{"id":16179,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16179"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"fascinio-eterno-da-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/fascinio-eterno-da-festa\/","title":{"rendered":"Fasc\u00ednio eterno da festa"},"content":{"rendered":"<p>Sempre pensei que n\u00e3o \u00e9 um bom caminho esvaziar o sentido da festa, mesmo quando, porventura, haja alguns exageros na maneira de a celebrar. No momento h\u00e1 que respeitar. Uma express\u00e3o popular convida \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 abertura de alma nessas ocasi\u00f5es: \u201cFesta \u00e9 festa!\u201d<\/p>\n<p>O dia-a-dia sem festa no horizonte torna-se pobre e desumano. Quem der sentido ao trabalho, tem necessidade da festa e raramente retira a esta o seu verdadeiro sentido. No fundo, \u00e9 sempre a vida \u00e0 procura do sentido. Sem ele, depressa se esvazia.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o b\u00edblica, a natureza criada, logo adjectivada de boa e de bela pelo Criador, fica empobrecida sem o descanso necess\u00e1rio do s\u00e9timo dia. \u00c9 a paragem necess\u00e1ria para que o homem a possa contemplar e admirar, e receber da natureza e da vida a riqueza que para si ela comporta. Por isso, esse dia \u00e9 festivo, \u00e9 desejado ao longo da semana, reage \u00e0 tirania do rel\u00f3gio, anseia por conviv\u00eancia, n\u00e3o dispensa o sol, desafia intemp\u00e9ries\u2026 \u00c9 o dia que ilumina tanto a semana que terminou, como a que vai come\u00e7ar.<\/p>\n<p>O povo, quando celebra a festa, a de todos a ritmo semanal, e a que \u00e9  especialmente a sua festa, uns dias por ano, tem outro rosto, nele se espelha liberta\u00e7\u00e3o e alegria, dele se esconjurou, ainda que apenas por horas ou dias, o que pesa, o que aborrece, o que cansa. Na festa ningu\u00e9m se diz cansado, ainda que o cansa\u00e7o escorra por todos os poros do rosto e a voz seja roufenha por gritos que s\u00f3 se d\u00e3o de raro em raro.  Que fasc\u00ednio, o da festa!<\/p>\n<p>Impressiona ver a gente do povo, j\u00e1 um ano antes, a preparar a festa l\u00e1 da terra, a calcorrear ruas para recolher ofertas, a fazer, ainda bem longe, contas e contactos para que nada falte, a tirar tempo ao descanso semanal para que a sua festa fique na mem\u00f3ria de conterr\u00e2neos e vizinhos. E estes trabalhos ficam compensados, porque a festa resultou, resulta sempre. <\/p>\n<p>E, terminada esta, j\u00e1 se come\u00e7a a pensar na do ano seguinte. Exagero? Quem \u00e9 que n\u00e3o pensa no fim-de-semana pr\u00f3ximo, quando apenas termina o que acaba de se gozar? Quem \u00e9 que n\u00e3o pensa nas pr\u00f3ximas f\u00e9rias, logo no regresso das que est\u00e3o a chegar ao fim? <\/p>\n<p>Sempre o fasc\u00ednio da festa. Uns a querem ruidosa, outros mais calma e serena. Uns com muita gente, outros apenas com familiares e amigos. Uns \u00e0 volta da sua casa, outros por terras de longe, com desejo de esconjurar, por um tempo, um dia-a-dia sempre igual. Mas todos querem a festa, todos, a seu modo, fascinados e n\u00e3o a podendo dispensar, mesmo quando t\u00eam de a reduzir no tempo ou no espa\u00e7o da sua celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O futebol alargou agora a festa de todos e deu-lhe um colorido pr\u00f3prio. Como nunca. Antes do resultado, j\u00e1 havia resultado. E esse tamb\u00e9m conta, porque perder n\u00e3o deve estragar uma festa que foi de todos.<\/p>\n<p>A festa \u00e9 um direito e \u00e9 um dever, \u00e9 uma necessidade. Esteve \u00e0 vista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre pensei que n\u00e3o \u00e9 um bom caminho esvaziar o sentido da festa, mesmo quando, porventura, haja alguns exageros na maneira de a celebrar. No momento h\u00e1 que respeitar. 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