{"id":15832,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15832"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-agora-as-boas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-agora-as-boas-noticias\/","title":{"rendered":"E agora as boas not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p>Dias positivos <!--more--> 1. \u201cIsto est\u00e1 cada vez pior. Aonde vamos parar? Anda tudo desorientado. Que mundo \u00e9 este em que vivemos?\u201d \u00c9 dif\u00edcil ter uma conversa sem que estas frases sejam ditas, como se viv\u00eassemos no pior dos mundos poss\u00edveis. Os jornais, as televis\u00f5es, as r\u00e1dios vivem das m\u00e1s not\u00edcias e d\u00e3o-nos a ilus\u00e3o que tudo vai mesmo mal, est\u00e1 tudo perdido, n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. As boas not\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcia \u2013 diz-se nos meios jornal\u00edsticos. Por cada \u00e1rvore que cai, muitas outras crescem. Mas as que crescem, crescem em sil\u00eancio. A que cai, faz um estrondo. Essa \u00e9 que \u00e9 not\u00edcia.<\/p>\n<p>2. Diz-se at\u00e9 que um pessimista \u00e9 um \u201coptimista bem informado\u201d, como se infor-ma\u00e7\u00e3o levasse necessariamente a uma vis\u00e3o negativa do mundo. Neste contexto, o optimista s\u00f3 pode desempenhar um papel de ing\u00e9nuo por acreditar que h\u00e1 aspectos positivos em tudo. O optimista v\u00ea uma luz ao fundo do t\u00fanel e acredita na sa\u00edda. O pessimista agoira: \u201c\u00c9 um comboio e vem contra n\u00f3s!\u201d<\/p>\n<p>Tenho c\u00e1 para mim que o pessimista \u00e9 que \u00e9 um opti-mista mal informado. Ou parcialmente informado. Se h\u00e1 tantos crimes e dor nas p\u00e1ginas dos jornais e na abertura das not\u00edcias da televis\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 porque haja mais criminalidade. \u00c9 porque s\u00e3o mais vis\u00edveis e menos toler\u00e1veis. Agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esconder t\u00e3o bem ou durante tanto tempo. O mundo n\u00e3o est\u00e1 pior. Estamos \u00e9 mais atentos.<\/p>\n<p>3. Numa magn\u00edfica cr\u00f3nica sobre as confiss\u00f5es de um jornalista, Martin Descalzo (padre e jornalista espanhol, j\u00e1 falecido) contava: \u201c\u00c9 not\u00edcia o assassino e n\u00e3o a m\u00e3e que ama, quando sabemos que h\u00e1 milh\u00f5es de m\u00e3es dedicadas por cada assassino que se conhece. <\/p>\n<p>Contamos a hist\u00f3ria do salteador, mas n\u00e3o a do s\u00e1bio; ou a do pai anormal que bate no filho, mas n\u00e3o a daquele que passa doze horas por dia \u00e0 procura de comida para os seus\u201d (Raz\u00f5es para a Esperan\u00e7a, Ed. Miss\u00f5es).<\/p>\n<p>4. Vamos iludir as m\u00e1s not\u00edcias? N\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso fazer como a senhora que, ouvindo pela primeira vez um padre falar sobre a morte de Jesus (o que n\u00e3o admira, quando uma sondagem na Holanda revela que a maior parte dos holandeses j\u00e1 n\u00e3o sabe o que se comemora no Natal, ent\u00e3o quanto \u00e0 P\u00e1scoa&#8230;), no final vai ter com ele e diz-lhe, impressionada:<\/p>\n<p>\u2014 Esta hist\u00f3ria t\u00e3o triste aconteceu h\u00e1 quase dois mil anos, n\u00e3o foi?<\/p>\n<p>\u2014 Sim.<\/p>\n<p>\u2014 Foi h\u00e1 tanto tempo. Tem a certeza que acabou como contou? N\u00e3o ter\u00e1 acontecido de outra maneira?<\/p>\n<p>Ser optimista n\u00e3o \u00e9 iludir as m\u00e1s not\u00edcias. Mas \u00e9 ter a certeza que h\u00e1 mais do que isso e n\u00e3o tomar a parte pelo todo. <\/p>\n<p>O Evangelho, a Boa Not\u00edcia, tem uma que \u00e9 terr\u00edvel, a da morte do protagonista. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima.<\/p>\n<p>5. Por desafio do director do Correio de Vouga, inicio esta colabora\u00e7\u00e3o quinzenal. Os jornais (mas n\u00e3o o Correio do Vouga) vivem muito das m\u00e1s not\u00edcias. <\/p>\n<p>Desejo com este espa\u00e7o dar conta de coisas que me v\u00e3o encantando: ideias, pessoas, livros, tend\u00eancias, acontecimentos. <\/p>\n<p>Espero contribuir para dias mais positivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-15832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}