{"id":16029,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16029"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-15\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>Que os portugueses t\u00eam passado um mau bocado por for\u00e7a das dificuldades econ\u00f3micas criadas pela conjuntura internacional e por m\u00e1s op\u00e7\u00f5es no tempo do Governo PS, \u00e9 verdade indiscut\u00edvel. Ningu\u00e9m de bom senso o nega, mas todos reclamam solu\u00e7\u00f5es imediatas para se restabelecer o equil\u00edbrio social, marcado pelo crescente desemprego no Pa\u00eds. Entretanto, uns acusam o sector empresarial de pouco fazer para a retoma econ\u00f3mica, com fracas produtividades e competitividades, e outros insistem na ideia de que as culpas cabem todas aos trabalhadores, esquecendo-se as responsabilidades que pertencem ao Estado.<\/p>\n<p>Talvez poucos portugueses saibam que, afinal, o Estado gasta metade dos recursos nacionais, nos mais diversos servi\u00e7os que presta aos cidad\u00e3os, mas nem todos reclamam atendimentos de mais qualidade. Sabe-se, tamb\u00e9m, que muitas reparti\u00e7\u00f5es n\u00e3o investem na produtividade, n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00f5es de competitividade e criam obst\u00e1culos \u00e0s empresas, em vez de as apoiar, incitar e estimular. <\/p>\n<p>Afinal, o Estado, um patr\u00e3o sem rosto, exige aos outros aquilo que prega mas n\u00e3o faz, d\u00e1 maus exemplos de efic\u00e1cia e n\u00e3o d\u00e1 sinais de querer melhorar as coisas. A reforma da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, que o PSD ainda n\u00e3o conseguiu levar por diante e de que tanto se fala, n\u00e3o anda nem desanda, e quem paga as favas somos todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Quando muitos, provavelmente, esperavam que a Igreja Cat\u00f3lica dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) se calasse perante o esc\u00e2ndalo dos abusos sexuais de menores perpetrados por membros do seu clero ou entrasse pela via das desculpas esfarrapadas ou das acusa\u00e7\u00f5es sem nexo, eis que foi tornado p\u00fablico um estudo feito por um comit\u00e9 de leigos, a pedido da hierarquia norte-americana, em que os n\u00fameros, tristes n\u00fameros, foram revelados com toda a sua crueza. Certamente com verdade, mas tamb\u00e9m com humildade. <\/p>\n<p>Os resultados do estudo, referentes aos \u00faltimos 50 anos, s\u00e3o tristemente conhecidos e foram apresentados como uma \u201cvergonha para a Igreja\u201d. Onze mil queixas contra 4392 padres, 6700 das quais foram consideradas com fundamento, tendo vitimado crian\u00e7as e adoles-centes entre os 11 e os 14 anos, constituem, qui\u00e7\u00e1, o maior pecado do s\u00e9culo. <\/p>\n<p>A Igreja americana n\u00e3o entrou, a partir desses resultados, em explica\u00e7\u00f5es baratas, antes reconheceu o crime dos seus cl\u00e9rigos, ao pagar mais de 500 milh\u00f5es de euros em custos jur\u00eddicos e em apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Ao real\u00e7armos, neste espa\u00e7o, a decis\u00e3o da hierarquia cat\u00f3lica dos EUA, em pedir o estudo e em o divulgar, move-nos a convic\u00e7\u00e3o de que tudo ser\u00e1 diferente a partir de agora, em quest\u00f5es t\u00e3o terr\u00edveis como esta. Tanto na Igreja norte-americana como nas Igrejas do resto do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que os portugueses t\u00eam passado um mau bocado por for\u00e7a das dificuldades econ\u00f3micas criadas pela conjuntura internacional e por m\u00e1s op\u00e7\u00f5es no tempo do Governo PS, \u00e9 verdade indiscut\u00edvel. Ningu\u00e9m de bom senso o nega, mas todos reclamam solu\u00e7\u00f5es imediatas para se restabelecer o equil\u00edbrio social, marcado pelo crescente desemprego no Pa\u00eds. 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