{"id":16088,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16088"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"aborto-e-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aborto-e-crime\/","title":{"rendered":"Aborto \u00e9 crime"},"content":{"rendered":"<p>Em Nota Pastoral, os bispos portugueses condenam mais uma vez o aborto e fazem um apelo sereno \u00e0 defesa da vida<\/p>\n<p>Em Nota Pastoral publicada no s\u00e1bado, \u201cMedita\u00e7\u00e3o sobre a vida\u201d, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) reafirma, na sequ\u00eancia da Tradi\u00e7\u00e3o, confirmada pelo Vaticano II, que o aborto \u00e9 crime abomin\u00e1vel. Os bispos portugueses respondem assim \u00e0 campanha pr\u00f3-abortista que nos \u00faltimos tempos tem estado a ser implementada entre n\u00f3s, fundamentalmente pelos partidos de esquerda.  <\/p>\n<p>A CEP sublinha que, \u201ctal como outras manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e de desrespeito pela vida do pr\u00f3ximo, o drama do aborto coexiste com a dignidade da vida\u201d, enquanto  considera que a tentativa de o \u2018normalizar\u2019 \u00e9 um retrocesso.  <\/p>\n<p>Ao abordarem o drama do aborto, assunto que est\u00e1 na ordem do dia, os bispos portugueses fizeram-no numa perspectiva construtiva, de forma serena, deixando uma palavra de reconhecimento e de est\u00edmulo aos que, no dia-a-dia, \u201csacrificam a pr\u00f3pria vida para defender a do pr\u00f3ximo, e a todas as pessoas e grupos que t\u00eam alertado a sociedade portuguesa para o valor fundamental da vida\u201d.<\/p>\n<p>Reconhecem que as comunidades se devem empenhar, por todos os meios ao seu alcance, para erradicar aquele drama, e adiantam, \u201cem nome do car\u00e1cter sagrado de vida e da dignidade da mulher, que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o \u00e9 o caminho\u201d. Acrescentam, por outro lado, que \u201cn\u00e3o se constr\u00f3i uma sociedade justa sobre a injusti\u00e7a\u201d e que, em nenhum momento, podemos esquecer que \u201ca vida \u00e9 o primeiro fundamento da \u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>A CEP reconhece depois que o ponto crucial da pol\u00e9mica est\u00e1 no facto de alguns n\u00e3o aceitarem que o embri\u00e3o humano e o feto s\u00e3o um ser humano desde o primeiro momento. Lembra ent\u00e3o, aos que negam esta verdade e que n\u00e3o s\u00e3o capazes de \u201cescutar a Palavra da B\u00edblia e da Igreja\u201d, a necessidade de ouvirem \u201ca ci\u00eancia que t\u00e3o maravilhosos progressos fez no campo da gen\u00e9tica\u201d.  E logo adianta o que os cientistas afirmam: \u201cdesde os primeiros momentos, estabelece-se uma rela\u00e7\u00e3o vital, que se desenvolve progressivamente, entre o feto e a m\u00e3e, afirmando assim a sua alteridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria m\u00e3e.\u201d<\/p>\n<p>O episcopado portugu\u00eas recorda, nesta Nota Pastoral, doutrina defendida pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II,  em que proclama a urg\u00eancia de o ser humano ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua concep\u00e7\u00e3o. \u201cDentre todos os crimes que o homem pode realizar contra a vida, o aborto provocado apresenta caracter\u00edsticas que o tornam particularmente grave e abjur\u00e1vel\u201d, lembra o Santo Padre.<\/p>\n<p>Os bispos portugueses garantem, noutra passagem do documento, que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto ser\u00e1 uma quest\u00e3o fracturante da sociedade, real\u00e7ando que \u201ccada cidad\u00e3o \u00e9 chamado a ter uma posi\u00e7\u00e3o pessoal respons\u00e1vel e reflectida\u201d sobre o assunto. Dizem que o aborto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica e refor\u00e7am a ideia de que a inviolabilidade da vida humana, \u201cdesde o seu in\u00edcio at\u00e9 \u00e0 morte natural, \u00e9 uma quest\u00e3o de direito natural\u201d, ao mesmo tempo que \u00e9 \u201cum dos alicerces da conviv\u00eancia \u00e9tica dos homens em sociedade\u201d.<\/p>\n<p>A CEP afirma, contudo, que a defesa da vida deve inspirar qualquer pol\u00edtica \u201cque esteja ao servi\u00e7o do homem e da sociedade\u201d, considerando \u201cindigno da maturidade pol\u00edtica de um Povo que algu\u00e9m seja a favor da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto s\u00f3 porque pertence a um determinado partido ou segue uma certa vis\u00e3o da sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Quando os decisores pol\u00edticos relegam o problema para o campo das op\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia, esquecem que, na moderna concep\u00e7\u00e3o dos Estados, estes s\u00e3o considerados pessoas de bem e, por isso, \u201ctamb\u00e9m t\u00eam consci\u00eancia\u201d, salienta a Nota Pastoral. E diz, ainda, que a mulher gr\u00e1vida deve ter consci\u00eancia de que no seu seio traz uma pessoa, em  rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual tem \u201cos mesmos deveres que qualquer indiv\u00edduo tem perante a vida de outrem\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de Igreja Cat\u00f3lica considerar o aborto um \u201ccrime abomin\u00e1vel\u201d, o documento do episcopado esclarece que, como em todos os crimes, situa\u00e7\u00f5es psicossociais podem tornar \u2018inimput\u00e1vel\u2019, ou com responsabilidade atenuada, quem o praticou ou para ele contribuiu. E sem se pronun-ciar sobre a possibilidade legal de haver crime sem pena, afirma que o caminho n\u00e3o \u00e9 \u201cdespenalizar\u201d, pois considera que haver\u00e1, em sede de julgamento, \u201ceventuais circunst\u00e2ncias atenuantes, at\u00e9 porque o grau de responsabilidade n\u00e3o \u00e9 o mesmo, quer entre as mulheres que abortam, quer entre aqueles que as condicionam e contribuem para o aborto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Nota Pastoral, os bispos portugueses condenam mais uma vez o aborto e fazem um apelo sereno \u00e0 defesa da vida Em Nota Pastoral publicada no s\u00e1bado, \u201cMedita\u00e7\u00e3o sobre a vida\u201d, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) reafirma, na sequ\u00eancia da Tradi\u00e7\u00e3o, confirmada pelo Vaticano II, que o aborto \u00e9 crime abomin\u00e1vel. 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