{"id":15800,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15800"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"vida-em-sociedade-a-desasgregar-se-vertiginosamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vida-em-sociedade-a-desasgregar-se-vertiginosamente\/","title":{"rendered":"Vida em sociedade a desasgregar-se vertiginosamente"},"content":{"rendered":"<p>Em Portugal foi-se criando o clima, perante problemas e dificuldades que envolvem esfor\u00e7o pessoal e respeito por princ\u00edpios s\u00e9rios, de resolver as coisas nivelando por baixo. Os que sobrevivem sabem, de sobra, quanto lhes custa remar em sentido contr\u00e1rio e denunciar que o desfiladeiro mortal est\u00e1 pr\u00f3ximo. <\/p>\n<p>Este modo de agir vai destruindo tudo pelo caminho e tem manifesta\u00e7\u00f5es graves de ordem social que n\u00e3o se podem ignorar ou deixar que fiquem ao n\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es que incomodam agora e se esquecem logo. <\/p>\n<p>Parece que neste pa\u00eds s\u00f3 os problemas econ\u00f3micos, aos quais ningu\u00e9m nega a import\u00e2ncia at\u00e9 pela sua repercuss\u00e3o social, s\u00e3o problemas capazes de movimentar grupos e associa\u00e7\u00f5es numa procura reivindicativa de direitos, que quase sempre silencia os correspondentes deveres.<\/p>\n<p>Vamos recordar alguns dados oficiais recentes dos \u00faltimos dias de que a comunica\u00e7\u00e3o social falou, a abrir caminho a uma reflex\u00e3o consequente.<\/p>\n<p>\u201cMais de meio milh\u00e3o de portugueses vivem sozinhos.\u201d O n\u00famero cresceu 175 mil nos \u00faltimos dez anos. Do total, 67,5 por cento s\u00e3o mulheres, 8 por cento t\u00eam menos de 30 anos, 14 por cento t\u00eam mais de oitenta anos, 54,4 por cento t\u00eam mais de 65 anos, 19,8 por cento com idades compreendidas entre os 50 e os 64 anos e 36,7 por cento na faixa et\u00e1ria dos 65 aos 78 anos. Uma realidade com muitas leituras.  <\/p>\n<p>Outra not\u00edcia, cujos dados se entrecruzam para a reflex\u00e3o: \u201c730 crian\u00e7as abandonadas s\u00f3 em 2003.\u201d Isto quer dizer apenas que, diariamente, para duas crian\u00e7as, a casa passa a ser a rua. A multid\u00e3o dos novos \u201cexpostos\u201d! <\/p>\n<p>Quem d\u00e1 as not\u00edcias vai aventado explica\u00e7\u00f5es e congeminando causas para esta realidade triste.  As pessoas e as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, a sua hist\u00f3ria \u00e9 apenas a sua e, por isso, est\u00e1 aberta a porta \u00e0 reflex\u00e3o que, para todos n\u00f3s, se deve considerar como um dever.<\/p>\n<p>F\u00e1cil \u00e9 verificar, por\u00e9m, que, por detr\u00e1s de tudo isto, est\u00e3o fam\u00edlias destru\u00eddas, inexistentes, deterioradas, \u00e0s quais falta o essencial para que haja fam\u00edlia: amor, estabilidade, responsabilidade. A solid\u00e3o destrutiva de muitos idosos e a destrui\u00e7\u00e3o dos horizontes normais para muitas crian\u00e7as denunciam onde chegou e para onde caminha, entre n\u00f3s, a institui\u00e7\u00e3o familiar. Uni\u00e3o de facto, a nova op\u00e7\u00e3o social; div\u00f3rcio \u00e0 menor dificuldade; aborto, um direito em que ningu\u00e9m deve interferir; crian\u00e7as, um novo brinquedo para adultos; natalidade, um peso indesej\u00e1vel; felicidade individual, o tema que n\u00e3o admite discuss\u00e3o. E, porque ningu\u00e9m quer contrariar ningu\u00e9m, para tudo vai havendo leis a nivelar por baixo, sem sentido de lei, pois n\u00e3o s\u00e3o um servi\u00e7o ao bem comum. Quem respeita princ\u00edpios e n\u00e3o dispensa refer\u00eancias v\u00e1lidas para crescer e agir socialmente n\u00e3o pode desistir de lutar. S\u00f3 perder o sono, lamentar-se ou irritar-se n\u00e3o chega.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Portugal foi-se criando o clima, perante problemas e dificuldades que envolvem esfor\u00e7o pessoal e respeito por princ\u00edpios s\u00e9rios, de resolver as coisas nivelando por baixo. Os que sobrevivem sabem, de sobra, quanto lhes custa remar em sentido contr\u00e1rio e denunciar que o desfiladeiro mortal est\u00e1 pr\u00f3ximo. 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