liturgia em que se canta a um ritmo mais vivo e se buscam s\u00edmbolos mais frescos que, sem desnaturalizar a estrutura herdada dos sacramentos, a tornam mais expressiva e participada.<\/p>\n<p>Duas cita\u00e7\u00f5es para terminar, tomadas de dois autores que escreveram sobre o aspecto festivo da comunidade crist\u00e3:<\/p>\n<p>Cox, no final da sua obra A festa dos loucos: \u00aba esperan\u00e7a crist\u00e3 sugere que o homem est\u00e1 destinado \u00e0 cidade. No entanto, n\u00e3o se trata de qualquer cidade. Se tomarmos em considera\u00e7\u00e3o as imagens do c\u00e9u, assim como os s\u00edmbolos do livro do Apocalipse, n\u00e3o se trata s\u00f3 de uma cidade na qual se aboliu a injusti\u00e7a e na qual n\u00e3o existe o pranto. \u00c9 uma cidade na qual se celebra uma maravilhosa  festa de bodas, onde rebentam risos, se dan\u00e7a e ainda n\u00e3o se serviu o vinho melhor\u00bb.<\/p>\n<p>Moltmann, tamb\u00e9m como conclus\u00e3o do seu livro Sobre a liberdade, a alegria e o jogo:: \u00abconviria que a Igreja n\u00e3o se compreendesse como meio para um fim, como Igreja para o mundo, mas que evidencie em si mesma tamb\u00e9m a exist\u00eancia livre e redimida com aquele a quem ainda quer servir. A Igreja \u00e9 neste sentido, e s\u00f3 neste sentido, fim para si mesma, n\u00e3o como Igreja hier\u00e1rquica e burocr\u00e1tica, mas como comunidade dos homens livres&#8230; demonstrando ao mesmo tempo esta liberdade e deixando transluzir o gozo desta liberdade\u00bb.\t     <\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-15687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}