{"id":15784,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15784"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"construcao-naval-em-madeira-na-regiao-aveirense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/construcao-naval-em-madeira-na-regiao-aveirense\/","title":{"rendered":"Constru\u00e7\u00e3o naval em madeira na regi\u00e3o aveirense"},"content":{"rendered":"<p>Na cidade de Aveiro constru\u00edram-se navios bacalhoeiros <!--more--> A perenidade da constru\u00e7\u00e3o naval em madeira na regi\u00e3o de Aveiro, nos s\u00e9culos XIX e XX\u201d foi o tema que Ant\u00f3nio V\u00edtor Nunes Carvalho apresentou na sess\u00e3o, da semana passada, do curso \u201cHeran\u00e7a cultural na sala de aula\u201d.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da ria de Aveiro, a constru\u00e7\u00e3o naval, em madeira, \u00e9 uma actividade secular que teve o seu apogeu na primeira metade do s\u00e9culo XX, com a constru\u00e7\u00e3o de dezenas de navios para a pesca do bacalhau, com embarca\u00e7\u00f5es a atingirem mais de cinquenta metros de comprimento, quinhentas toneladas de arquea\u00e7\u00e3o e quatro mastros.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XVII e XVIII, nesta regi\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es de mar dependeu da maior ou menor navegabilidade da Barra. No entanto, ap\u00f3s a reabertura artificial e definitiva da Barra, em 1808, este tipo de constru\u00e7\u00e3o naval teve um grande incremento, tendo aqui sido constru\u00eddos os t\u00edpicos \u201cvarinos\u201d do Tejo, barcos para o transporte de sal no rio Sado e barcos para a pesca da x\u00e1vega, entre outros.<\/p>\n<p>Mas foi com o reactivar da pesca do bacalhau, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, que esta actividade assumiu um papel relevante na economia regional, especialmente a partir da d\u00e9cada de 80 do mesmo s\u00e9culo, com a cria\u00e7\u00e3o dos estaleiros M\u00f3nica, na Gafanha da Nazar\u00e9. No entanto, ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, constru\u00edram-se navios para a pesca do bacalhau na cidade de Aveiro, onde hoje \u00e9 o Rossio e junto \u00e0 Ponte de S. Jo\u00e3o. Na Murtosa, nomeadamente no Cais do Bico, foram constru\u00eddos pelo menos tr\u00eas navios bacalhoeiros. Tamb\u00e9m alguns armadores montaram, nas suas secas de bacalhau, estaleiros provis\u00f3rios onde constru\u00edam os seus pr\u00f3prios navios.<\/p>\n<p>Estaleiros \u201cM\u00f3nica\u201d <\/p>\n<p>foram um marco<\/p>\n<p>A tese de mestrado de Ant\u00f3nio V\u00edtor Nunes de Carvalho foi centrada na hist\u00f3ria dos Estaleiros M\u00f3nica, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XIX, no lugar da Malhada (cidade de \u00cdlhavo), at\u00e9 ao seu final, cerca de um s\u00e9culo mais tarde.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a fam\u00edlia M\u00f3nica dominou a constru\u00e7\u00e3o naval em madeira, na regi\u00e3o de Aveiro, tendo tamb\u00e9m desempenhado uma ac\u00e7\u00e3o relevante na constru\u00e7\u00e3o naval na Figueira da Foz. Na Gafanha da Nazar\u00e9, local para onde transferiram os estaleiros, ainda no s\u00e9culo XIX, os M\u00f3nica criaram uma ind\u00fastria que chegou a empregar mais de duzentos e cinquenta oper\u00e1rios, e tiveram dois estaleiros em labora\u00e7\u00e3o (um de cada um dos irm\u00e3os), tendo produzido dezenas de navios para a pesca do bacalhau, alguns dos quais foram mesmo inovadores na frota portuguesa. Ap\u00f3s a segunda guerra, a constru\u00e7\u00e3o naval em madeira perde import\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos navios em a\u00e7o, apesar desses grande veleiros em madeira j\u00e1 estarem equipados com motor, frigor\u00edfico, r\u00e1dio, entre outros meios t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Desse per\u00edodo \u00e1ureo da constru\u00e7\u00e3o naval em madeira, ainda existem alguns navios, como o \u201cSanta Maria Manuela\u201d, o \u201cCreoula\u201d e o \u201cGazela\u201d (que se encontra na cidade norte-americana de Filad\u00e9lfia). Do \u00faltimo bacalhoeiro em madeira constru\u00eddo nos estaleiros M\u00f3nica (o \u201cNovos Mares\u201d), ainda restam alguns peda\u00e7os em \u00cdlhavo (frente ao Museu Mar\u00edtimo e na Malhada) e na Costa Nova.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos navios bacalhoeiros, nos estaleiros \u201cM\u00f3nica\u201d foram constru\u00eddos seis navios \u201cdraga-minas\u201d para a marinha de guerra inglesa, em pleno per\u00edodo da Segunda Guerra Mundial. Aqui foram constru\u00eddas duas \u201ccaravelas\u201d \u2013 \u201cNau Portugal\u201d e a \u201cS. Vicente\u201d, que foram um fracasso, e ainda um navio cargueiro para a marinha mercante.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos da sua exist\u00eancia, os Estaleiros M\u00f3nica dedicaram-se, sobretudo, a reparar os navios de madeira e a construir traineiras e outras embarca\u00e7\u00f5es de menores dimens\u00f5es, tamb\u00e9m de madeira. O ocaso destes estaleiros foi motivada pela exist\u00eancia dos Estaleiros de S. Jacinto, que tinham autoriza\u00e7\u00e3o para construir navios de a\u00e7o, autoriza\u00e7\u00e3o que os \u201cM\u00f3nica\u201d nunca obtiveram. No final do s\u00e9culo XX, nos Estaleiros Ria Marine, a constru\u00e7\u00e3o naval de madeira teve um lampejo dos seus tempos \u00e1ureos, quando foi reconstru\u00edda a fragata \u201cD. Fernando II e Gl\u00f3ria\u201d, obra em que participaram alguns antigos mestres carpinteiros navais dos estaleiros \u201cM\u00f3nica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na cidade de Aveiro constru\u00edram-se navios bacalhoeiros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}