{"id":16026,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16026"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-arte-de-contar-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-arte-de-contar-historias\/","title":{"rendered":"A arte de contar hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Dias positivos <!--more--> 1. Quem est\u00e1 habituado a falar para grupos sabe o poder que contar uma hist\u00f3ria tem. Numa assembleia adormecida, de imediato muitas cabe\u00e7as se erguem. \u201cAconteceu-me um dia que&#8230;\u201d \u00e9 o melhor ant\u00eddoto para o sono e a moleza. Os rostos levantam-se, os olhos brilham, os sorrisos iluminam as faces e, se a hist\u00f3ria for bem contada, pode bem surgir um suspiro aprovador.<\/p>\n<p>2. O cinema \u00e9 uma das melhores formas de contar hist\u00f3rias. Actualmente est\u00e3o em exibi\u00e7\u00e3o dois filmes que por raz\u00f5es completamente diferentes s\u00e3o hist\u00f3rias que fazem pensar. Em \u201c21 Gramas\u201d (de Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu) vemos um criminoso convertido ao cristianismo, numa f\u00e9 sincera, quase fundamentalista (como por vezes \u00e9 a dos adultos convertidos), mas com a sua vida a entrar numa espiral de sofrimento que o leva a desejar a morte como forma de expia\u00e7\u00e3o. Depois da convers\u00e3o, numa altura em que se empenhava na par\u00f3quia, perde o emprego, atropela mortalmente um pai e duas meninas, \u00e9 preso, e abandona a fam\u00edlia depois de sair da pris\u00e3o por se sentir incapaz de acompanhar a mulher e os filhos. Acontece que o cora\u00e7\u00e3o do pai atropelado vai servir para um outro homem que estava a separar-se da sua mulher. Esta apoia-o durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o e o casal parece recompor-se. Com o cora\u00e7\u00e3o novo, a personagem de Sean Penn quer saber quem \u00e9 que lho deu e acaba por conhecer a vi\u00fava do dador e m\u00e3e desesperada das duas meninas mortas no acidente. \u00c9 um mundo de desencontros o que vemos, genialmente transmitido pelo modo como o filme est\u00e1 realizado: come\u00e7a a meio e ora avan\u00e7a ora recua. Nos primeiros minutos o espectador fica confuso, mas depois percebe que est\u00e1 perante uma hist\u00f3ria em puzzle e tem ele pr\u00f3prio que montar o filme na sua cabe\u00e7a. Do filme ficam interroga\u00e7\u00f5es sobre a dor, a culpa, o amor, a f\u00e9 e a morte. Quando tudo apela \u00e0 distrac\u00e7\u00e3o, encontrar uma filme com tantas interroga\u00e7\u00e3o \u00e9 um achado.<\/p>\n<p>3. A outra hist\u00f3ria s\u00e3o as muitas hist\u00f3rias de O Grande Peixe (de Tim Burton). A\u00ed o tema central \u00e9 precisamente a capacidade de contar hist\u00f3rias. Quando o pai est\u00e1 a morrer, o filho, que tinha sa\u00eddo dos Estados Unidos e emigrado para Fran\u00e7a, finalmente aproxima-se do pai e deseja descobrir se as hist\u00f3rias que ouvia na inf\u00e2ncia t\u00eam algum fundo de verdade. O filho, de certo modo \u201cpr\u00f3digo\u201d, acaba por converter-se e conta ao pai a hist\u00f3ria da sua morte. \u00c9 uma hist\u00f3ria de reconcilia\u00e7\u00e3o, portanto, num filme cheio de hist\u00f3rias (como a \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d) sobre a capacidade de encantar com palavras.<\/p>\n<p>4. Estes dois filmes fazem-me pensar que \u00e9 preciso rea-prender a contar hist\u00f3rias. Jesus foi mestre nessa arte. H\u00e1 uma hist\u00f3ria judaica que diz que um rabi, coxo, certo dia ficou t\u00e3o empolgado a contar uma hist\u00f3ria que se levantou e saltou como uma gazela. Jesus, o Rabi, fez muitos paral\u00edticos dan\u00e7arem porque sabia contar hist\u00f3rias, n\u00e3o como um ilusionista mas como quem ajuda a descobrir a hist\u00f3ria divina de cada um. Foi assim que fez os cegos verem, os surdos ouvirem, os pescadores apanharem muitos peixes ou caminharem sobre as \u00e1guas. Na teologia h\u00e1 um corrente chamada Teologia Narrativa que defende que, mais do que clarifica\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de dogmas, precisamos de hist\u00f3rias que nos empolguem. O vigor do cristianismo, hoje como sempre, passa por saber recontar a hist\u00f3ria de Jesus como Ele soube contar as hist\u00f3rias do Reino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}