{"id":15950,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15950"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"onde-esta-o-nosso-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/onde-esta-o-nosso-problema\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e1 o nosso problema?"},"content":{"rendered":"<p>As aprecia\u00e7\u00f5es e as profecias n\u00e3o s\u00e3o coincidentes. Desde o sermos os melhores do mundo at\u00e9 ao anular das fronteiras, como \u00fanico modo de podermos sobreviver, ouve-se de tudo, ora tocando as raias do optimismo, ora as do pessimismo, ambos pouco cr\u00edticos e nada matizados.<\/p>\n<p>Os ju\u00edzos pol\u00edticos e os meramente econ\u00f3micos n\u00e3o podem ser redutores acerca da realidade actual do pa\u00eds e das perspectivas de futuro. Tamb\u00e9m n\u00e3o o podem ser as opini\u00f5es dos que s\u00f3 v\u00eaem os seus interesses, normalmente sob um \u00e2ngulo corporativo, e perdem assim a capacidade de reflectir a realidade no seu conjunto, com o que ela implica, em cada tempo, de direitos e deveres, pessoais e colectivos.<\/p>\n<p>Nem somos os melhores, nem somos os piores. Somos o que somos, com capacidades nem sempre aproveitadas ou reconhecidas, com muita gente consciente e disposta a lutar, ao lado de outros a travar a caminhada, por determina\u00e7\u00e3o interessada ou por inconceb\u00edvel in\u00e9rcia. A meu ver, somos um povo dif\u00edcil de viver e de governar em democracia. Predomina a subcultura do individualismo e de gente que arrisca pouco, o h\u00e1bito do imediatismo, o clima do favorecimento pessoal, da marginaliza\u00e7\u00e3o dos que incomodam, do seguimento acr\u00edtico dos l\u00edderes que muitas vezes n\u00e3o o s\u00e3o, da superficialidade e da pregui\u00e7a mental, sem que isto seja um fatalismo.<\/p>\n<p>Esta avalancha esmaga, por\u00e9m, o esfor\u00e7o de muita gente honesta e trabalhadora, p\u00f5e em causa condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis de servi\u00e7o ao bem comum e \u00e0 justi\u00e7a social, destr\u00f3i valores onde assentam institui\u00e7\u00f5es fundamentais, alimenta um clima de n\u00e3o verdade e instabilidade. Fam\u00edlia e escola s\u00e3o espa\u00e7os em crise e cada dia a ser agredidos; exig\u00eancias \u00e9ticas e morais na profiss\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o pessoal, na ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica, tornam-se indesej\u00e1veis; princ\u00edpios fundamentais a respeitar, necess\u00e1rios para uma viv\u00eancia sadia e humanizante, ou rolam pelo mais f\u00e1cil ou se atiram para o foro \u00edntimo de cada um, que \u00e9 a melhor maneira de n\u00e3o se reflectir sobre eles e o que comportam, como refer\u00eancia comum para uma viv\u00eancia pac\u00edfica. A viv\u00eancia plural n\u00e3o pode destruir valores reais.<\/p>\n<p>O nosso problema parece ser o da aceita\u00e7\u00e3o realista de n\u00f3s pr\u00f3pios, da verdade objectiva, do \u00e2mbito da liberdade, da consci\u00eancia comunit\u00e1ria, da responsabilidade colectiva, da hierarquiza\u00e7\u00e3o das necessidades e dos valores, do saber viver, com respeito, no pluralismo e na mudan\u00e7a. \u00c9, no fundo, um problema cultural, um problema de educa\u00e7\u00e3o, um problema de identidade assumida. Um problema que n\u00e3o se resolve por passes de magia.<\/p>\n<p>Na encruzilhada encontram-se as gera\u00e7\u00f5es mais fragilizadas e indefesas, presumindo de for\u00e7as que ainda n\u00e3o t\u00eam e de direitos dos quais n\u00e3o atingiram ainda nem o \u00e2mago, nem o \u00e2mbito. Mas n\u00e3o se pode fechar a porta da vida para balan\u00e7o. H\u00e1 que reflectir e agir. Sentir o problema \u00e9 estar j\u00e1 no caminho da solu\u00e7\u00e3o. Em n\u00f3s tamb\u00e9m h\u00e1 generosidade e coragem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As aprecia\u00e7\u00f5es e as profecias n\u00e3o s\u00e3o coincidentes. Desde o sermos os melhores do mundo at\u00e9 ao anular das fronteiras, como \u00fanico modo de podermos sobreviver, ouve-se de tudo, ora tocando as raias do optimismo, ora as do pessimismo, ambos pouco cr\u00edticos e nada matizados. 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