{"id":15721,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15721"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-mortos-de-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-mortos-de-ninguem\/","title":{"rendered":"Os mortos de ningu\u00e9m!"},"content":{"rendered":"<p>Partilhando <!--more--> Reflecti o pensamento supra num jornal nortenho, no matutino Jornal de Not\u00edcias. E quando me dei comigo a n\u00e3o saber o que escrever para este espa\u00e7o, (que \u00e9 tanto meu, como pode ser teu, caro leitor, se quiseres!) n\u00e3o porque me faltasse recheio neste universo em que a cada momento soam turbilh\u00f5es de acontecimentos, uns belos, outros menos e ainda outros (muitos!) p\u00e9ssimos, mas porque cada vez \u00e9 mais dif\u00edcil de escrever. \u00c9!&#8230; E as met\u00e1foras despontam como recurso para muitos jornalistas ou rep\u00f3rteres de hoje, dos que precisam de ganhar a vida e outros motivos, como o vincou oportunamente ontem o indiscut\u00edvel rep\u00f3rter Carlos Fino na entrevista que deu ao Canal 2 da RTP, a prop\u00f3sito da apresenta\u00e7\u00e3o do seu livro de&#8230;guerra! <\/p>\n<p>Mas j\u00e1 me ia a perder. Que li eu ent\u00e3o?! \u201cS\u00e3o os mortos de ningu\u00e9m\u201d. E esse matutino aponta n\u00fameros de mortos que v\u00e3o a enterrar sem nome, sem fam\u00edlia, sem naturalidade ou resid\u00eancia. (ver caixa).<\/p>\n<p>Por todo o Pa\u00eds h\u00e1 gente que perde a vida sem direito a l\u00e1grimas, a preces ou a flores. A lei garante-lhes uma sepultura, mesmo que seja tempor\u00e1ria, mas continuam a ser mortos de ningu\u00e9m!<\/p>\n<p>Ao percorrer alguns dos cemit\u00e9rios da nossa cidade, da regi\u00e3o, por obriga\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o, em Comunh\u00e3o de Santos, constatei tantas diferen\u00e7as! Tantos ep\u00edtetos que transbordam sabedoria, porventura, mas, qui\u00e7\u00e1, tamb\u00e9m, ostenta\u00e7\u00e3o. Tanto, que  d\u00e1 que pensar! As silenciosas, religiosas prociss\u00f5es de gente crente, falavam mais alto do que muitas pessoas que deambulavam por esses espa\u00e7os sagrados, porque sagrados foram os corpos onde habitou uma alma. Mas os costumes, os h\u00e1bitos, de algum modo, an\u00e1rquicos, de certas correntes, iam transformando esses espa\u00e7os numa esp\u00e9cie de mercado, de verborreia. Por\u00e9m, o sil\u00eancio de milhares de pessoas, a sua cren\u00e7a, as suas preces, calavam mais fundo, iam \u00e0 profundeza do mist\u00e9rio da Vida e da Morte! A sorte dos que tiveram quem lhes pegasse numa argola do caix\u00e3o e os que nada tiveram, e passaram desta vida sem nome escrito, mas ficaram, acredito, escritos no Livro da Vida! E no meio dessas multid\u00f5es de gente an\u00f3nima quantos se lembraram dos sem nome, dos que n\u00e3o tiveram uma flor?! Discriminados na vida, esquecidos na partida, mas lembrados, amados pelo Pai de todos! \u00c9 tempo de reflex\u00e3o, de aquilatar o valor da Vida. E ser\u00e1 nessa procura que desvendaremos o misterioso fen\u00f3meno da discrimina\u00e7\u00e3o. Tantos imigrantes ca\u00eddos nas bermas da estrada, das ruas sem nada, sem nome, sem direito a um sorriso, a uma flor!&#8230;<\/p>\n<p>Do JN extra\u00edmos com a devida v\u00e9nia: \u201cEm menos de cinco anos, 142 cad\u00e1veres, imposs\u00edveis de identificar, foram recebidos nos institutos de Medicina Legal de Lisboa, Porto e Coimbra. A esse n\u00famero juntam-se, anualmente, as centenas de corpos de homens e mulheres, geralmente sem abrigo ou imigrantes, que at\u00e9 s\u00e3o identificados, mas nunca reclamados pelos familiares&#8230;\u201d<\/p>\n<p>E a jornalista Isabel Forte adianta que \u201cmuitas fam\u00edlias querem-nos para si, mas n\u00e3o possuem meios para os reaver. No caso dos imigrantes de Leste, por exemplo, as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam possibilidades econ\u00f3micas, ou ent\u00e3o as embaixadas n\u00e3o os encaminham para os pa\u00edses de origem&#8230;\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de idolatrar os mortos, n\u00e3o \u00e9 isso, mas  questionar situa\u00e7\u00f5es e a tirar  conclus\u00f5es: tamb\u00e9m h\u00e1 dois pesos e duas medidas dos que t\u00eam direito a uma sepultura e outros nem a uma flor, a uma l\u00e1grima de gratid\u00e3o!<\/p>\n<p>Uma certeza nos pode animar \u00e9 que o Criador, feito Homem, ressuscitou e est\u00e1 vivo para dar uma flor a todos que n\u00e3o a tiveram, e a dar-lhes uma Casa no Seu Reino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilhando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15721","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15721"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15721\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}