{"id":15954,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15954"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"proclamacao-da-palavra-e-acontecimentos-sacramentais-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/proclamacao-da-palavra-e-acontecimentos-sacramentais-3\/","title":{"rendered":"Proclama\u00e7\u00e3o da Palavra e Acontecimentos Sacramentais (3)"},"content":{"rendered":"<p>PROCLAMA\u00c7\u00c3O DA PALAVRA E ACONTECIMENTO SACRAMENTAL (3)<\/p>\n<p>2.A P\u00e1scoa realiza a Palavra<\/p>\n<p>Na sua rela\u00e7\u00e3o com o conjunto da economia da Salva\u00e7\u00e3o, o acontecimento pascal pode descrever-se como o ponto preciso no qual se recolhe, no seu acto definitivo, toda a Palavra, enquanto ela \u00e9, ao mesmo tempo, express\u00e3o do des\u00edgnio divino nas suas interven\u00e7\u00f5es salv\u00edficas e express\u00e3o da vontade de Deus no que concerne \u00e0 atitude do homem-sob-a-gra\u00e7a. Isto \u00e9 suficientemente bem conhecido. Sublinhe-se, contudo, que, se o Acontecimento \u00e9 \u201cuma vez para sempre\u201d, de agora em diante irrepet\u00edvel, deve-se, entre outras coisas, ao facto de que nele tem o seu \u00c1men as diversas revela\u00e7\u00f5es do plano divino e os m\u00faltiplos chamamentos dirigidos aos homens ao longo da hist\u00f3ria aberta pela Cria\u00e7\u00e3o e em marcha para um termo desconhecido (cf. II Cor 1, 19-20). Ele recapitula, na unidade, o conjunto das etapas passadas e futuras, da economia da gra\u00e7a. Jesus aparece \u00e0 f\u00e9 da comunidade apost\u00f3lica como Aquele no qual Deus se anuncia de uma forma plena e definitiva, precisamente porque no acto da P\u00e1scoa se realiza, no sentido forte que a Escritura d\u00e1 a este termo, n\u00e3o somente o conte\u00fado essencial do des\u00edgnio do Pai, como tamb\u00e9m o seu caminhar no destino hist\u00f3rico do homem. Ent\u00e3o, de facto, o Deus da Alian\u00e7a exprime-se em plenitude, ao mesmo tempo, como Aquele que salva e como Aquele que n\u00e3o salva o homem sen\u00e3o pelo pr\u00f3prio homem. O Acto de Deus em Jesus Cristo coincide, pois, com a Palavra suprema de Deus \u00e0 humanidade. Isto concorda, por outro lado, com a natureza da Palavra (Dabar) tal como a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica a concebe: passagem ao acto de um certo impulso que sobe do mais profundo do cora\u00e7\u00e3o do que desta forma revela o segredo, realidade eficaz que causa no que a recebe uma situa\u00e7\u00e3o respondente ao des\u00edgnio daquele que a profere. O Acontecimento pascal realiza \u201cuma vez para sempre\u201d a Palavra. As express\u00f5es da Escritura, Antiga e Nova, traduzem e explicam a sua densidade de uma forma intelig\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias, dos ritmos da hist\u00f3ria, a fim de que seja verdadeiramente proposta a liberdade do homem e a sua decis\u00e3o. Em sentido inverso, por outro lado, a P\u00e1scoa do Senhor \u00e9 a chave que permite \u00e0s Escrituras encontrar o seu aut\u00eantico sentido: projecta sobre elas a realidade profunda que procuram anunciar nas categorias e nos esquemas humanos. V\u00ea-se como o Acontecimento pascal se situa, pois, no centro das Escrituras, esclarecendo-as, mas sendo, ao mesmo tempo, esclarecido e descoberto por elas, uma vez que foram decifradas e \u201cabertas\u201d \u00e0 sua luz. Assim \u00e9 radicalmente imposs\u00edvel separ\u00e1-lo do conjunto da economia da Palavra. Por todo o lado o chama. N\u00e3o existe mais que uma osmose com ela. Se ele \u00e9 a sua \u00fanica raz\u00e3o de ser \u00e9 porque ela o une ao esp\u00edrito e \u00e0 liberdade do homem.