{"id":16111,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16111"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-pobres-dos-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-pobres-dos-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Os pobres dos mais pobres!&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Partilhando <!--more--> A terra tremeu, esburacou-se; o furac\u00e3o fez vendaval impiedoso, devastador. Os telem\u00f3veis agitaram-se, e fizeram-se ainda ouvir ao longe os ecos de mais uma trag\u00e9dia&#8230; Os comboios partem-se, rasgam-se&#8230; Os gritos lancinantes ecoam ao longe, ao largo, ao perto! Mais um pa\u00eds no caminho de um qualquer G\u00f3lgota, nesta Quaresma em que a Paix\u00e3o de Cristo anda por a\u00ed, para reflex\u00e3o de alguns, curiosidade, porventura, doentia, de outros, medita\u00e7\u00e3o para quem acredita num Messias prometido, num Cristo Libertador!<\/p>\n<p>Espanha, Espanha, como tu tens sido m\u00e1rtir h\u00e1 tantos anos! Ainda eu era muito crian\u00e7a, quase de cueiros no rabo e l\u00e1 nas minhas terras de serranias agrestes e prados j\u00e1 ouvia dizer ao meu saudoso Pai:\u201d Olha, filho, a guerra na Espanha est\u00e1 muito m\u00e1!\u201d Tinha poucos anos, ajudava a guardar vacas nos lameiros do Pa\u00fal, e j\u00e1 esses ecos me entravam nos ouvidos! J\u00e1!<\/p>\n<p>A guerra nunca mais parou, acabou uma entre irm\u00e3os, surgiu outra tamb\u00e9m entre hermanos! Agora vir\u00e1 de fora! Vir\u00e1?! Venha  de onde vier, o massacre foi tenebroso a que ningu\u00e9m pode ficar indiferente. E n\u00e3o \u00e9 tempo de aproveitamentos. Nada disso. \u00c9 tempo de reflex\u00e3o, muita!&#8230; \u00c9 tempo de chorar os mortos; \u00e9 tempo de cuidar dos vivos, \u00e9 tempo de esperan\u00e7a! \u00c9 tempo de tratar, proteger os que mais precisam, os incautos, os indefesos! E n\u00e3o pode haver troca de moeda.<\/p>\n<p>Este fim de semana todo o mundo olhou para um mundo que n\u00e3o sabe para onde caminha! Todo o mundo parou para ver a trag\u00e9dia de Espanha. Os jornais enxamearam-nos de not\u00edcias, as televis\u00f5es meteram-nos, indiscriminadamente, nos olhos imagens de um vulc\u00e3o de \u00f3dio, mas tamb\u00e9m de muita resigna\u00e7\u00e3o; as r\u00e1dios parece que faziam relatos de quaisquer clubes do mundo, dos grandes, ou pequenos! Os templos tamb\u00e9m se enchiam, os crentes oravam, embora silenciosamente, e as velas faziam chama de saudade, de eternidade!<\/p>\n<p>Dessa avalanche de clamores, de relatos, eu reflecti sobre uma das pe\u00e7as de um dos correspondentes  em Madrid.<\/p>\n<p>Essa reportagem (porque de reportagem se tratava, feita in loco), num dos locais da trag\u00e9dia, dos que mais sofrem, na terra do novelista, dramaturgo e poeta, Miguel de Cervantes, em Alcal\u00e1 de Henares, denuncia o drama ao vivo, como pertence ao rep\u00f3rter que o \u00e9. Diz-nos o que os seus olhos v\u00eaem, os que os seus ouvidos escutam, do que o seu cora\u00e7\u00e3o transborda. \u201cOs familiares ainda n\u00e3o tinham chegado, mas j\u00e1  tinha chegado muita gente a dar sangue\u201d. P\u00f5e a falar muita gente atingida, a chorar: \u201cIsto \u00e9 um atentado contra os trabalhadores\u201d, diz um dos escutados e o rep\u00f3rter, Ruben Marcos, correspondente do JN, em Madrid, vai encenando uma pel\u00edcula real, palp\u00e1vel: \u201cTinha raz\u00e3o. Os atentados atingiram os mais humildes. Os que acordam mais cedo para trabalhar, os que moram nos sub\u00farbios, nas zonas pobres da capital. O bairro de El Pozo del Tio Raimundo foi considerado at\u00e9 aos anos 90 uma zona marginal onde n\u00e3o h\u00e1 muito tempo ainda havia favelas. L\u00e1 moravam os mais pobres dos pobres do bairro de Vallecas. Um dos comboios explodiu nesse bairro&#8230;\u201d <\/p>\n<p>Mais coment\u00e1rios para qu\u00ea?! \u00c9 tempo de reflex\u00e3o, de pol\u00edticos ou simples cidad\u00e3os. \u00c9!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilhando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}