{"id":15849,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15849"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"comunhao-no-sentido-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comunhao-no-sentido-da-fe\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o no sentido da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> Face \u00e0 incoer\u00eancia, da parte de muitos crist\u00e3os, entre o saber doutrina e o viver a f\u00e9, face ao crescente relativismo, que recusa a verdade objectiva, face \u00e0 consequente \u201cirrever\u00eancia\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao magist\u00e9rio da Igreja, \u00e9 indispens\u00e1vel aprofundar o significado do sentir (ou sentido) da f\u00e9 &#8211; sensus fidei &#8211; como uma participa\u00e7\u00e3o de toda a Igreja no aprofundamento e desenvolvimento do conte\u00fado da f\u00e9. Muitas vezes, confunde-se o sentir da f\u00e9 com sentimentos, conveni\u00eancias ou opini\u00f5es individuais &#8211; o que \u00e9 profundamente errado.<\/p>\n<p>Nada melhor do que fazer o percurso deste conceito teol\u00f3gico com Rino Fisichella, eminente te\u00f3logo e bispo auxiliar de Roma, para quem o conceito \u00e9 t\u00e3o antigo como a Igreja, pensado e definido ao longo da tradi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, at\u00e9 se tornar um ponto central na teologia do Vaticano II.* Citamos o texto, com breves anota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEm quase todos os documentos do conc\u00edlio \u00e9 f\u00e1cil encontrar o termo ou express\u00e3o semelhante. Todavia, h\u00e1 duas passagens relevantes, entre as mais significativas. A primeira, no n.\u00ba 12 da Lumen Gentium. Descrevendo o sentido da f\u00e9, o conc\u00edlio ensina que \u00e9 um dom sobrenatural do \u2018Esp\u00edrito de verdade\u2019 dado a toda a Igreja e, nela, a todo o crente, com o objectivo de \u2018receber\u2019 a Palavra de Deus e aderir de modo indefect\u00edvel \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, para penetrar sempre mais na verdade de f\u00e9 e viv\u00ea-la coerentemente.<\/p>\n<p>O segundo texto encontra-se no n.\u00ba 8 da Dei Verbum; aqui, o sensus fidei aparece, implicitamente referido, como um dos tr\u00eas elementos que, juntamente com a teologia e o magist\u00e9rio, constitui um crit\u00e9rio para o aprofundamento e o desenvolvimento do conte\u00fado da f\u00e9. Esta perspectiva do conc\u00edlio \u00e9 fruto de um longo caminho que se identifica com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>O sentido da f\u00e9 insere-se, antes de mais, no horizonte peculiar da compreens\u00e3o da f\u00e9 como chamada ao seguimento que torna o disc\u00edpulo sempre mais pr\u00f3ximo do mestre. \u00c9 neste sentido que j\u00e1 no Novo Testamento encontramos refer\u00eancias como sensus Domini (1Cor.2,16), \u2018olhos iluminados do cora\u00e7\u00e3o\u2019 (Ef.1,18; cf. Jo.14,17), ou \u2018intelig\u00eancia espiritual\u2019 (Col.1,9).\u201d<\/p>\n<p>Fruto da gra\u00e7a e da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, o sentido da f\u00e9 transporta-nos a uma forma de conhecimento para al\u00e9m da raz\u00e3o. Situa-se na ordem da vontade de amar, do acreditar e confiar-se a outro&#8230; S\u00f3 desse modo se acolhe e estima o m\u00fatuo fluxo entre a teologia que reflecte e prop\u00f5e, o magist\u00e9rio que discerne e ensina, o sensus fidei que vive e credencia.<\/p>\n<p>(cont. no pr\u00f3ximo n\u00famero)<\/p>\n<p>Querubim Silva<\/p>\n<p>* Cf. Rino Fisichella, Noi crediamo, ED, Roma 1993, pp. 90-91.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-15849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15849\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}