{"id":15913,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15913"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"proclamacao-da-palavra-e-acontecimento-sacramental-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/proclamacao-da-palavra-e-acontecimento-sacramental-2\/","title":{"rendered":"Proclama\u00e7\u00e3o da Palavra e Acontecimento Sacramental  (2)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> A. A osmose do Sacramento e da Palavra<\/p>\n<p>A nosso reflex\u00e3o incidir\u00e1 particularmente, como j\u00e1 se afirmou, sobre a Eucaristia, acto sacramental do Memorial da P\u00e1scoa. Iremos partir de uma reflex\u00e3o sobre a natureza desta \u00faltima, evitando entrar na quest\u00e3o, dif\u00edcil tamb\u00e9m, das origens das duas partes da missa, quest\u00e3o que n\u00e3o podemos abordar nestas reflex\u00f5es. Porque se \u00e9 verdade que a Palavra de Deus se realiza no sacramento, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o sacramento adquire o seu pleno sentido na Palavra.<\/p>\n<p>1. O acontecimento eucar\u00edstico<\/p>\n<p>Que \u00e9, na realidade, o sacramento na sua \u00faltima profundidade? Para o descobrir com clareza \u00e9 necess\u00e1rio, de acordo com a teologia mais cl\u00e1ssica, distinguir bem os dois n\u00edveis essenciais do que se designa globalmente com o termo \u201csacramento\u201d. O primeiro destes niveis \u00e9 o dos sinais e o dos ritos, a realidade exterior sobre a qual a Igreja tem um dom\u00ednio completo e que ela deve tornar acess\u00edvel aos homens, em nome de Jesus Cristo. Na linha de S.to Agostinho, a tradi\u00e7\u00e3o medieval fala assim de sacramentum tantum, entendendo com isso n\u00e3o somente o rito na sua execu\u00e7\u00e3o e na sua apresenta\u00e7\u00e3o material, mas tamb\u00e9m um vasto conjunto de s\u00edmbolos nos quais cristaliza. O outro n\u00edvel \u00e9 a res, o dos valores interiores gravados pelo Esp\u00edrito no cora\u00e7\u00e3o e na vida dos crentes. Ora bem, o sacramentum tantum, ou seja, o rito eclesial, n\u00e3o \u00e9 mais que um meio de rela\u00e7\u00e3o com a res. Esta depende essencialmente de Deus, mais precisamente do poder do Esp\u00edrito do Senhor Jesus. \u00c9 isto que quer afirmar a tradi\u00e7\u00e3o tomista quando atribui ao sacramento uma causalidade de tipo instrumental. Porque quem diz instrumento estabelece necessariamente rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causalidade superior que, em definitivo, \u00e9 a respons\u00e1vel principal do efeito. Embora o sacramentum exer\u00e7a uma actividade pr\u00f3pria, imprimindo a sua marca sobre a obra comum \u2013 visto que \u201crealiza o mesmo que significa\u201d\u2013, situa-se, integralmente, na depend\u00eancia do Esp\u00edrito que o utiliza para que se realize nos homens um acontecimento de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora bem, em clima crist\u00e3o n\u00e3o existe acontecimento de Salva\u00e7\u00e3o sem refer\u00eancia objectiva ao Acontecimento da P\u00e1scoa de Jesus Cristo. No acontecimento eucar\u00edstico o Senhor Jesus, pelo poder do Esp\u00edrito, torna, pois, presente para os seus o Acto transcendental do seu minist\u00e9rio pascal, a fim de que aqui e agora a assembleia dos irm\u00e3os, e nela cada um dos crentes, comungue na sua realidade de Homem novo. Assim se realiza o Mist\u00e9rio, a comunh\u00e3o dos homens com o Pai e, entre eles, em Jesus Cristo (cf. Ef 1, 3-23). A Eucaristia \u00e9 o centro do organismo sacramental precisamente porque nela, sob um regime de sinais, o Senhor oferece aos seus, de uma maneira eminente, uma participa\u00e7\u00e3o no seu Esp\u00edrito e na sua Carne, da sua passagem \u00e0 Vida nova.<\/p>\n<p>Mas, j\u00e1 que o Mist\u00e9rio liga em unidade os valores da Cria\u00e7\u00e3o e os da Salva\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 que esta unidade tenta realizar a verdade do homem, o Mist\u00e9rio exige tamb\u00e9m que nesta comunh\u00e3o no destino do Senhor intervenha a liberdade humana. A verdade do homem n\u00e3o existe, de facto, sen\u00e3o na liberdade. Assim, tamb\u00e9m o sujeito da Eucaristia \u00e9 o homem interpelado por Deus, aqui e agora, e respondendo a este convite com lucidez, na f\u00e9, na ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e na consci\u00eancia de que esta resposta implica tamb\u00e9m exig\u00eancias. Estas n\u00e3o se referem simplesmente ao instante imediato da participa\u00e7\u00e3o nos ritos. Referem-se sempre, e principalmente, ao mais al\u00e9m do sacramento, ao mais al\u00e9m que n\u00e3o se confunde com o da vida terrestre, que vela na expecta\u00e7\u00e3o, mas que concerne j\u00e1 e sempre ao simples amanh\u00e3, ao simples instante pr\u00f3ximo. O acontecimento da gra\u00e7a, vivido no sacramento, compromete a liberdade do homem para o p\u00f3s-celebra\u00e7\u00e3o na vida-na-gra\u00e7a. Isto pertence \u00e0 sua qualidade de acontecimento de Salva\u00e7\u00e3o. Porque Deus recria, desta forma, o homem levando-o a sair da sua condi\u00e7\u00e3o de indecis\u00e3o e de apatia, que \u00e9 a sua morte, para entrar livremente e com coragem na novidade da vida que Ele lhe prop\u00f5e e que exigir\u00e1 o p\u00f4r em ac\u00e7\u00e3o de todo o ser do homem.<\/p>\n<p>O acontecimento eucar\u00edstico pode, pois, descrever-se como uma comunh\u00e3o do crente na densidade do Acontecimento pascal, sendo este compreendido nas suas duas dimens\u00f5es insepar\u00e1veis, das quais sempre se deve salvar a hierarquia. Fundamentalmente, trata-se da entrada na obra gratuita e transcendental que o poder do amor do Pai realiza na humanidade de Jesus pela ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m a entrada na passagem do Servidor dizendo ao Pai um \u201csim\u201d que compromete com intensidade todas as possibilidades do seu ser de homem. Sem este segundo registo, que a teologia cat\u00f3lica deixou muito na sombra, n\u00e3o h\u00e1, portanto, pelo menos nos casos normais, aut\u00eantico acontecimento de gra\u00e7a, nem que se trate de sacramento.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-15913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}