{"id":15760,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15760"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"baixa-qualificacao-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/baixa-qualificacao-profissional\/","title":{"rendered":"Baixa qualifica\u00e7\u00e3o profissional"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Acha-se muito vulgarizada a ideia de que Portugal se encontra atrasado na qualifica\u00e7\u00e3o escolar e profissional dos seus trabalhadores e em-res\u00e1rios. At\u00e9 se reconhece que somos, neste aspecto, o pa\u00eds mais atrasado da Uni\u00e3o Europeia (UE). E, pior do que isso, ocupamos uma das \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es mesmo no conjunto dos dez pa\u00edses candidatos \u00e0 integra\u00e7\u00e3o na UE. <\/p>\n<p>\u00c9 de notar que o discurso acerca do nosso atraso, fundamentado em estat\u00edsticas, j\u00e1 tem pelo menos quarenta anos. Contudo, observa-se, hoje, uma diferen\u00e7a significativa: no passado, criticava-se o baixo investimento financeiro em educa\u00e7\u00e3o; hoje, critica-se o facto de, apesar de ter aumentado substancialmente esse investimento, a situa\u00e7\u00e3o continua decepcionante.<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhecem as causas explicativas do fen\u00f3meno. Em todo o caso j\u00e1 foi referida uma, em artigo anterior, que tem a ver com o menosprezo da forma\u00e7\u00e3o inerente ao trabalho e \u00e0 vida (CV de 1 de Outubro): na medida em que essa forma\u00e7\u00e3o informal n\u00e3o \u00e9 reconhecida nem valorizada, ficam prejudicados os trabalhadores na sua qualifica\u00e7\u00e3o e a economia na sua produtividade.<\/p>\n<p>2. H\u00e1 uma outra causa explicativa do nosso atraso em qualifica\u00e7\u00e3o profissional, que n\u00e3o pode ser descurada. Trata-se da vasta gama de interesses e preconceitos ligados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional financiada pelo Estado e pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Actuam a\u00ed pelo menos seis estratos, ou grupos sociais. Cada um tem o seu peso espec\u00edfico, e obt\u00eam mais apoio financeiro, precisamente, os mais fortes. Entre esses grupos figuram os seguintes:<\/p>\n<p>a) Entidades formadoras, tais como: centros de forma\u00e7\u00e3o p\u00fablicos (pertencentes s\u00f3 ao Estado ou tamb\u00e9m a associa\u00e7\u00f5es sindicais e patronais) e outras organiza-\u00e7\u00f5es (com ou sem fins lucrativos) que se dedicam \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) Formadores, pertencentes \u00e0s entidades referidas na al\u00ednea anterior ou a quaisquer outras entidades, com ou sem fins lucrativos, ou trabalhando por conta pr\u00f3pria;<\/p>\n<p>c) Empresas com acesso a fundos p\u00fablicos para forma\u00e7\u00e3o; em geral, s\u00e3o de grande e m\u00e9dia dimens\u00e3o; <\/p>\n<p>d) Desempregados com acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o financiada por fundos p\u00fablicos; <\/p>\n<p>e) Desempregados sem esse acesso; <\/p>\n<p>f) Empresas em geral tamb\u00e9m desprovidas de acesso; predominam aqui as de menor dimens\u00e3o e com menos poder.<\/p>\n<p>3.Os dinheiros p\u00fablicos s\u00e3o gastos a favor dos grupos indicadas nas al\u00edneas a) a d). Ficam de fora a imensa maioria das micro e pequenas e respectivos trabalhadores, bem como uma parte significativa de desempregados e, igualmente, uma alta percentagem de trabalhadores de empresas financiadas por fundos p\u00fablicos; \u00e9 que, mesmo nelas, ficam exclu\u00eddos muitos trabalhadores.<\/p>\n<p>Pode afirmar-se, com relativa seguran\u00e7a, que a forma\u00e7\u00e3o profissional financiada por fundos p\u00fablicos est\u00e1 organizada de tal maneira que exclui a maioria dos trabalhadores e das empresas. Nada garante que esta organiza\u00e7\u00e3o venha a ser alterada. \u00c9 mesmo discut\u00edvel que o possa vir a ser, tendo em conta os preconceitos e interesses dominantes em que participam as entidades referidas nas al\u00edneas a) a c).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-15760","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15760\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}