{"id":16054,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16054"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"cresce-o-interesse-pelos-moinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cresce-o-interesse-pelos-moinhos\/","title":{"rendered":"Cresce o interesse pelos moinhos"},"content":{"rendered":"<p>Livro inventaria moinhos de Albergaria-a-Velha <!--more--> Com mais de meio milhar de p\u00e1ginas, o livro \u201cMoinhos do concelho de Albergaria-a-Velha\u201d, da autoria de Delfim Bismarck e Armando Carvalho Ferreira, faz n\u00e3o s\u00f3 o invent\u00e1rio dos 355 moinhos de que h\u00e1 mem\u00f3ria na \u00e1rea daquele munic\u00edpio, como \u00e9 tamb\u00e9m uma obra de etnografia e sociologia<\/p>\n<p>Correio do Vouga: Nesta obra, quantos moinhos foram inventariados?<\/p>\n<p>Delfim Bismarck: Foram inventariados 355 moinhos, espalhados pelas oito freguesias do concelho de Albergaria-a-Velha, dos quais, apenas cerca de vinte ainda est\u00e3o a moer. Todos os outros, ou j\u00e1 desapareceram por completo, ou restam ru\u00ednas ou at\u00e9 est\u00e3o em relativo bom estado, mas j\u00e1 n\u00e3o laboram.<\/p>\n<p>Esse invent\u00e1rio teve em conta os moinhos que j\u00e1 tinham desaparecido?<\/p>\n<p>Exactamente. Todas as refer\u00eancias e toda a documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que falava de algum moinho foram estudadas. Tent\u00e1mos fazer um invent\u00e1rio o mais completo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Os moinhos que foram inventariados s\u00e3o de que tipo?<\/p>\n<p>S\u00e3o quase, na sua totalidade, moinhos de \u00e1gua; mais concretamente, moinhos de rod\u00edzio. Dois ou tr\u00eas casos de azenhas e s\u00f3 um moinho de vento, em Angeja, que ainda l\u00e1 est\u00e1, mas desactivado.<\/p>\n<p>No invent\u00e1rio foram inclu\u00eddos os moinhos (tor-res) de arma\u00e7\u00e3o para tirar \u00e1gua?<\/p>\n<p>N\u00e3o, porque isso n\u00e3o s\u00e3o moinhos, mas sistemas e\u00f3li-cos para retirar \u00e1gua dos po\u00e7os, se bem que h\u00e1 moinhos de arma\u00e7\u00e3o, com uma estrutura muito semelhante a esses en-genhos, e que serviam para moer cereal, dos quais h\u00e1 muito poucos na nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Atafonas e m\u00f3s manuais tamb\u00e9m constaram do estu-do?<\/p>\n<p>Atafonas, encontr\u00e1mos refer\u00eancias a cinco, mas ne-nhuma resta, apenas s\u00f3 a mem\u00f3ria de algumas.<\/p>\n<p>O que o levou a fazer um trabalho desses?<\/p>\n<p>Este trabalho \u00e9 em co-autoria com Armando Carvalho e foi ele que me lan\u00e7ou o de-safio. Ele j\u00e1 era s\u00f3cio da Sociedade Internacional de Molinologia. De in\u00edcio, eu estava convencido que ir\u00edamos encontrar cerca de trinta a cinquenta moinhos, que seria um trabalho relativa-mente r\u00e1pido, para meio ano. Mas, quando fomos para o terreno, tendo por base as cartas topogr\u00e1ficas militares e os registos matriciais antigos existentes na reparti\u00e7\u00e3o de finan\u00e7as, vimos que esse n\u00famero seria muito superior. \u00c0 medida que fomos fazendo o trabalho, o n\u00famero de moi-nhos foi crescendo exponencialmente, at\u00e9 chegarmos a esse total de 355. Acresceu ainda o facto das margens dos rios estarem cobertas de silvas e outra vegeta\u00e7\u00e3o, o que dificultou a passagem para os moinhos. Por tudo isso, foram precisos dois anos e meio para fazermos este trabalho.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, est\u00e1 a surgir a tend\u00eancia para estudar e preservar os moinhos. J\u00e1 foram publicados livros sobre moinhos em Oliveira de Azem\u00e9is, Sever do Vouga e na Bairrada. H\u00e1 algum motivo para esse interesse pelos moinhos?<\/p>\n<p>Eu penso que sim. Primeiro, porque os moinhos, especialmente os de vento, fazem parte do imagin\u00e1rio de qualquer um de n\u00f3s. Quanto ao aparecimento de trabalhos sobre os moinhos e \u00e0 sua preserva\u00e7\u00e3o, julgo que se deve ao facto de estarem a acabar os moleiros e dos moinhos estarem a desaparecer. Estamos na \u00faltima fase poss\u00edvel para se fazer alguma recupera\u00e7\u00e3o. Ainda h\u00e1 meia d\u00fazia de moleiros vivos que podem manter essa actividade e ajudar na recupera\u00e7\u00e3o de alguns moinhos. Da\u00ed o aparecimento, h\u00e1 alguns anos, em Oliveira do Bairro, de um trabalho de Ant\u00f3nio Cap\u00e3o. Mais tarde, surgiu um trabalho sobre os moinhos do concelho de Sever do Vouga. No ano passado, um outro, em Oliveira de Azem\u00e9is, sobre o n\u00facleo do rio Ul, e, agora, este trabalho, sobre os moinhos de Albergaria-a-Velha. Praticamente, todos os concelhos da regi\u00e3o tiveram ou ainda t\u00eam moinhos, pelo que seria bom que cada concelho fizesse, pelo menos, um invent\u00e1rio. O que n\u00f3s fizemos foi um invent\u00e1rio o mais exaustivo poss\u00edvel sobre os moinhos e as actividades relacionadas com os moinhos, de modo a ficar para o futuro um estudo sobre uma actividade que se vai extinguir, no m\u00e1ximo em vinte anos.<\/p>\n<p>Neste trabalho tamb\u00e9m foram estudados os a\u00e7udes, levadas e outras estruturas relacionadas com os moinhos?<\/p>\n<p>Sim. Dos a\u00e7udes e das levadas fizemos um estudo bastante ligeiro, mas fizemos um estudo mais aprofundado relacionado com os componentes dos moinhos, com as fam\u00edlias dos moleiros, e tamb\u00e9m com os trajes, a gastronomia e uma s\u00e9rie de modinhas relacionadas com a actividade moleira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro inventaria moinhos de Albergaria-a-Velha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-16054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16054\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}