{"id":15761,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15761"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-proposito-de-uma-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-proposito-de-uma-leitura\/","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito de uma leitura"},"content":{"rendered":"<p>Direitos humanos <!--more--> Vem a reflex\u00e3o desta semana a prop\u00f3sito de uma leitura que fiz. Trata-se de um texto do s\u00e9c. IV da autoria de S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzeno. A dada altura o pensamento do santo seguia este rumo: \u201cSendo homens, devemos pagar o tributo da bondade aos homens, seja qual for a causa pela qual estes padecem: por orfandade, desterro, crueldade alheia, temeridade dos senhores, inclem\u00eancia dos patr\u00f5es, ferocidade de bandidos, insaciabilidade de ladr\u00f5es, confisco ou naufr\u00e1gio&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Fiquei impressionado com a vis\u00e3o vanguardista deste homem do s\u00e9c. IV e com a profunda actualidade das suas palavras. \u00c9 que no referido texto est\u00e3o mencionadas diversas situa\u00e7\u00f5es que poderemos considerar an\u00e1logas \u00e0s viola\u00e7\u00f5es mais actuais aos direitos humanos. A sensibilidade \u00e0 tem\u00e1tica dos direitos da pessoa humana n\u00e3o pode ser, por isso, encarada como uma novidade dentro da Igreja. Se prestarmos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do cristianismo verificaremos que, mesmo com as devidas diferencia\u00e7\u00f5es de modos de vida e de padr\u00f5es comportamentais, muitos foram os seguidores de Jesus comprometidos com o que durante os prim\u00f3rdios se convencionou chamar \u201ccaridade\u201d. At\u00e9 mesmo durante os anos sombrios da idade m\u00e9dia muitas vozes apregoaram que a fidelidade ao Evangelho implica uma ac\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria a favor dos mais desfavorecidos. Disso foram exemplo tantos s\u00e1bios e s\u00e1bias da Igreja: Santa Catarina de Sena quando nos aponta o caminho da partilha ou Santa Rosa de Lima que nos mostra como se pode ser solid\u00e1rio no dia-a-dia. Caridade e solidariedade est\u00e3o, nesse sentido, na g\u00e9nese da defesa crist\u00e3 dos direitos humanos enquanto imperativo de F\u00e9.<\/p>\n<p>Recentemente as refer\u00eancias expl\u00edcitas aos \u201cdireitos do ser humano\u201d nas enc\u00edclicas e em muitos outros documentos da Igreja \u2013 sem medo de utilizar o voc\u00e1bulo \u201cdireitos\u201d que, em boa hora, a Assembleia Constituinte Francesa destacou, em 1789, na c\u00e9lebre declara\u00e7\u00e3o dos direitos do homem e do cidad\u00e3o \u2013  apelam ao que dever\u00e1 ser a pr\u00e1tica da defesa dos direitos humanos. <\/p>\n<p>Sei que, em Igreja, as opini\u00f5es s\u00e3o muito diversas. Esta \u00e9 a realidade de uma Igreja criada \u00e0 luz dos \u201cdiferentes dons e carismas\u201d que Deus doou a cada um. Acontece que me choca a dificuldade que t\u00eam alguns irm\u00e3os nossos para utilizar a express\u00e3o \u201cdireitos humanos\u201d, numa atitude quase  \u201cpuritana\u201d que os impede de falar abertamente nos \u201cdireitos\u201d, receosos de serem confundidos com o \u201cjacobinismo\u201d da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. <\/p>\n<p>H\u00e1 que falar, e sem medo, nos direitos humanos, destacar as suas implica\u00e7\u00f5es morais e \u00e9ticas para n\u00f3s crist\u00e3os e sair em sua defesa como se dos mais importantes ensinamentos evang\u00e9licos se tratasse.  Porque o s\u00e3o essencialmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-15761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}