{"id":15971,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15971"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ze-penicheiro-retrata-a-terra-que-adoptou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ze-penicheiro-retrata-a-terra-que-adoptou\/","title":{"rendered":"Z\u00e9 Penicheiro retrata a terra que adoptou"},"content":{"rendered":"<p>Um artista enamorado pelo mar e pela ria <!--more--> Z\u00e9 Penicheiro \u00e9 um artista que pinta Aveiro e a sua ria, e que escolheu esta regi\u00e3o como terra adoptiva. A viv\u00eancia de Z\u00e9 Penicheiro na regi\u00e3o aveirense \u00e9 marcada por tr\u00eas etapas: a primeira, entre 1952 e 1962, quando residiu em Ovar; a segunda, na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado, quando viveu em Aveiro. A terceira, iniciada h\u00e1 pouco mais de seis anos, quando fixou resid\u00eancia na Costa Nova e, desde h\u00e1 tr\u00eas anos, novamente na cidade de Aveiro.<\/p>\n<p>A \u00e1gua \u2013 mar e ria \u2013 \u00e9 uma constante na pintura que Z\u00e9 Penicheiro cria em Aveiro. A \u00e1gua \u201c\u00e9 transpar\u00eancia. Isso significa que a transpar\u00eancia se traduz na minha pintura. Toda a minha pintura tem \u00e1gua, do mar ou da ria, da qual eu me enamorei e continuo a me enamorar. A minha obra est\u00e1 aqui transbordante de sensa\u00e7\u00f5es, porque esta \u00e1rea de \u00e1gua d\u00e1-me um apetite para a pintura, um sabor para o esp\u00edrito e, portanto, captou em mim um sentimento e um desejo de vir novamente para uma cidade de que gosto\u201d.<\/p>\n<p>O artista reconhece que h\u00e1 quem o aponte como um pintor da ria, devido \u00e0s obras que deixou em colec\u00e7\u00f5es particulares, que devem ultrapassar meio milhar, e que  falam da ria, e tamb\u00e9m porque \u201cem qualquer exposi\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a, seja em Portugal ou no estrangeiro, o quadro da ria, com o seu ex-libris que \u00e9 o barco moliceiro, est\u00e1 sempre presente\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Ao transpor a ria para a tela, Z\u00e9 Penicheiro f\u00e1-lo de uma maneira muito pr\u00f3pria. Como ele diz, \u201cn\u00e3o \u00e9 o realismo comum, mas \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o muito pessoal. Ali\u00e1s, toda a minha pintura se integra numa interpreta\u00e7\u00e3o e num estilo muito pessoal. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios pormenores que se podem evitar, mas o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 sempre a cor, a cor-composi\u00e7\u00e3o, a cor-linha, que tanto define o azul do c\u00e9u (que nem sempre \u00e9 azul), como o barco moliceiro, nas suas linhas mais estilizadas, a quem eu trato por tu devido aos muitos trabalhos que j\u00e1 fiz. Portanto, \u00e9 uma pintura muito especial, muito minha e muito pessoal\u201d.<\/p>\n<p>Da caricatura a pintor de renome <\/p>\n<p>O percurso art\u00edstico de Z\u00e9 Penicheiro \u00e9 \u201cmuito extenso e muito completo\u201d. Come\u00e7ou como caricaturista, colabo-rando na p\u00e1gina \u00abhumor nacional\u00bb, do jornal O Primeiro de Janeiro, nos anos quarenta do s\u00e9culo XX. \u201cOs primeiros bonecos foram publicados nesse jornal e foi com eles que recebi os primeiros cinquenta escudos. Depois, a colabora\u00e7\u00e3o estendeu-se a outros jornais, como o Sempre Fixe e Os Rid\u00edculos. Agora, que se fala muito em futebol, h\u00e1 muita gente que ignora que eu fui talvez o primeiro caricaturista do jornal A Bola. Depois foi o cartoon, at\u00e9 \u00e0 fase da publicidade criativa, \u00e0 qual estive ligado durante vinte e seis anos, e \u00e0 pintura, o que aconteceu h\u00e1 cerca de cinquenta anos\u201d, sublinhou. Ainda hoje, a par da pintura, o artista continua a dedicar alguma aten\u00e7\u00e3o ao desenho, \u00e0 caricatura e ao cartoon.