{"id":16070,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16070"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"educacao-sexual-no-reino-da-confusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/educacao-sexual-no-reino-da-confusao\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o Sexual no reino da confus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Um jornal da capital vem interrogando diariamente pessoas sobre se concordam ou n\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas. S\u00e3o cidad\u00e3os comuns, com nome e retrato e, a quase totalidade, diz que \u201csim\u201d, porque deste modo as crian\u00e7as se podem defender dos perigos, haver\u00e1 menos gravidezes n\u00e3o desejadas, menos abortos e sida, e ter\u00e3o assim informa\u00e7\u00e3o sobre doen\u00e7as perigosas a evitar\u2026 L\u00e1 aparece um ou outro a dizer que n\u00e3o concorda, porque os alunos j\u00e1 sabem de mais e os professores n\u00e3o est\u00e3o preparados para estas quest\u00f5es. <\/p>\n<p>A t\u00f3nica est\u00e1 sempre na informa\u00e7\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es sexuais e suas consequ\u00eancias. <\/p>\n<p>O curioso, por\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o se pergunta se se concorda com a informa\u00e7\u00e3o na escola, mas antes com a educa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, se se falasse de informa\u00e7\u00e3o em ordem a evitar doen\u00e7as ou gravidez n\u00e3o desejada, esta n\u00e3o seria necess\u00e1ria, uma vez que as escolas, at\u00e9 por exig\u00eancia do programa e com o livro de texto a dizer tudo, j\u00e1 informam quanto baste. Assim o pude verificar h\u00e1 meses em visita a uma escola e, por mera casualidade, a uma sala do 8\u00ba ano, onde essa era a mat\u00e9ria do dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o jornal \u00e9 isso que pretende, navegar na confus\u00e3o, mas, educa\u00e7\u00e3o sexual ou da sexualidade e tamb\u00e9m da afectividade, tem outra dimens\u00e3o al\u00e9m da mera informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Educar \u00e9 ajudar a crescer, a discernir e a escolher, a respeitar e a comunicar. \u00c9 abrir \u00e0 responsabilidade dos actos que se praticam. \u00c9 dar capacidade para se fazer com alegria o que se deve e n\u00e3o apenas o que apetece. \u00c9 formar pessoas que se respeitem e respeitem os outros. \u00c9 ajudar a perceber que nem tudo o que se pode fazer, conv\u00e9m que se fa\u00e7a. Por tudo isto, a educa\u00e7\u00e3o tem exig\u00eancias concretas para quem educa e para o educando. Tarefa digna, mas cheia de consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>A campanha pela educa\u00e7\u00e3o sexual parece andar, para muita gente, unida \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que a actividade sexual n\u00e3o tem limites e \u00e9 um direito para quem assim o quiser, adolescente, jovem ou adulto. Por isso se clama pela distribui\u00e7\u00e3o de preservativos nas escolas, nas pousadas juvenis e at\u00e9 em s\u00edtios, como museus, onde os alunos v\u00e3o em visitas de estudo com os professores da escola. Afinal o que querem os pais? Apenas que os filhos n\u00e3o apanhem doen\u00e7as e as filhas adolescentes n\u00e3o fiquem gr\u00e1vidas? Ou querem que eles sejam pessoas equilibradas, alegres, s\u00e1bias, respeitadoras de si pr\u00f3prios e dos seus colegas e amigos? Ou querem que os filhos tomem consci\u00eancia de que o valor da pessoa n\u00e3o vem do n\u00famero das suas experi\u00eancias sexuais, mas da sua capacidade de responsabilidade e de dom\u00ednio pessoal?<\/p>\n<p>As pessoas s\u00e3o sexuadas por natureza, da raiz dos cabelos \u00e0 ponta dos p\u00e9s. A sexualidade \u00e9 uma for\u00e7a e um dinamismo de vida que n\u00e3o se esgota na rela\u00e7\u00e3o sexual, mas se exprime numa rela\u00e7\u00e3o pessoal alargada e enriquecida de mil maneiras, que traduzem em doa\u00e7\u00e3o, respeito e entreajuda. A actividade sexual, a qualquer n\u00edvel, \u00e9 sempre humana e humanizadora, por isso n\u00e3o se pode separar da afectividade.<\/p>\n<p>Nunca se far\u00e1 educa\u00e7\u00e3o sexual apenas informando ou somando saberes diversos. Toda a educa\u00e7\u00e3o visa a realiza\u00e7\u00e3o de um projecto de crescimento e de fidelidade. Tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o sexual. Ela \u00e9 cada vez mais necess\u00e1ria e urgente e requer aten\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia.<\/p>\n<p>Os alunos um dia perceber\u00e3o que quem os ajudou e educou n\u00e3o foi quem lhes deu p\u00edlulas ou preservativos e os atirou para a aventura do mais f\u00e1cil, mas quem fez com eles, pacientemente, o caminho que os ajudou a serem pessoas equilibradas, capazes de escolher o que as dignifica, alegres e respeitadoras de si pr\u00f3prias e dos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um jornal da capital vem interrogando diariamente pessoas sobre se concordam ou n\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas. 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