<\/p>\n<p>3. A Palavra do sacramento<\/p>\n<p>O acontecimento eucar\u00edstico \u2013 comunh\u00e3o do crente no Acontecimento para receber a Salva\u00e7\u00e3o de Deus na f\u00e9, na ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e na decis\u00e3o de vida \u2013 exigir\u00e1 tamb\u00e9m, v\u00ea-se agora porqu\u00ea, a rela\u00e7\u00e3o com as Escrituras. O Memorial (zikkaron, em hebraico) da P\u00e1scoa n\u00e3o pode ser celebrado e vivido na sua verdade e na sua densidade de acontecimento da Alian\u00e7a a n\u00e3o ser que se explicite numa palavra proferida aqui e agora ao homem e que o torne intelig\u00edvel, portador de um oferecimento gracioso e de uma exig\u00eancia que o crente pode captar.<\/p>\n<p>Certamente esta revela\u00e7\u00e3o da inten\u00e7\u00e3o divina de Salva\u00e7\u00e3o e da sua modalidade concreta realiza-se j\u00e1 de uma forma fundamental nos pr\u00f3prios ritos sacramentais. Se estes s\u00e3o \u201csacramentos da f\u00e9\u201d \u00e9 porque suscitam a f\u00e9 do crente ao expressar sob sinais e s\u00edmbolos o que Deus se prop\u00f5e realizar em proveito do pr\u00f3prio pela sua media\u00e7\u00e3o. Isto vale a respeito das palavras (a forma dos escol\u00e1sticos) mas tamb\u00e9m dos elementos materiais (mat\u00e9ria), na condi\u00e7\u00e3o de serem compreendidos, como se deve, em fun\u00e7\u00e3o da simbologia que lhes d\u00e1 o conjunto da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o. A \u00e1gua do baptismo, por exemplo, evoca a Cria\u00e7\u00e3o inicial, o grande acontecimento do \u00caxodo, a profecia de Ezequiel, o baptismo de Jesus, o sinal de Can\u00e1, a conversa com Nicodemos e com a samaritana, o cego de nascen\u00e7a, a palavra de Cristo no momento da festa dos tabern\u00e1culos, o cora\u00e7\u00e3o trespassado. Por este simbolismo, ligado \u00e0 significa\u00e7\u00e3o que o homem d\u00e1 espontaneamente \u00e0 \u00e1gua e que as palavras sacramentais p\u00f5em no seu contexto imediato, Deus diz ao fiel: \u00abEu te proponho entrar aqui e agora na Nova Cria\u00e7\u00e3o, na do verdadeiro povo de Deus que a hist\u00f3ria de Israel preparava e que o Senhor inaugurou na sua P\u00e1scoa, a fim de que gozes da plenitude da vida\u00bb. E o mesmo vale do sinal do Banquete de festa, sobretudo se se liga com o memorial do Banquete pascal e com a grande esperan\u00e7a do Banquete do Reino. (Na realidade o sinal das bodas, o da un\u00e7\u00e3o, etc., t\u00eam tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria enraizada no destino da Alian\u00e7a de Deus com o seu Povo). Esta revela\u00e7\u00e3o do projecto divino pelos ritos representa, sem d\u00favida alguma, o \u00fanico an\u00fancio verdadeiramente essencial ao sacramento, aquele sem o qual n\u00e3o haveria sacramento. Compreende-se que em certos casos isto pode ser suficiente, como provavelmente o foi nas primitivas eucaristias ou na pr\u00e1tica corrente do baptismo que noutros tempos estava ligado \u00e0 liturgia da Quaresma, mas que se poderia celebrar agora, pelo menos quando se trata de crian\u00e7as, \u00e0 margem de toda a verdadeira liturgia da Palavra. O rito n\u00e3o depende ent\u00e3o por si mesmo mais que daquilo que Deus realiza nele.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROCLAMA\u00c7\u00c3O DA PALAVRA E ACONTECIMENTO SACRAMENTAL (3) 2.A P\u00e1scoa realiza a Palavra Na sua rela\u00e7\u00e3o com o conjunto da economia da Salva\u00e7\u00e3o, o acontecimento pascal pode descrever-se como o ponto preciso no qual se recolhe, no seu acto definitivo, toda a Palavra, enquanto ela \u00e9, ao mesmo tempo, express\u00e3o do des\u00edgnio divino nas suas interven\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-15954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15954\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}