{"id":16185,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16185"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"xv-domingo-comum-ano-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/xv-domingo-comum-ano-c\/","title":{"rendered":"XV Domingo Comum &#8211; Ano C"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra <!--more--> A palavra deste domingo procura definir o caminho para encontrarmos a vida eterna. O evangelho sugere que essa vida plena n\u00e3o est\u00e1 no cumprimento de determinados ritos, mas no amor a Deus e aos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Como exemplo, apresenta a figura de um samaritano \u2013 um herege, um infiel, segundo os padr\u00f5es judaicos, mas que \u00e9 capaz de estender a m\u00e3o a um irm\u00e3o ca\u00eddo na berma da estrada. A primeira leitura apresenta uma  reflex\u00e3o sobre o amor a Deus. Convida os crentes a fazer de Deus o centro da sua vida e a am\u00e1-lo de todo o cora\u00e7\u00e3o. Como? Escutando a sua voz no \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o e percorrendo o caminho dos seus mandamentos. Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um hino que prop\u00f5e Cristo como centro \u00e0 volta do qual se constr\u00f3i a hist\u00f3ria e a vida de cada crente. Se Cristo \u00e9 o centro a partir do qual tudo se constr\u00f3i, conv\u00e9m escut\u00e1-lo atentamente e fazer do amor a Deus e aos outros uma exig\u00eancia fundamental da nossa caminhada.<\/p>\n<p>Vamos aprofundar a mensagem do evangelho. A um doutor da lei que se quer justificar da sua vis\u00e3o estreita e exclusiva do \u201coutro\u201d, Jesus conta-lhe uma hist\u00f3ria fict\u00edcia, uma par\u00e1bola. E \u00e9 ao seu interlocutor, de ontem e de hoje, que compete tirar a conclus\u00e3o da hist\u00f3ria e tamb\u00e9m a li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. \u201cVai e faz o mesmo\u201d \u2013 diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no ca-minho da vida plena. Podemos \u201cler\u201d a par\u00e1bola em diferentes perspectivas, mas vamos privilegiar aquela que nos pode iluminar sobre o valor das nossas rela\u00e7\u00f5es humanas, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria identidade e \u00e0 dos outros. Vamos \u201cler\u201d a par\u00e1bola no sentido da inclus\u00e3o e da humaniza\u00e7\u00e3o, dado que n\u00e3o se pode amar a Deus sem amar o pr\u00f3ximo. Lucas coloca como quest\u00e3o fundamental, na procura de identidade, saber quem \u00e9 o outro e que tipo de rela\u00e7\u00e3o humana prop\u00f5e Jesus. Na par\u00e1bola, tanto os ladr\u00f5es como  o sacerdote e o levita desempenham papeis semelhantes. Os primeiros, \u201cforam-se embora deixando o homem quase morto\u201d; os segundos, deixaram a cena, distanciando-se do homem quase morto. E este homem \u00e9 o \u00fanico que permanece em cena sem identifica\u00e7\u00e3o, sofrendo, contudo, diversas transforma\u00e7\u00f5es. Primeiro, experimenta uma desagrega\u00e7\u00e3o de si, ao ser espancado e roubado pelos ladr\u00f5es; em seguida, adquire nova identidade, quando \u00e9 tratado como gente pelo samaritano. Este homem, roubado e espancado, \u00e9 a figura de um indiv\u00edduo exclu\u00eddo dos valores da vida. Por\u00e9m, o samaritano, atrav\u00e9s das suas interven\u00e7\u00f5es, faz dele um indiv\u00edduo importante, restituindo-lhe esses valores. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o de amor do samaritano que o torna pr\u00f3ximo do homem sem identidade, restituindo-lha. Ele passa a ter um hoje e um amanh\u00e3.<\/p>\n<p>O sacerdote e o levita n\u00e3o progridem na sua identidade, porque negam a rela\u00e7\u00e3o ao homem quase morto. Ao inv\u00e9s, o samaritano, um exclu\u00eddo da comunidade de Israel, foi avaliado positivamente pelo doutor da lei, porque \u201cfoi bom para ele (o homem quase morto)\u201d. Por isso, a sua identidade foi confirmada e a narrativa manifesta que ele tem um futuro assegurado. Podemos concluir que a realiza\u00e7\u00e3o concreta do processo de personaliza\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o da pessoa humana passa pela rela\u00e7\u00e3o cordial, a qual determina a sua inclus\u00e3o e \u00e9 capaz de cumular as suas faltas. Este processo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na medida em que somos capazes de passar da vis\u00e3o do pr\u00f3ximo-objecto ao pr\u00f3ximo-sujeito, ou, por outras palavras, a passagem de \u201cquem devo eu amar?\u201d a \u201ccomo me vou eu tornar o pr\u00f3ximo do outro?\u201d  <\/p>\n<p>XV Domingo Comum<\/p>\n<p>Dt 30,10-14; Sl 69 (68) ou 18; Cl 1,15-20; Lc 10,25-37<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-16185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}