{"id":1617,"date":"2010-05-19T17:00:00","date_gmt":"2010-05-19T17:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1617"},"modified":"2010-05-19T17:00:00","modified_gmt":"2010-05-19T17:00:00","slug":"o-sopro-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-sopro-de-deus\/","title":{"rendered":"&#8220;O sopro de Deus&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO DE Pentecostes &#8211; Ano C<\/p>\n<p>Este domingo lembra um fulgurante fogo de artif\u00edcio depois de muitos dias de festa. Era a festa mais importante para os judeus, depois da P\u00e1scoa, e at\u00e9 podemos imaginar os ap\u00f3stolos a sair do cen\u00e1culo, num dia cheio de sol e da poeira levantada por milhares de peregrinos, das mais variadas proveni\u00eancias, com quem metiam conversa de maneira t\u00e3o admir\u00e1vel, que a muitos pareciam embriagados (Actos,2, 12-13). Nem faltaria S. Pedro a explicar: pareciam, sim, mas \u00e9 porque deixaram que \u00abo sopro de Deus\u00bb os tocasse. <\/p>\n<p>O \u00absopro\u00bb das leituras de hoje \u00e9 o mesmo \u00absopro\u00bb da cria\u00e7\u00e3o do mundo. O mesmo sopro que pode ressequir ou trazer as chuvas, matar ou trazer \u00e0 vida. Com efeito, o termo hebraico para \u201cesp\u00edrito\u201d (ruah) designa o sopro do vento e o sopro da respira\u00e7\u00e3o. Ambos est\u00e3o ligados \u00e0 morte e \u00e0 vida, mas particularmente \u00e0 for\u00e7a vital (os conceitos de corpo, alma, cora\u00e7\u00e3o, carne e esp\u00edrito t\u00eam, no Antigo e Novo Testamentos um sentido por vezes bastante diferente do actual). \u00c9 um sopro continuamente criador e renovador.<\/p>\n<p>Jesus Cristo deu particular aten\u00e7\u00e3o ao \u00absopro de Deus\u00bb. Os profetas do Antigo Testamento desempenharam, por vezes de modo muito assinal\u00e1vel, um papel de \u00abconselheiros pol\u00edticos\u00bb (n\u00e3o sem sofrerem as consequ\u00eancias de serem honestos e defenderem a justi\u00e7a). Jesus, por\u00e9m, pouca \u00eanfase deu \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta \u2013 mas porque se quis preocupar com as pr\u00f3prias ra\u00edzes do bem e do mal. <\/p>\n<p>Apontou-nos a direc\u00e7\u00e3o a seguir, a que mais defendesse a dignidade de todos os seres humanos. Mas deixou-nos o trabalho de descobrir, aprendendo com os erros, a maneira concreta de realizar esse objectivo.<\/p>\n<p>Os evangelhos de Mateus e Lucas terminam sublinhando que Jesus Cristo continua presente em toda a hist\u00f3ria humana. No evangelho de Jo\u00e3o, encontramos uma express\u00e3o estranha (usada s\u00f3 cinco vezes): Jesus n\u00e3o nos abandona porque nos deixa um \u00abpar\u00e1clito\u00bb \u2013 adjectivo que indica uma pessoa chamada para \u00abajudar\u00bb (\u00e9 este o sentido geral no grego cl\u00e1ssico). O sentido exacto do termo \u00e9 dado pela explicita\u00e7\u00e3o do tipo de ajuda que vem dar. E no evangelho, tem a fun\u00e7\u00e3o de nos \u00ababrir a intelig\u00eancia e o cora\u00e7\u00e3o\u00bb e apoiar as nossas for\u00e7as. \u00c9 o \u00abEsp\u00edrito de Deus\u00bb, continuando a \u00abajuda\u00bb que Jesus nos deu.<\/p>\n<p>Na verdade, Jesus ajudou-nos a enfrentar a ang\u00fastia fundamental da humanidade: sentir-se \u00ab\u00f3rf\u00e3\u00bb (termo usado em Jo\u00e3o,14,18), desamparada ao tomar consci\u00eancia de como tudo \u00e9 fr\u00e1gil, de como desaparecem os mais estimados pontos de refer\u00eancia, como desaparecem todos os que para n\u00f3s s\u00e3o \u00abpais\u00bb. Ajudou-nos, revelando Deus na linha da amizade e do amor humanos: precisamos de nos reunir, de trocar ideias, de nos sentirmos bem\u2026 e de nos sabermos abra\u00e7ar sem for\u00e7ar o caminho de ningu\u00e9m. Revelou um Deus que ajuda na alegria e na tristeza, no sofrimento e na morte; um Deus que est\u00e1 presente na falta de l\u00f3gica da vida. Ajudou-nos, propondo uma ora\u00e7\u00e3o em que se junta o c\u00e9u com a terra e sobretudo ensinou a \u00aborar\u00bb \u2013 a exprimir, esclarecer e fortificar os nossos desejos. Ajudou-nos a ter mais confian\u00e7a em n\u00f3s pr\u00f3prios, porque o templo de Deus est\u00e1 em n\u00f3s (Jo\u00e3o,4,23-24).<\/p>\n<p>E assim deu toda a import\u00e2ncia ao programa da vida pessoal, dentro do grande \u201cplano de expans\u00e3o\u201d que se delineia nesta festa. A expans\u00e3o da riqueza humana, como se veria mais tarde na ac\u00e7\u00e3o dos primeiros mission\u00e1rios da Idade M\u00e9dia, protagonistas do desenvolvimento da cultura local; ou com os primeiros mission\u00e1rios portugueses na Am\u00e9rica do Sul, no Jap\u00e3o e na China, que trabalharam para comunicar o mais perfeitamente poss\u00edvel com outros povos e valores, em m\u00fatuo enriquecimento e defendendo os direitos humanos com a for\u00e7a do sopro de Deus. <\/p>\n<p>A vitalidade caracter\u00edstica da festa de Pentecostes revela a for\u00e7a contagiosa da esperan\u00e7a \u2013 uma esperan\u00e7a partilhada e que \u00e9 nosso dever garantir, com todos os meios do nosso g\u00e9nio inventor, transformando o mundo como artistas inspirados pelo \u00absopro de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}