{"id":15764,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15764"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-10\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sabemos se a grande maioria dos portugueses se apercebeu da aprova\u00e7\u00e3o na generalidade do Or\u00e7amento do Estado (OE) para o pr\u00f3ximo ano. O mais certo \u00e9 que n\u00e3o. N\u00e3o ter\u00e1 tempo nem disponibilidade para isso, embora depois tenha de ser protagonista activo, se n\u00e3o na sua execu\u00e7\u00e3o, pelo menos nas consequ\u00eancias do que dele (n\u00e3o) vir\u00e1 para o seu dia-a-dia.<\/p>\n<p>Com oposi\u00e7\u00f5es a apresentarem propostas quantas vezes  irrealistas, o Governo de Dur\u00e3o Barroso, com maioria para decidir a seu bel-prazer, continua a pregar que quer vencer o d\u00e9fice das Finan\u00e7as P\u00fablicas. Garante que vai apostar nos investimentos inadi\u00e1veis, fazendo diminuir as despesas correntes porque n\u00e3o pode contar com mais receitas. Tamb\u00e9m vai aumentar as pens\u00f5es m\u00ednimas, que permanecer\u00e3o baix\u00edssimas no contexto europeu, e informa que far\u00e1 descer o IRC para ajudar as empresas. <\/p>\n<p>As oposi\u00e7\u00f5es, por sua vez, acusam o Governo de n\u00e3o apresentar propostas para reduzir o desemprego nem para combater a fuga aos impostos, enquanto denunciam que as assimetrias regionais continuar\u00e3o a crescer. Tamb\u00e9m alertam para a necessidade de se combater a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que frisam a urg\u00eancia de se cumprir a Lei de Bases da Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n<p>O que sentimos, no debate sobre o OE, \u00e9 que se falou por falar, cada bancada apostada em ouvir  o menos poss\u00edvel os advers\u00e1rios. Como \u00e9 costume entre n\u00f3s. E a discuss\u00e3o na especialidade, tamb\u00e9m n\u00e3o adiantar\u00e1 nada. Quem j\u00e1 o deu a entender foi o ministro de Estado e da Defesa, Paulo Portas, no final da vota\u00e7\u00e3o, com as oposi\u00e7\u00f5es contra. Ser\u00e1 que estamos condenados a ver os nossos pol\u00edticos sem capacidade para dialogar como gente civilizada? <\/p>\n<p>H\u00e1 anos, todos fic\u00e1mos escandalizados com as viagens-fantasma com que alguns deputados lesaram gravemente o er\u00e1rio p\u00fablico, para al\u00e9m do mau exemplo que deram aos portugueses. Mau exemplo, porque mostraram que eram pessoas pouco s\u00e9rias, que se davam ao luxo de viajar por conta do Estado, quando se deslocavam para fins pessoais. Que saibamos, depois de descoberta a fraude, apenas um deputado foi condenado, ficando uns 30 a aguardar julgamento. No entanto, alguns desses tiveram vergonha na cara e restitu\u00edram aos cofres do Estado os preju\u00edzos que tinham causado.<\/p>\n<p>O tempo foi correndo, os anos passando, e agora o Procurador-Geral da Rep\u00fablica deu o processo por encerrado, arquivando-o, sem que algu\u00e9m o tenha impedido. Isto \u00e9, ningu\u00e9m foi julgado e o assunto passou \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Se um qualquer infeliz e pobre fosse apanhado a roubar p\u00e3o para matar a fome, \u00e9 certo e sabido que n\u00e3o escaparia \u00e0 justi\u00e7a portuguesa. Como foram deputados a infligir a lei, o caso foi passando e acabou por ser atirado para o cesto dos pap\u00e9is. Mas que justi\u00e7a \u00e9 esta e em que Pa\u00eds estamos, meu Deus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sabemos se a grande maioria dos portugueses se apercebeu da aprova\u00e7\u00e3o na generalidade do Or\u00e7amento do Estado (OE) para o pr\u00f3ximo ano. O mais certo \u00e9 que n\u00e3o. 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