{"id":16129,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16129"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"na-igreja-nunca-faltaram-mulheres-que-foram-referencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-igreja-nunca-faltaram-mulheres-que-foram-referencia\/","title":{"rendered":"Na Igreja nunca faltaram mulheres que foram refer\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Jesus Cristo foi um arauto da inclus\u00e3o e deixou o fermento <\/p>\n<p>de uma nova realidade<\/p>\n<p>Se olharmos para a hist\u00f3ria da Igreja, encontramos, de facto, mulheres que foram refer\u00eancia, mas n\u00e3o podemos ignorar que isso \u201cn\u00e3o esgota o seu silenciamento ao longo destes s\u00e9culos todos\u201d, afirmou a doutora Manuela Silva, economista, professora universit\u00e1ria e vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, no sal\u00e3o do Semin\u00e1rio de Santa Joana Princesa, no s\u00e1bado, numa confer\u00eancia organizada pelo ISCRA (Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro), aberta a alunos, professores e demais pessoas interessadas.<\/p>\n<p>Partindo para a sua reflex\u00e3o do livro \u201cDizer Deus \u2013 imagem e linguagens\u201d, recentemente publicado, de que foi coordenadora e que congrega o pensamento de te\u00f3logas e crist\u00e3s que se exprimem na base da Teologia Feminista, a conferencista defendeu que a humanidade \u00e9 feita de homens e mulheres, \u201co que n\u00e3o podemos ignorar\u201d. Nesse sentido, adiantou que teremos, certamente, de rever as estruturas eclesiais, de reorganizar as nossas comunidades, de pensar a forma como partilhamos o poder dentro delas, bem como de estudar novas formas de expressar a f\u00e9 nas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao considerar que a Teologia Feminista defende a reflex\u00e3o a partir da identidade das mulheres e da igualdade do g\u00e9nero, o que tem ficado \u00e0 margem na Teologia tradicional, marcadamente masculinizada, Manuela Silva garantiu que o contributo das te\u00f3logas, com a sua sensibilidade pr\u00f3pria, vem enriquecer a humanidade e \u201cpreencher um vazio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00e3o podemos ignorar metade da popula\u00e7\u00e3o do mundo, tanto no plano civil como no plano da f\u00e9\u201d, at\u00e9 porque \u2013 sublinhou \u2013 \u201ca mulher n\u00e3o \u00e9 o que era\u201d. Disse que a Teologia Feminista luta para que a mulher seja sujeito e n\u00e3o agente passivo na sociedade, com \u201cdireito a construir o seu pr\u00f3prio espa\u00e7o de reflex\u00e3o\u201d, mas tamb\u00e9m admitiu que h\u00e1 dentro dela \u201cdiferentes portas de entrada\u201d, uma das quais pugna pelo acesso das mulheres \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o sacer-dotal.<\/p>\n<p>A conferencista lembrou que Jesus Cristo foi um arauto da inclus\u00e3o, mostrando-o claramente nas \u201crela\u00e7\u00f5es que teve com as mulheres\u201d, havendo a\u00ed \u201co fermento de uma realidade nova\u201d. E acrescentou que a Igreja nascente veiculou \u201cessa experi\u00eancia do Mestre\u201d, a tal ponto que S. Paulo diz que \u201cn\u00e3o h\u00e1 homem nem mulher, nem judeu nem gentio\u201d.<\/p>\n<p>Manuela Silva mostrou de relance a evolu\u00e7\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o da mulher atrav\u00e9s dos tempos, tendo frisado o grande salto que surgiu com a modernidade. Hoje, as mulheres j\u00e1 conseguiram a sua autonomia econ\u00f3mica, j\u00e1 n\u00e3o precisam da autoriza\u00e7\u00e3o do marido para fazer compras ou para empreender viagens, t\u00eam acesso a todos os graus de ensino e s\u00e3o maiorit\u00e1rias nas Universidades. Tamb\u00e9m participam na vida c\u00edvica e na pol\u00edtica, neste caso \u201ccom muitos trav\u00f5es, avan\u00e7os e recuos\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Entretanto, afirmou que urge criar novas mentalidades, sendo necess\u00e1rio que a mulher se assuma como sujeito activo do seu futuro, que se afirme na lideran\u00e7a e que reivindique \u201co reconhecimento da sua identidade, sem discrimina\u00e7\u00f5es\u201d. E se \u00e9 verdade, como salientou, que tem havido progressos no \u00e2mbito da sociedade civil, n\u00e3o deixou de frisar  \u201cas resist\u00eancias que se t\u00eam encontrado ao n\u00edvel das religi\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, adiantou que a Igreja Cat\u00f3lica reconhece a dignidade das mulheres, que \u201cest\u00e3o na catequese e na educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos filhos\u201d, mas afian\u00e7ou que a Teologia que se conhece tem sido fruto apenas \u201cdo labor masculino, que reflecte os seus conceitos\u201d, enquanto esquece, muitas vezes, o que elas pensam. Assim, e porque recusam a exclus\u00e3o, t\u00eam de superar barreiras que impedem a sua identidade no seio da sociedade e da Igreja, \u201cpor vezes a partir da contesta\u00e7\u00e3o\u201d. Por que motivo \u00e9 que Deus h\u00e1-de ser apresentado como Pai Omnipotente e n\u00e3o como M\u00e3e Acolhedora? \u2013 foi pergunta que Manuela Silva deixou aos que a ouviram em Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus Cristo foi um arauto da inclus\u00e3o e deixou o fermento de uma nova realidade Se olharmos para a hist\u00f3ria da Igreja, encontramos, de facto, mulheres que foram refer\u00eancia, mas n\u00e3o podemos ignorar que isso \u201cn\u00e3o esgota o seu silenciamento ao longo destes s\u00e9culos todos\u201d, afirmou a doutora Manuela Silva, economista, professora universit\u00e1ria e vice-presidente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-16129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16129\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}