{"id":15722,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15722"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"palavra-e-sinais-na-constituicao-sobre-liturgia-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/palavra-e-sinais-na-constituicao-sobre-liturgia-1\/","title":{"rendered":"Palavra e sinais na Constitui\u00e7\u00e3o sobre liturgia (1)"},"content":{"rendered":"<p>PALAVRA E SINAIS NA CONSTITUI\u00c7\u00c3O SOBRE A LITURGIA  (1)<\/p>\n<p>Completar-se-\u00e3o a 4 de Dezembro quarenta anos de promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium. E, naturalmente, para al\u00e9m de recordar esta efem\u00e9ride de magna import\u00e2ncia para a vida lit\u00fargica da Igreja, importa reflectir sobre os benef\u00edcios que a reforma lit\u00fargica implementada por este documento veio trazer \u00e0 pr\u00f3pria Igreja e \u00e0s comunidades locais.<\/p>\n<p>V\u00e1rios aspectos da liturgia poderiam ser focados nestas Notas Lit\u00fargicas. Contudo, iremos fixar-nos  na palavra e nos sinais, como elementos constitutivos de toda a ac\u00e7\u00e3o sacramental. Eperamos, com estas considera\u00e7\u00f5es, ajudar a valorizar a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos e, muito particularmente, da Eucaristia, como fundamento da festa crist\u00e3, de que fal\u00e1mos nos anteriores artigos, aqui publicados.<\/p>\n<p>1. A palavra na Constitui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidas as men\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas do termo \u00abpalavra\u00bb, \u2013\u00abverbum\u00bb, no latim original do documento \u2013, ao longo do texto da Constitui\u00e7\u00e3o. Com este \u00fanico termo, no entanto, alude-se a realidades distintas, extremamente d\u00edspares, que v\u00e3o desde a Realidade transcendente e pessoal, identificada com a segunda Pessoa da Sant\u00edssima Trindade, \u00abVerbum carnem factum\u00bb = \u00aba Palavra feita carne\u00bb (SC 5), at\u00e9 \u00e0 d\u00e9bil palavra humana, simples texto substitu\u00edvel de uma moni\u00e7\u00e3o, que pode fazer-se \u00abcom as palavras prescritas ou outras semelhantes\u00bb (SC 35).<\/p>\n<p>Realidades distintas, extremamente d\u00edspares, como se disse. Mas, apesar de tudo, realidades que conv\u00eam analogicamente num mesmo conte\u00fado no\u00e9tico: o matiz comunicativo, apocal\u00edptico, de re-vela\u00e7\u00e3o, que torna poss\u00edvel design\u00e1-las mediante um mesmo termo: \u00abpalavra\u00bb.<\/p>\n<p>Com uma entoa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito diferente da do quarto Evangelho, a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Liturgia come\u00e7a falando-nos da \u00abPalavra\u00bb, e s\u00f3 a partir dessa altura nos continua a falar das \u00abpalavras\u00bb. Subindo, com um voo semelhante ao da \u00c1guia de Patmos, \u00e0 Palavra que existia desde o princ\u00edpio, que estava junto de Deus e que era Deus, recorda-nos que \u00abDeus&#8230; enviou o seu Filho, a Palavra feita carne, ungido pelo Esp\u00edrito Santo, para evangelizar os pobres e curar os contritos de cora\u00e7\u00e3o&#8230;\u00bb (SC 5).<\/p>\n<p>J\u00e1 aqui se torna patente o matiz relativo mediante a acumula\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que formam o contexto. Partindo de uma vontade salv\u00edfica universal de Deus, assegurada pela cita\u00e7\u00e3o da primeira carta a Tim\u00f3teo, o come\u00e7o da carta aos Hebreus coloca-nos em cheio nesse contexto expl\u00edcito de locu\u00e7\u00e3o e revela\u00e7\u00e3o: \u00abtendo falado antigamente em muitas ocasi\u00f5es de diferentes maneiras aos nossos pais por meio dos profetas&#8230;\u00bb. \u00c9 evidente que a seguir \u00e0s palavras citadas esperar\u00edamos ler: \u00abultimamente, nos nossos dias, falou-nos por meio de seu Filho\u00bb. Em lugar disso,  como seu equivalente, o documento conciliar afirma: \u00abquando chegou a plenitude dos tempos enviou o seu Filho, a Palavra feita carne\u00bb. O mesmo, pois, o Filho, \u00e9 a Palavra, e n\u2019Ele nos falou o Pai precisamente ao envi\u00e1-l\u2019O, ao fazer que a sua Palavra se fizesse carne, ao met\u00ea-lo no nosso mundo, de maneira que, vivendo uma vida plenamente humana, fosse atrav\u00e9s dela a plenitude da revela\u00e7\u00e3o. E enviou-O, encarnou-O, \u00abpara evangelizar os pobres e curar os contritos de cora\u00e7\u00e3o\u00bb. O contexto de revela\u00e7\u00e3o refor\u00e7a-se e matiza-se: n\u00e3o \u00e9 Palavra que aterroriza, que espanta, mas Palavra que evangeliza, que anuncia a salva\u00e7\u00e3o. Mas, al\u00e9m disso, n\u00e3o se trata de um an\u00fancio vazio, mas de uma an\u00fancio eficaz: \u00abpara evangelizar os pobres e curar os contritos de cora\u00e7\u00e3o\u00bb, evangelizar e curar, anunciar a salva\u00e7\u00e3o e salvar. Como? Mediante esse novo estado da Palavra feita carne, mediante a sua sant\u00edssima humanidade. \u00abDe facto, a sua humanidade, unida \u00e0 Pessoa do Verbo, foi instrumento da nossa salva\u00e7\u00e3o\u00bb (SC 5).<\/p>\n<p>Como \u00e9 f\u00e1cil deduzir, a concep\u00e7\u00e3o da Liturgia que se torna patente em toda a Constitui\u00e7\u00e3o, ou seja, uma actividade indubitavelmente humana, sens\u00edvel, composta por palavras, sinais e coisas do nosso mundo, mas transfigurada por uma presen\u00e7a transcendente e operativa a um n\u00edvel que n\u00e3o \u00e9 deste mundo, uma actividade humana que \u00e9 \u00abo exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo\u00bb (SC 7), est\u00e1 j\u00e1 aqui na sua ra\u00edz mais profunda, no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode, portanto, deixar de lado esta utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u00abVerbum\u00bb no seu sentido transcendente e pessoal, como se se tratasse de \u00aboutra coisa\u00bb, ao meditar a palavra na Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Liturgia. Ao contr\u00e1rio, se o fiz\u00e9ssemos, privar-se-ia a reflex\u00e3o teol\u00f3gica do seu ponto de partida mais radical e origin\u00e1rio, da sua pr\u00f3pria fonte trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\tSDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PALAVRA E SINAIS NA CONSTITUI\u00c7\u00c3O SOBRE A LITURGIA (1) Completar-se-\u00e3o a 4 de Dezembro quarenta anos de promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium. 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