{"id":16197,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16197"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-igreja-e-o-estado-novo-na-obra-de-d-antonio-ferreira-gomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-igreja-e-o-estado-novo-na-obra-de-d-antonio-ferreira-gomes\/","title":{"rendered":"&#8220;A Igreja e o Estado Novo na obra de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Neste livro, o  doutor Manuel de Pinho Ferreira  procura mostrar como \u00e9 que um chefe cat\u00f3lico [Salazar] p\u00f4de expulsar um bispo da Igreja Cat\u00f3lica<\/p>\n<p>Na Biblioteca Municipal de Aveiro, na sexta-feira, foi apresentado o livro \u201cA Igreja e o Estado Novo na obra de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes\u201d, tese de doutoramento do padre Manuel de Pinho Ferreira, sacerdote da Diocese de Aveiro, docente universit\u00e1rio e antigo director do Correio do Vouga. Fez a apresenta\u00e7\u00e3o da obra o doutor Carlos Azevedo, vice-reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), estando presentes D. Ant\u00f3nio Marcelino, alguns amigos do autor e o vereador do Pelouro da Cultura, Manuel Ferreira Rodrigues, que fez as honras casa e se congratulou com a publica\u00e7\u00e3o deste \u201clivro magn\u00edfico e bem escrito\u201d, sobre a \u201cfigura \u00edmpar que foi D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes\u201d. <\/p>\n<p>O nosso bispo recordou a import\u00e2ncia do trabalho do doutor Pinho Ferreira, sobre \u201cuma figura grande da Igreja\u201d, tendo afirmado que o Bispo do Porto muito o marcou na sua vida, desde que o conheceu em Portalegre. Este livro, que prefaciou, \u201cfaz luz sobre muita coisa, em especial sobre as rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado\u201d, n\u00e3o deixando de ser uma boa achega para a hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Para Carlos Azevedo, esta tese de doutoramento em Direito Can\u00f3nico do doutor Manuel de Pinho Ferreira, sobre a figura do Bispo do Porto, vai trazer ao meio cultural portugu\u00eas n\u00e3o s\u00f3 um enorme contributo, \u201cpelo manancial de informa\u00e7\u00f5es inovadoras que apresenta\u201d, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deixar\u00e1 de suscitar  debates e de fomentar discuss\u00f5es. Ao longo das primeiras 100 p\u00e1ginas da introdu\u00e7\u00e3o, o autor tra\u00e7a \u201ca primeira verdadeira biografia do Bispo do Porto\u201d, afirmou o vice-reitor da UCP, acrescentando que at\u00e9 hoje havia apenas alguns \u201cfloreados\u201d. E a partir de agora, tudo quan-to se disser sobre D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes vai ser bebido na tese de Pinho Ferreira.<\/p>\n<p>Sublinhou o rigor das informa\u00e7\u00f5es e o esclarecimento integrado dos diferentes \u201cmist\u00e9rios\u201d da vida do Bispo conseguidos pelo autor, os quais, \u201cs\u00f3 por si, s\u00e3o m\u00e9rito assinal\u00e1vel deste trabalho\u201d. Lembrou que esta tese se apoiou em material guardado nos arquivos da Funda\u00e7\u00e3o SPES e da Torre do Tombo, no livro de Actas da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e nas obras do Bispo do Porto, o que permitiu mostrar, com clareza, as rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado Novo, numa \u00e9poca de amadurecimento do regime, \u201cj\u00e1 num clima concordat\u00e1rio\u201d (estabelecido entre a Santa S\u00e9 e Portugal em 1940), apresentando duas concep\u00e7\u00f5es sobre a sociedade, a do Chefe de Governo [Salazar] e a do magist\u00e9rio episcopal de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes.<\/p>\n<p>Nesta obra, pode verificar-se que as rela\u00e7\u00f5es entre Estado e Igreja, embora de formal separa\u00e7\u00e3o, \u201cforam vividas pelo regime concordat\u00e1rio em estreita colabora\u00e7\u00e3o moral  e sem o distanciamento requerido\u201d. Talvez por isso, surgiu a demarca\u00e7\u00e3o p\u00fablica de cat\u00f3licos, como Francisco Veloso, antigo colega de Salazar, e o padre  Alves Correia, entre outros, que subscreveram as listas do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica), em 1945, recordou Carlos Azevedo. <\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes mostrou-se sempre atento ao surgimento de uma consci\u00eancia social cr\u00edtica, o que o levou a \u201cdesmascarar a pol\u00edtica corporativa como infiel \u00e0 Doutrina Social da Igreja (DSI)\u201d, ao mesmo tempo que denunciou \u201co silenciamento do operariado ao lado da mis\u00e9ria do mundo rural\u201d, frisou o apresentador do livro.<\/p>\n<p>A c\u00e9lebre carta do Bispo do Porto, que mais n\u00e3o foi do que uma pr\u00f3-mem\u00f3ria para uma conversa com Salazar, em 1958, que nunca chegou a realizar-se e que deu origem ao ex\u00edlio de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, foi tema que mereceu uma aten\u00e7\u00e3o especial do doutor Pinho Ferreira. Nessa an\u00e1lise, apresenta-se uma vis\u00e3o aut\u00eantica da DSI, que est\u00e1 em desacordo com a vis\u00e3o \u201cher\u00e9tica do Chefe do Governo\u201d. E mais se procura mostrar como \u00e9 que foi poss\u00edvel \u201cum chefe cat\u00f3lico expulsar um bispo da Igreja Cat\u00f3lica\u201d, sublinha o vice-reitor da UCP.<\/p>\n<p>O autor, que afirmou ter partido para o estudo deste tema sem ideias preconcebidas, garantiu que consultou milhares de documentos e denunciou, como \u201cdisparatadas\u201d,  as ideias veiculadas por alguma comunica\u00e7\u00e3o social, quando apresenta D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes co-mo um bispo que afrontou o regime. \u201cD. Ant\u00f3nio limitou-se a exercer o minist\u00e9rio episcopal\u201d, n\u00e3o tendo escrito qualquer \u201cobra de erudi\u00e7\u00e3o\u201d. At\u00e9 mesmo nas Cartas ao Papa, publicadas j\u00e1 como Bispo Em\u00e9rito do Porto, \u201cele acentua que n\u00e3o se trata de um livro de mem\u00f3rias, mas pura e simplesmente o testemunho de um bispo que pode ajudar a Igreja e, mais concretamente, os bispos que estavam a servir naquele momento\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste livro, o doutor Manuel de Pinho Ferreira procura mostrar como \u00e9 que um chefe cat\u00f3lico [Salazar] p\u00f4de expulsar um bispo da Igreja Cat\u00f3lica Na Biblioteca Municipal de Aveiro, na sexta-feira, foi apresentado o livro \u201cA Igreja e o Estado Novo na obra de D. 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