{"id":15985,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15985"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-14\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>A cordialidade era de tal modo not\u00f3ria na Assembleia da Rep\u00fablica, entre as bancadas do PSD e do PS, com o Governo a assistir, que cheg\u00e1mos a convencer-nos de que era desta vez que os pol\u00edticos se entendiam para rubricar um pacto de regime em nome do saneamento das contas p\u00fablicas. Pura ilus\u00e3o. Pouco tempo depois, o PS mostrou quanto anda baralhado, com guerras abertas no seu pr\u00f3prio seio, que em nada contribuem para o bem do Pa\u00eds e dos portugueses.<\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica, Jorge Sampaio, h\u00e1 muito que vem apelando ao entendimento entre os dois maiores partidos, em quest\u00f5es essenciais, raz\u00e3o fundamental para Portugal sair da posi\u00e7\u00e3o de impasse que todos sentem, sobretudo os que trabalham por conta de outrem, aposentados e, ainda, os de mais baixos recursos. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o foi desta que tal aconteceu.<\/p>\n<p>Com o PS a dizer n\u00e3o ao acordo, o que os portugueses de bom senso n\u00e3o compreender\u00e3o, mais uma vez ficaremos a sofrer as consequ\u00eancias de um clima de guerra aberta entre o Governo e o PSD, por um lado, e o PS e restante oposi\u00e7\u00e3o, por outro.<\/p>\n<p>Claro que a maioria parlamentar ratificou o Programa de Estabilidade e Crescimento, que o Governo enviou para Bruxelas e que contempla algumas propostas do PS, mas \u00e9 triste verificar como, em assuntos t\u00e3o sens\u00edveis,  os nossos pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o capazes de cooperar.<\/p>\n<p>Afinal, os apelos do Presidente da Rep\u00fablica, normalmente oportunos, continuam a cair em saco roto. \u00c9 pena, em nossa opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Por esta e por outras raz\u00f5es, t\u00eam vindo ao de cima manifesta\u00e7\u00f5es de alguma nostalgia em rela\u00e7\u00e3o ao passado, mesmo de gente com obriga\u00e7\u00f5es de saber distinguir um regime ditatorial de um regime democr\u00e1tico. E at\u00e9 n\u00e3o falta quem v\u00e1 dizendo, \u00e0 chucha calada, que o melhor seria juntarmo-nos \u00e0 Espanha, j\u00e1 que ela n\u00e3o cessa de nos colonizar sob o ponto de vista econ\u00f3mico, e n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<p>Ora, pensamos que n\u00e3o \u00e9 com lam\u00farias e com recorda\u00e7\u00f5es de um passado triste, que s\u00f3 foi bom para os que estavam bem na vida e sem ideias de progresso e de justi\u00e7a social, que resolvemos os nossos problemas. O que \u00e9 importante \u00e9 assumirmos, no dia-a-dia e nas horas pr\u00f3prias, a defesa dos valores e interesses p\u00e1trios, sem complexos de inferioridade e sem receios, mas com orgulho do nosso passado de hist\u00f3ria riqu\u00edssima, que nunca se vergou ao poderia de quem quer que fosse. <\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses bem mais pequenos do que o nosso, com recursos diminutos, quer a n\u00edvel econ\u00f3mico quer demogr\u00e1fico, que nunca menosprezaram as suas capacidades e potencialidades, antes delas v\u00e3o tirando o m\u00e1ximo proveito para o bem das suas gentes. Portugal, perfeitamente integrado na Europa e com liga\u00e7\u00f5es privilegiadas com povos de outros continentes, tem de continuar a acreditar em si pr\u00f3prio, na for\u00e7a e na intelig\u00eancia do seu povo. Mas tamb\u00e9m tem de educar as actuais e novas gera\u00e7\u00f5es para que assumam sempre um s\u00e3o patriotismo, com orgulho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cordialidade era de tal modo not\u00f3ria na Assembleia da Rep\u00fablica, entre as bancadas do PSD e do PS, com o Governo a assistir, que cheg\u00e1mos a convencer-nos de que era desta vez que os pol\u00edticos se entendiam para rubricar um pacto de regime em nome do saneamento das contas p\u00fablicas. Pura ilus\u00e3o. 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