{"id":16031,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16031"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"testemunhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/testemunhar\/","title":{"rendered":"Testemunhar"},"content":{"rendered":"<p>Partilhando <!--more--> H\u00e1 quem n\u00e3o goste de partilhar nem o bem nem o mal, nem haveres nem valores, por muitas e variadas raz\u00f5es, encerrando-se, hermeticamente, no seu ego, no seu casulo.<\/p>\n<p>Partilhar \u00e9 um bem. Neste fim-de-semana recebi exemplos vindos dos mais diversos quadrantes. De longe, de perto.<\/p>\n<p>De Terras do Demo, despontaram mensagens que eu julgava j\u00e1 da hist\u00f3ria, dos tempos de h\u00e1 meio s\u00e9culo ou mais.<\/p>\n<p>Uma reportagem-mensageira, do JN, anunciava que os lobos voltaram aos povoados e v\u00e3o uivando, como em antanho. Mas n\u00e3o s\u00f3 uivam como matam animais e p\u00f5em em perigo as crian\u00e7as das aldeias. N\u00e3o assassinam s\u00f3 redis da serra agreste da Nave, porque j\u00e1 v\u00e3o rareando, mas dizimam p\u00f3neis, como aconteceu em Vila-Cova-a-Coelheira, entre Castro Daire e Vila Nova do Paiva (a antiga Barrelas do Malhadinhas). E o povo teme que esses felinos, apregoados de extin\u00e7\u00e3o, voltem a descer aos povoados, incutindo o terror de h\u00e1 meio s\u00e9culo nas gentes daquelas serranias, da Nave ou da Lapa! Que atacam gente, crian\u00e7as! Isso, isso mesmo!<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o fi-la a s\u00f3s comigo, mas partindo de algo que se estava a passar num ecr\u00e3 sobre as crian\u00e7as, de que precisam de ser protegidas, ajudadas, guardadas at\u00e9 dos lobos; a terem vida de crian\u00e7a, sadia, que muitos de n\u00f3s n\u00e3o pudemos ter. Um bem, um mal?! Para esta nova sociedade de consumismo, o pensar-se o que se foi h\u00e1 50, 70 anos, \u00e9 impens\u00e1vel! Certamente! Mas para a maior parte dos que passaram as passas do Algarve ou ouviram uivar lobos, diurna ou nocturnamente, o sabor de se ser crian\u00e7a, nesses recuados tempos, tinha sabor, tinha valor o atravessar-se mesmo desertos, sabendo-se que da outra banda havia uma qualquer Terra da Promiss\u00e3o!<\/p>\n<p>C\u00e1 por terras da Ria veio uma vida testemunhada a todos os n\u00edveis, multifacetada. Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar, Vig\u00e1rio Geral desta Diocese, a pedido do seu Bispo, fez reflex\u00e3o ao clero, testemunhando. O historiador, o aveir\u00f3grafo, o escritor contou, com a simplicidade que lhe \u00e9 peculiar, com clareza, o que foram os seus 50 anos de sacerd\u00f3cio, dos exemplos que o fizeram ser um amante dos verdadeiros valores. Testemunhos, contados sem pros\u00e1pia de qualquer esp\u00e9cie ou altivez, edificam, constroem, deixam ra\u00edzes alimentadas em terra ub\u00e9rrima que fazem frutificar. Quem se deixa arar, colhe e d\u00e1. O seu testemunho, de testemunhos, que podem ser tamb\u00e9m de leigos e para leigos, est\u00e1 impresso. Vale a pena ler, mastigar as pequenas\/ grandes coisas. S\u00f3 as pequenas entram no reino dos que procuram as bem-aventuran\u00e7as! As grandes obras nascem de min\u00fasculas areias, n\u00e3o movedi\u00e7as, mas s\u00f3lidas, bem argamassadas.<\/p>\n<p>Outro exemplo-testemunho veio de uma imagem televisiva. Em algures deste Pa\u00eds. Um parapl\u00e9gico lan\u00e7ou um apelo para que se proporcionasse a um seu colega de infort\u00fanio uma cadeira de rodas, igual \u00e0 que tinha para que esse seu amigo pudesse sair do leito onde permanece retido h\u00e1 anos e voltasse a saborear o ar da rua, o ar das pessoas, a viver e a conviver com todos. Ele, parapl\u00e9gico, quer que a sua sorte de ter uma cadeira de rodas seja tamb\u00e9m para o seu amigo! Que gestos t\u00e3o belos, numa sociedade que tanta gente proclama de ego\u00edsta, de consumista!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilhando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16031\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}