{"id":16146,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16146"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"homem-onde-estas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/homem-onde-estas\/","title":{"rendered":"&#8220;Homem, onde est\u00e1s?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> Escrevo esta pequena reflex\u00e3o ap\u00f3s outro acontecimento que o mundo inteiro n\u00e3o mais esquecer\u00e1 \u2013 o atentado terrorista em Madrid. Mas fa\u00e7o-o pois considero necess\u00e1rio juntar a nossa voz \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o de tantos milh\u00f5es de espanh\u00f3is que neste momento enchem as ruas da grande maioria das cidades do pa\u00eds vizinho. Impressionou-me ver as imagens de tantos rostos de indigna\u00e7\u00e3o e de sofrimento, muitos at\u00e9 num misto de incredulidade e de questionamento, como que a revelar as perguntas que lhes assaltam o esp\u00edrito \u2013  \u201cComo? Porqu\u00ea?\u201d \u2013 ou a actualizar  a pergunta do Criador no G\u00e9nesis \u201cHomem, onde est\u00e1s?\u201d<\/p>\n<p>No momento em que coloco estas ideias no papel ainda n\u00e3o se sabe de quem \u00e9 a autoria do atentado (e \u00e9 imperativo que se saiba!). Por\u00e9m, tudo indica que nele est\u00e1 implicado o fundamentalismo isl\u00e2mico da Al-Qaeda, por repres\u00e1lia pelo apoio das autoridades espanholas aos Estados Unidos. As v\u00edtimas, essas, j\u00e1 nada as trar\u00e1 de volta! <\/p>\n<p>Seja a Al-Qaeda ou outro grupo terrorista, a verdade \u00e9 que  n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o nenhuma no mundo (por mais justa que seja a causa pela qual se luta) que legitime uma ac\u00e7\u00e3o assim, t\u00e3o violenta como cobarde. <\/p>\n<p>N\u00e3o foram alvos militares que foram atingidos, n\u00e3o foram for\u00e7as militarizadas que se vitimaram. Foram seres humanos! Trabalhadores, gente simples do povo que saiu de casa para enfrentar mais um dia de actividade e que n\u00e3o mais voltar\u00e1.      <\/p>\n<p>Mas a simbologia do dia 11, o facto de se passar um ano preciso sobre a invas\u00e3o do Iraque e o car\u00e1cter indis-criminado da \u201cbarb\u00e1rie\u201d levam-me a suspeitar que o fundamentalismo religioso estar\u00e1 por tr\u00e1s do sucedido. Se assim for, infelizmente confirmo as suspeitas de que a famosa pr\u00e1tica da \u201cguerra preventiva\u201d \u2013 defendida por Bush e seus pares, com vista \u00e0 \u201celi-mina\u00e7\u00e3o\u201d do terrorismo  \u2013 no Iraque, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o teve os resultados esperados como acirrou ainda mais o clima de intoler\u00e2ncia que j\u00e1 se descortinava. <\/p>\n<p>O Papa Jo\u00e3o Paulo II, sabiamente, alertava para o perigo de uma situa\u00e7\u00e3o semelhante, quando na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, em Janeiro deste ano, partilhava connosco as suas preocupa\u00e7\u00f5es, ao sublinhar que \u201cos Governos democr\u00e1ticos bem sabem que o uso da for\u00e7a contra os terroristas n\u00e3o pode justificar a ren\u00fancia aos princ\u00edpios dum Estado de direito. Seriam inaceit\u00e1veis op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que buscassem o sucesso sem ter em conta os direitos fundamentais do homem: o fim n\u00e3o justifica os meios!\u201d. Desafortunadamente, foi assim que aconteceu e por isso temo que a teimosia dos aliados na invas\u00e3o do Iraque, contra todos os pedidos feitos pela ONU, esteja agora a ver os seus frutos. Porque a viol\u00eancia, obviamente, gera mais viol\u00eancia. <\/p>\n<p>Provavelmente, o dia 11 de Mar\u00e7o de 2004 ser\u00e1 recordado, doravante, como mais uma data sangrenta com a marca da intoler\u00e2ncia e do fanatismo (seja ele de que tipo for). Por\u00e9m, para todos os que sonhamos e lutamos por um mundo mais justo e mais fraterno, o registo da efem\u00e9ride n\u00e3o pode ser desesperante. Pelo contr\u00e1rio, cabe-nos olhar para este dia como mais um passo, um desafio, dif\u00edcil (doloroso, at\u00e9!) na longa caminhada rumo \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o da Paz e da Conc\u00f3rdia, at\u00e9 que elas se tornem verdadeiramente poss\u00edveis.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}