{"id":16184,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16184"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-adoracao-eucaristica-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-adoracao-eucaristica-4\/","title":{"rendered":"A Adora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica (4)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> 3. H\u00e1 um terceiro elemento de aproxima\u00e7\u00e3o e de ilumina\u00e7\u00e3o sobre o tema da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica: \u00e9 a perspectiva espiritual. Quem pode negar a for\u00e7a espiritual da ora\u00e7\u00e3o diante da reserva eucar\u00edstica e os frutos de vida crist\u00e3 que produziu ao longo da hist\u00f3ria? Tamb\u00e9m recentemente, e devido precisamente \u00e0 reforma lit\u00fargica, se aprofundou mais o sentido desta adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por um lado, a ora\u00e7\u00e3o diante da reserva eucar\u00edstica fica claramente situada no plano da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e n\u00e3o no plano da din\u00e2mica sacramental propriamente dita. A adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o pertence propriamente \u00e0 ac\u00e7\u00e3o sacramental: o sacramento n\u00e3o est\u00e1 destinado \u00e0 adora\u00e7\u00e3o da mesma maneira que est\u00e1 destinado \u00e0 comunh\u00e3o. Ora bem, isto n\u00e3o significa que a adora\u00e7\u00e3o seja alheia ao acto sacramental; como disse o Conc\u00edlio de Trento: \u00abNingu\u00e9m deve duvidar que os crist\u00e3os tributam a este sant\u00edssimo sacramento, ao vener\u00e1-lo, o culto de latria, que se deve ao verdadeiro Deus, segundo o costume sempre aceite na Igreja cat\u00f3lica. Porque n\u00e3o deve deixar de ser adorado pelo facto de ter sido institu\u00eddo por Cristo, o Senhor, para ser comido\u00bb (Ritual 3). O que se quer dizer com isto exprimiu-o concisamente Jo\u00e3o Paulo II numa nota do seu documento Dominic\u00e6 Coen\u00e6, de 1980: \u00ab\u00c9 de assinalar que o valor do culto e a for\u00e7a de santifica\u00e7\u00e3o destas formas de devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia (ora\u00e7\u00f5es pessoais, exposi\u00e7\u00f5es, b\u00ean\u00e7\u00e3os, prociss\u00f5es&#8230;) n\u00e3o dependem das pr\u00f3prias formas, mas, sobretudo, das atitudes interiores\u00bb (n. 3, nota 13). N\u00e3o entram, portanto, na din\u00e2mica da efic\u00e1cia sacramental mas na da devo\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Por outro lado, e este \u00e9 um dos magn\u00edficos acentos que Jo\u00e3o Paulo II p\u00f4s no documento citado, a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 um momento extra-celebrativo, mas uma dimens\u00e3o de qualquer aproxima\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio eucar\u00edstico como tal. Neste sentido, s\u00e3o significativas e profundas as seguintes afirma\u00e7\u00f5es: \u00abTal culto \u2013 o do mist\u00e9rio eucar\u00edstico \u2013 \u00e9 dirigido a Deus Pai por meio de Jesus Cristo no Esp\u00edrito Santo&#8230; No entanto, \u00e9 o seu \u2013 o de Cristo \u2013 abaixamento volunt\u00e1rio, agrad\u00e1vel ao Pai e glorificado com a ressurrei\u00e7\u00e3o, o que, ao ser celebrado sacramentalmente junto com a ressurrei\u00e7\u00e3o, nos leva \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do Redentor que se humulhou, tornando-Se obediente at\u00e9 \u00e0 morte, e morte de cruz&#8230; Esta nossa adora\u00e7\u00e3o cont\u00e9m outra caracter\u00edstica particular: est\u00e1 compenetrada com a grandeza dessa Morte Humana, na qual o mundo, isto \u00e9, cada um de n\u00f3s, \u00e9 amado at\u00e9 ao fim. Tal culto, tributado assim \u00e0 Trindade&#8230; acompanha e enraiza-se antes de mais na celebra\u00e7\u00e3o da liturgia eucar\u00edstica. Mas deve al\u00e9m disso encher os nossos templos, inclusive, fora do hor\u00e1rio das missas&#8230;\u00bb (Dominic\u00e6 Coen\u00e6 3). A adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica fica assim como a atitude que corresponde, por parte dos ministros e dos fi\u00e9is, a toda a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia, partindo \u2013 coisa importante \u2013 do momento e da motiva\u00e7\u00e3o sacramentais.<\/p>\n<p>Um exemplo particularmente expressivo e interessante do sentido da adora\u00e7\u00e3o intracelebrativa \u00e9 a liturgia eucar\u00edstica oriental. Quem negar\u00e1 que os orientais, embora n\u00e3o tendo uma pr\u00e1tica de adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento na reserva \u2013 como n\u00f3s \u2013, manifestam em toda a sua liturgia um profundo esp\u00edrito de adora\u00e7\u00e3o? Pensemos somente na Grande Entrada, no mist\u00e9rio da porta fechada, nos convites diaconais aos \u00absantos\u00bb&#8230; Como em tantas outras coisas, a compara\u00e7\u00e3o em profundidade das duas tradi\u00e7\u00f5es faz aparecer a sua coincid\u00eancia b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os bispos franceses num documento de 1981, em raz\u00e3o do Congresso Eucar\u00edstico Internacional, depois de explicarem o sentido da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, terminam desta maneira: \u00abEsta adora\u00e7\u00e3o desenvolveu-se a partir da Idade M\u00e9dia, no Ocidente, como acto independente fora da missa. Contudo, est\u00e1 enra\u00edzada na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, como o demonstram claramente os gestos de inclina\u00e7\u00e3o e genuflex\u00e3o que ali se fazem. Toda a liturgia eucar\u00edstica nos convida \u00e0 adora\u00e7\u00e3o de Cristo, que permanece entre n\u00f3s mediante o sacramento da sua presen\u00e7a fiel e real.<\/p>\n<p>\u00abQuando tantos homens buscam t\u00e9cnicas que lhes permitam alcan\u00e7ar o Absoluto, somos convidados a reconhecer esta proximidade de Cristo que nos oferece a sua presen\u00e7a e solicita a nossa hospitalidade\u00bb (n. V).<\/p>\n<p>Esta considera\u00e7\u00e3o sobre a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica interior \u00e0 pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o merecia uma an\u00e1lise detalhada. N\u00e3o se deveria procurar precisamente numa certa \u00abbanaliza\u00e7\u00e3o\u00bb da celebra\u00e7\u00e3o a raiz da perda do sentido da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tamb\u00e9m depois da celebra\u00e7\u00e3o? A adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica nasceu na celebra\u00e7\u00e3o, embora se tenha desenvolvido fora dela. Se se perde o sentido de adora\u00e7\u00e3o no interior da celebra\u00e7\u00e3o, dificilmente se encontrar\u00e1 justifica\u00e7\u00e3o para a promover fora dela&#8230; Talvez esta considera\u00e7\u00e3o possa ser interessante para rever as celebra\u00e7\u00f5es nas quais os sinais de refer\u00eancia a uma realidade transcendente quase se esfumam.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-16184","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16184\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}