{"id":16107,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16107"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"por-humor-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/por-humor-de-deus\/","title":{"rendered":"Por humor de Deus!"},"content":{"rendered":"<p>Dias Positivos <!--more--> 1. H\u00e1 dias, quando preparava um trabalho para um grupo de Igreja, dei com um desenho que me fez soltar uma gargalhada. Ao lado de um t\u00famulo escavado na rocha estava a pedra que anteriormente tapava a entrada. O t\u00famulo estava vazio. \u00c0 frente, em primeiro plano, tinha uma tabuleta que dizia: \u201cVende-se. Pouco usado.\u201d<\/p>\n<p>Era, obviamente, um modo engra\u00e7ado de falar da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, e fez-me pensar no que devia comunicar na tarde de s\u00e1bado ao tal grupo cat\u00f3lico: a falta que faz um pouco de humor no trabalho pastoral.<\/p>\n<p>2. Por vezes o catolicismo tem sido criticado pela falta de sentido de humor. Numa entrevista \u00e0 Not\u00edcias Magazine (21 Dez. 2003), Frei Bento Domingues dizia que \u201ca religi\u00e3o da Gra\u00e7a n\u00e3o tem gra\u00e7a nenhuma\u201d, que o cristianismo perdeu o sentido de humor e com isso desvirtua-se si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>A profundidade do riso \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria como a seriedade da medita\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a medita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode fazer sorrir. \u00c9 uma boa forma de enfrentar as nossas incoer\u00eancias, relativizar os erros (t\u00e3o necess\u00e1rio para prosseguir o caminho), quebrar os \u00eddolos. Faz falta uma teologia do humor (ou uma stand up theology) que d\u00ea sequ\u00eancia \u00e0 que dizem ser a nona bem-aventuran\u00e7a (ou escapou aos evangelistas, ou era t\u00e3o evidente que n\u00e3o foi preciso deix\u00e1-la escrita): \u201cFeliz quem se ri de si pr\u00f3prio, porque nunca mais p\u00e1ra de rir.\u201d<\/p>\n<p>3. A raz\u00e3o por que cristianismo e humor por vezes est\u00e3o de costas voltadas est\u00e1 na aus\u00eancia do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se diz que uma pessoa \u00e9 muito espirituosa quando faz rir. Mas quem faz rir e nos p\u00f5e o cora\u00e7\u00e3o a arder por ouvirmos certas palavras, al\u00e9m de espirituoso, \u00e9 espiritual. O humor \u00e9 sinal de criatividade e de intelig\u00eancia, dois dons do Esp\u00edrito. A falta de humor vem tamb\u00e9m da excessiva valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00e1grimas para reclamar a protec\u00e7\u00e3o de Deus, como se Deus n\u00e3o conhecesse o \u00edntimo de cada um de n\u00f3s. E como se o riso n\u00e3o fosse j\u00e1 um primeiro consolo nas dificuldades. Vem, finalmente, do orgulho humano. Sim, n\u00e3o rimos tanto porque achamos que h\u00e1 algo a defender, que Deus pode ficar ofendido se pusermos humor na religi\u00e3o. O extremo desta tentativa humana de proteger Deus foi a Inquisi\u00e7\u00e3o. Algumas pessoas achavam que Deus precisava de ser defendido. E como sabemos, a Inquisi\u00e7\u00e3o tinha uma falta de humor terr\u00edvel. O ser humano, sim, precisa de ser defendido. Deus, n\u00e3o, porque a defesa de Deus, desde os evangelhos, \u00e9 a defesa dos desprotegidos.<\/p>\n<p>4. Para terminar, uma anedota que ilustra bem aquela passagem do Salmo 90 e que S. Pedro retoma numa das cartas (2 Pe 3,8): \u201cMil anos, diante de Ti, s\u00e3o como o dia de ontem que passou\u201d (Sl 90,4).<\/p>\n<p>\u201cUm cat\u00f3lico pede a Deus com muito fervor:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, \u00e9 verdade que, para Ti, mil anos s\u00e3o uns meros segundinhos, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&#8211; E tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, para Ti, uns milh\u00f5es de euros s\u00e3o uns meros trocados, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, Senhor, e se Tu me desses uns trocadinhos dos Teus?<\/p>\n<p>Uma voz responde-lhe:<\/p>\n<p>&#8211; Espera uns segundinhos!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias Positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16107"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16107\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}