{"id":15953,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15953"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"imigrantes-evocando-um-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/imigrantes-evocando-um-passado\/","title":{"rendered":"IMIGRANTES: Evocando um passado"},"content":{"rendered":"<p>Partilhando <!--more--> Em 25 de Junho do ano transacto D.Ant\u00f3nio Marcelino escrevia neste jornal: \u201cMeio envergonhado e a tentar ocultar-se, em pleno dia, na parede da rua a que se encostara j\u00e1 sem for\u00e7as, pediu-me algum dinheiro para regressar e para comer. Viera mais uma vez do norte do distrito, para oficializar os pap\u00e9is. Sem estes, ningu\u00e9m lhe dava trabalho. Uns trinta anos, se tanto. Rosto triste e marcado pela saudade (ou pela fome e pela desilus\u00e3o?&#8230;), olhou a suplicar que, ao menos eu, acreditasse nele e o ajudasse. <\/p>\n<p>Recuei no tempo umas d\u00e9cadas para recordar. Fechei os olhos e divaguei por terras de Fran\u00e7a, Alemanha, Luxemburgo, Su\u00ed\u00e7a, Estados Unidos da Am\u00e9rica e Canad\u00e1. Vi, naquele rosto macerado, o rosto de muitos portugueses desse tempo. Uns a contar-me como haviam vencido, outros a lembrar a dureza dos primeiros tempos e ainda outros a dizerem, quase em ar de confid\u00eancia, que estavam ansiosos por regressar, de tal modo a vida lhes fora madrasta.\u201d<\/p>\n<p>Analisando o reverso da medalha, D. Ant\u00f3nio escreveu: \u201cQuarenta anos passados, os imigrantes invadiram a nossa terra, vindos da \u00c1frica, do Brasil e do Leste europeu\u201d. Apelou para que Portugal tivesse \u201cuma grande compreens\u00e3o pelos imigrantes, porque \u00e9 terra de gente que viveu a mesma aventura e, s\u00f3 depois, deu novidade aos meios rurais, dinheiro ao Estado, forma\u00e7\u00e3o aos filhos, iniciativas novas ao mundo do trabalho\u201d. Salientou, ent\u00e3o, doer-lhe \u201ca alma quando os vejo a mendigar, n\u00e3o como viciados da pedincha, que tamb\u00e9m os h\u00e1 por a\u00ed, tanto portugueses como estrangeiros, mas sentindo a necessidade de trabalho, porque sem ele n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, nem para eles nem para a fam\u00edlia, esteja ela no seu pa\u00eds ou a viver a mesma aventura aqui nas nossas terras\u201d.<\/p>\n<p>Magiquei muito este fim-de-semana neste drama dos imigrantes. Tamb\u00e9m eu vi, na d\u00e9cada de 70, os nossos emigrantes em terras de Fran\u00e7a, nos bidonvilles, de Paris. Fiz v\u00e1rias repor-tagens sobre o viver daqueles nossos conterr\u00e2neos. Viviam ali em aut\u00eantica escravatura de trabalho. Esses dramas impressionaram-me pelo que j\u00e1 aqui descrevi neste jornal. O fado portugu\u00eas que ali ouvi compensou-me! Que momentos!&#8230; Escutei e escrevi as lamenta\u00e7\u00f5es de quem teve de atravessar a fronteira.<\/p>\n<p>Por isso, quando lia os jornais de fim-de-semana dei-me comigo a interpelar-me! <\/p>\n<p>Por obriga\u00e7\u00e3o (etnias, minorias) n\u00e3o posso deixar de juntar a minha voz a todos aqueles que, de uma maneira ou outra, reclamam que \u00e9 necess\u00e1rio aperfei\u00e7oar a lei, regulament\u00e1-la quanto antes. Para al\u00e9m do que tem vindo a proclamar o nosso Bispo, aparece (vid. p\u00e1g. 7) de novo, agora a voz de D. Janu\u00e1rio, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para este sector, a insurgir-se nos grandes \u00d3rg\u00e3os da Comunica\u00e7\u00e3o Social contra uma lei que ainda considera desumanizante.<\/p>\n<p>Rui Os\u00f3rio (e outros)  jor-nalista e cr\u00edtico do JN, pessoa sempre atenta a estes e outros fen\u00f3menos, n\u00e3o s\u00f3 de hoje, mas ainda antes do 25 de Abril, tamb\u00e9m ele comentou: \u201cRigor na regulamenta\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios n\u00e3o significa necessariamente ced\u00eancia a uma vis\u00e3o meramente economicista do papel dos imigrantes, nem sequer dificultar-lhes tanto a vida que ser\u00e1 o mesmo que atra\u00ed-los para velhas e novas m\u00e1fias que os exploram\u201d.<\/p>\n<p>Conheci, como referi, em tempos j\u00e1 remotos, os nossos emigrantes nos arrabaldes de Paris, da Venezuela, \u00c1frica do Sul. Recentemente, por terras da Hungria e nas fronteira da Ucr\u00e2nia, conheci, tamb\u00e9m, as car\u00eancias daqueles povos na procura de novos mundos de sobreviv\u00eancia. Por isso tamb\u00e9m eu clamo que se fa\u00e7a justi\u00e7a a quem quer trabalhar connosco, honesta e legalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilhando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15953\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}