<\/p>\n<p>Durante anos, o artista conciliou a pintura com a publicidade criativa, \u201cdesde a cria\u00e7\u00e3o de logotipos at\u00e9 a concep\u00e7\u00e3o de stands para feiras nacionais e internacionais. Aveiro foi o \u00faltimo reduto dessa fase em que fiz publicidade criativa\u201d.<\/p>\n<p>Foi em Aveiro que, h\u00e1 pouco mais de trinta anos, o artista instalou no seu \u00faltimo ateli\u00ea publicit\u00e1rio \u2014 Est\u00fadio Nave \u2014 uma galeria de arte, a que deu o nome de Conv\u00e9s, a qual \u201catingiu uma certa reputa\u00e7\u00e3o, num tempo em que entrar numa galeria era quase tabu\u201d, disse. Foi tamb\u00e9m em Aveiro que fez uma exposi\u00e7\u00e3o de rua, junto aos Arcos, em que participaram cerca de tr\u00eas dezenas de artistas e que foi um \u00eaxito. <\/p>\n<p>\u201cNesses anos em que estive em Aveiro, ainda ligado \u00e0 publicidade, a pintura continuou sempre dentro de mim e a paix\u00e3o por esta paisagem da ria foi-me captando ainda mais para a arte\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nessa altura, fazer arte \u201cera uma aventura\u201d, facto que contribuiu para que Z\u00e9 Penicheiro fosse um dos fundadores e impulsionadores do Grupo Aveiro \u2013 Arte. <\/p>\n<p>Sobre os apoios aos artistas aveirenses, diz desconhecer se existem, mas pensa que n\u00e3o h\u00e1. \u201cA c\u00e2mara at\u00e9 dever\u00e1 encerrar a galeria municipal, que era um ex-libris da cidade\u201d, disse Z\u00e9 Penicheiro. Em contrapartida, \u201co p\u00fablico adere e compra porque tem mais sensibilidade e j\u00e1 dis-tingue o trigo do joio\u201d, garantiu ao Correio do Vouga.<\/p>\n<p>\u201cQuando pensam comprar arte j\u00e1 conhecem a obra e a assinatura do pintor, embora reconhe\u00e7a que h\u00e1 fases de crise em que as obras s\u00e3o menos vend\u00e1veis. Na fase actual, tenho tido sempre p\u00fablico para a minha obra e vou conseguindo viver dela, o que \u00e9 muito importante\u201d, sublinhou o nosso entrevistado.<\/p>\n<p>Notas biogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>Z\u00e9 Penicheiro nasceu em Candosa (concelho de T\u00e1bua), mas foi na Figueira da Foz que passou a inf\u00e2ncia e juventude. <\/p>\n<p>Em 1948, criou um tipo original de bonecos em madeira, que denominou \u00abcaricaturas em volume\u00bb, tendo realizado, no ano seguinte, no Casino Peninsular, a primeira exposi\u00e7\u00e3o com essas cria\u00e7\u00f5es, a qual teve enorme sucesso, motivo pelo que exp\u00f4s, nos anos seguintes, em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal.<\/p>\n<p>No ano de 1952 vem para Ovar, para trabalhar para o sector publicit\u00e1rio, \u00e9poca em que come\u00e7ou a colaborar com o carnaval vareiro, do qual foi um dos impulsionadores. Nesse ano iniciou a colabora\u00e7\u00e3o com o jornal aveirense \u00abLitoral\u00bb.<\/p>\n<p>A pintura ganha mais peso na vida de Z\u00e9 Penicheiro a partir de 1955. Desde ent\u00e3o, exp\u00f4s individualmente em in\u00fameras terras portuguesas e no estrangeiro (Alemanha, Brasil, Canad\u00e1, Espanha, Fran\u00e7a e Luxemburgo).<\/p>\n<p>A obra deste artista est\u00e1 representada em museus da Figueira da Foz, Lisboa, Porto, Santar\u00e9m, Tomar, entre outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artista enamorado pelo mar e pela ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15971","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15971\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}