{"id":15763,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15763"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"apenas-um-golpe-de-asa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/apenas-um-golpe-de-asa\/","title":{"rendered":"Apenas um golpe de asa"},"content":{"rendered":"<p>Quando se abre o cora\u00e7\u00e3o e se solta a l\u00edngua, v\u00eam \u00e0 reflex\u00e3o e ao di\u00e1logo uma avalanche de casos sociais e de experi\u00eancias, vividas e sofridas, que nos tornam a todos mais realistas, compassivos e comprometidos. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m esgota a vida, nem tem solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas. Cheia e variada como \u00e9, sempre nela haver\u00e1 momentos de alegria e de esperan\u00e7a, de dor e at\u00e9 de morte. Momentos que tanto geram ac\u00e7\u00e3o, como des\u00e2nimo.<\/p>\n<p>Os ser\u00f5es de pastoral social realizados ao longo dos \u00faltimos dias mostram problemas sem conta, mas tamb\u00e9m o grande n\u00famero de volunt\u00e1rios que se dedicam aos outros, com generosidade e regularidade. Mostram ainda que, apesar das muitas pessoas, grupos e institui\u00e7\u00f5es em campo, os problemas e as dificuldades de ordem social se multiplicam e se agravam, deixando pelo caminho v\u00edtimas de todas as idades e condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos em que a solu\u00e7\u00e3o adequada parece depender apenas de um golpe de asa. Uma observa\u00e7\u00e3o cuidada da situa\u00e7\u00e3o e do que impede que o problema se resolva, faz pensar que, se houver um di\u00e1logo coerente e franco e a coragem indispens\u00e1vel, podem-se abrir portas j\u00e1 com ferrugem nos gonzos, e a solu\u00e7\u00e3o nem ser\u00e1 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Um caso entre muitos outros. Os pais das crian\u00e7as e dos adolescentes que frequentam as escolas dos tr\u00eas ciclos deparam-se com situa\u00e7\u00f5es que, sendo iguais, n\u00e3o s\u00e3o objecto do mesmo cuidado, nem pass\u00edveis do mesmo apoio. <\/p>\n<p>Numa articula\u00e7\u00e3o entre as escolas, institui\u00e7\u00f5es, munic\u00edpios ou associa\u00e7\u00f5es de pais, surgiu a val\u00eancia para a ocupa\u00e7\u00e3o dos tempos livres, com base em acordos com os servi\u00e7os sociais e a favor das crian\u00e7as das escolas prim\u00e1rias, antes ou ap\u00f3s as aulas. Para os mais velhos dos novos, s\u00f3 em casos raros ou por via de projectos, a tempo determinado. Por\u00e9m, estes s\u00e3o t\u00e3o vulner\u00e1veis como os mais novos e, \u00e0s vezes, ainda o s\u00e3o mais, porque j\u00e1 presumem da sua liberdade e correm riscos de que n\u00e3o atingem as consequ\u00eancias. Acontece, por\u00e9m, que, se algu\u00e9m quiser organizar apoios locais, depara com uma dificuldade n\u00e3o pensada. Enquanto que nas escolas do primeiro ciclo os hor\u00e1rios s\u00e3o certos, nas outros ciclos, os hor\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o os mesmos para todos e, frequentemente, h\u00e1 tempos sem aula ao longo do dia. Diz-se que isto \u00e9 assim por conveni\u00eancia dos professores. N\u00e3o ser\u00e1 sempre assim, mas n\u00e3o custa admitir que o seja em muitos casos. N\u00e3o deve a escola  organizar-se em fun\u00e7\u00e3o dos alunos e n\u00e3o de outro modo, por mais que isso provoque inc\u00f3modos normais a quem tem o dever de servir? <\/p>\n<p>Nem todas as escolas disp\u00f5em de condi\u00e7\u00f5es para acolher nos tempos livres os seus alunos. H\u00e1 que tranquilizar os pais que trabalham. Talvez que um golpe de asa proporcione uma solu\u00e7\u00e3o. Para as crian\u00e7as, a rua \u00e9 perigosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se abre o cora\u00e7\u00e3o e se solta a l\u00edngua, v\u00eam \u00e0 reflex\u00e3o e ao di\u00e1logo uma avalanche de casos sociais e de experi\u00eancias, vividas e sofridas, que nos tornam a todos mais realistas, compassivos e comprometidos. Ningu\u00e9m esgota a vida, nem tem solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas. 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