{"id":15802,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15802"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-11\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>Gost\u00e1mos de saber que o Presidente da Rep\u00fablica, Jorge Sampaio, elegeu como temas de fundo, para debate no presente ano, a exclus\u00e3o, a pobreza e as fragilidades sociais, especialmente nos meios urbanos,  bem como o Ambiente e o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Isto significa que durante 2004 vamos ter uma excelente oportunidade para reflectir sobre o porqu\u00ea de tanta mis\u00e9ria, numa sociedade democr\u00e1tica que se reclama de crist\u00e3.<\/p>\n<p>Temos a certeza de que ningu\u00e9m no nosso Pa\u00eds ignora que h\u00e1 gente no limiar da pobreza extrema, sem o m\u00ednimo para sobreviver com dignidade. Todos sabemos isso, governantes e governados, mas a verdade \u00e9 que nunca se optou, politicamente, por encontrar solu\u00e7\u00f5es que dessem respostas \u00e0s quest\u00f5es da exclus\u00e3o, da pobreza e das fragilidades sociais, com a prontid\u00e3o que seria de desejar.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos milhares de pessoas que, no fim de d\u00e9cadas de trabalho e de sacrif\u00edcios, t\u00eam de recorrer a familiares e \u00e0 caridade institucional ou particular, nomeadamente da Igreja Cat\u00f3lica, para conseguirem arrastar os \u00faltimos anos de vida. Ora isto n\u00e3o nos deve deixar indiferentes. Urge dar as m\u00e3os ao Presidente Jorge Sampaio para em conjunto descobrirmos respostas e propormos solu\u00e7\u00f5es eficazes.<\/p>\n<p>Todos sabemos  que a intermin\u00e1vel telenovela do chamado caso da pedofilia da Casa Pia levou muita gente a transgredir. Agentes judici\u00e1rios, advogados, pol\u00edticos e jornalistas, todos t\u00eam culpas no cart\u00f3rio. Agora n\u00e3o faltam vozes a reclamar o regresso da censura para a comunica\u00e7\u00e3o social, como se apenas esta fosse a respons\u00e1vel \u00fanica pelo crime de viola\u00e7\u00e3o do segredo de justi\u00e7a e da press\u00e3o e  obstru\u00e7\u00e3o sobre quem tem o dever de investigar e de julgar.<\/p>\n<p>\u00c0 partida, somos dos que acreditam e defendem que a liberdade de express\u00e3o foi uma conquista da democracia. Mas tamb\u00e9m acreditamos e defendemos que toda e qualquer liberdade tem como limites a liberdade e a dignidade dos cidad\u00e3os. Isto significa que quem ofende estes princ\u00edpios tem de responder por isso nos tribunais. A n\u00e3o ser assim, cai-se, inevitavelmente, na lei da selva.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, e isto tem de se lamentar, parece que estamos em Portugal num beco sem sa\u00edda, onde n\u00e3o h\u00e1 respeito por ningu\u00e9m, nem justi\u00e7a com capacidade para agir com prontid\u00e3o e efici\u00eancia. E depois \u00e9 o que se v\u00ea: agentes judici\u00e1rios que eventualmente violam o segredo de justi\u00e7a, \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social que brincam com coisas s\u00e9rias, gente que se indigna sem nada poder fazer, presos preventivos quase h\u00e1 um ano e sem saberem do que s\u00e3o acusados, crian\u00e7as que foram violadas e de quem poucos falam e pessoas que s\u00e3o achincalhadas na pra\u00e7a p\u00fablica, por mais dignas e respeit\u00e1veis que elas sejam.  <\/p>\n<p>De facto, isto n\u00e3o est\u00e1 nada bem. E a continuar-se nesta onda, estamos convencidos de que todos temos de come\u00e7ar a cultivar com mais cuidado o bom senso e o bom gosto. Para evitar que qualquer dia n\u00e3o surja por a\u00ed, outra vez, a famigerada censura, embora com outro nome.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gost\u00e1mos de saber que o Presidente da Rep\u00fablica, Jorge Sampaio, elegeu como temas de fundo, para debate no presente ano, a exclus\u00e3o, a pobreza e as fragilidades sociais, especialmente nos meios urbanos, bem como o Ambiente e o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. 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