{"id":162,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=162"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-festa-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-festa-3\/","title":{"rendered":"A Festa (3)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> 2. A festa crist\u00e3<\/p>\n<p>A festa, como categoria da comunidade crist\u00e3, tem muito a ver com a festa humana, embora tenha uma evidente originalidade. A din\u00e2mica \u00e9 a mesma: a linguagem dos s\u00edmbolos, a for\u00e7a comunicativa do ritual, o clima comunit\u00e1rio, a tens\u00e3o entre o acontecimento celebrado e a sua actualiza\u00e7\u00e3o sacramental&#8230; Mas a festa crist\u00e3 sup\u00f5e tamb\u00e9m uma experi\u00eancia que se torna irredut\u00edvel \u00e0s outras. O realmente novo da festa crist\u00e3 s\u00e3o os seus conte\u00fados, os valores celebrados (acontecimentos, na verdade, salv\u00edficos), a sua centralidade em Cristo Jesus e na sua P\u00e1scoa, a comunh\u00e3o a n\u00edvel mais profundo e transcendente&#8230;<\/p>\n<p>A) Deus ludens<\/p>\n<p>No fundo da festa crist\u00e3 est\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o que ultimamente se deu para uma compreens\u00e3o muito mais positiva do pr\u00f3prio Deus. O Deus que a B\u00edblia nos apresenta n\u00e3o \u00e9 long\u00ednquo, mas pr\u00f3ximo, o Deus da alegria e da vida, o Deus do \u00absim\u00bb, e n\u00e3o precisamente o das proibi\u00e7\u00f5es ou do castigo.<\/p>\n<p>O Deus faber, criador e omnipotente, o Deus do poder (reflexo, talvez, de uma sociedade montada sobre estruturas de poder e produtividade) descobre-se tamb\u00e9m como o Deus ludens, muito mais em conson\u00e2ncia com os valores de humanismo e liberdade t\u00e3o apreciados hoje. J\u00e1 o livro dos Prov\u00e9rbios falava da sabedoria criadora em termos l\u00fadicos: \u201cquando assentou os c\u00e9us ali estava eu (a Sabedoria)&#8230; e era eu todos os dias a sua del\u00edcia, brincando na sua presen\u00e7a todo o tempo, brincando pelo orbe da terra\u201d (Prov 8, 27-31). E, de facto, Deus mostrou-se na sua obra c\u00f3smica cheio de fantasia imaginativa, alegria e b\u00ean\u00e7\u00e3o. Como diz a IV Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica: \u201cDeus de bondade e fonte de vida, criastes o universo para encher de b\u00ean\u00e7\u00e3os todas  as criaturas e a muitas alegrar com a claridade da Vossa luz\u201d. O Deus livre e feliz, o Deus da dan\u00e7a&#8230; O primeiro a \u00abfazer festa\u00bb \u00e9 o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>B) Christus ludens<\/p>\n<p>A ess\u00eancia festiva de Deus mostrou-se-nos palpavelmente em Jesus Cristo, o Senhor da vida, amante dos valores, das crian\u00e7as, de todo o ser humano, da natureza. O que continuamente oferece sa\u00fade, vida e perd\u00e3o. O que compara o Reino a um banquete de casamento, o que se apresenta a si mesmo como o noivo, em cuja presen\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 lugar para o jejum. Sens\u00edvel \u00e0s alegrias e dores humanas, o que fala dos p\u00e1ssaros e dos l\u00edrios e da alegria da m\u00e3e que d\u00e1 \u00e0 luz ou do agricultor que colhe a sua colheita. O Cristo livre, soberanamente livre diante de todos, cheio de esperan\u00e7a e de alegria, que quer comunicar em plenitude a sua pr\u00f3pria alegria aos seus, e se queixa de que a sua gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer participar na sua festa, como as crian\u00e7as que tocam flauta na pra\u00e7a do povo e n\u00e3o encontram quem queira bailar ao seu som. O Cristo cheio de humor, que come e bebe, que se autoconvida para casa de Zaqueu, que converte a \u00e1gua em vinho num banquete de casamento; o Cristo cheio de paradoxos, tido por louco, que morre entre risos, mas que vence a morte e ressurge para a nova vida. O Christus ludens, ao qual Cox (A festa dos loucos) apresenta como \u00abarlequim\u00bb, o palha\u00e7o que sabe rir e dar esperan\u00e7a aos outros; que conjuga com profunda alegria interior este humanismo com o cumprimento da sua miss\u00e3o messi\u00e2nica, que o leva \u00e0 m\u00e1xima solidariedade com os homens e \u00e0 m\u00e1xima entrega obediencial ao Pai na paix\u00e3o e morte. N\u00e3o \u00e9 acaso esta morte pascal de Cristo a maior prova de que Deus toma a s\u00e9rio a nossa felicidade e liberta\u00e7\u00e3o total, n\u00e3o \u00e9 a m\u00e1xima \u00abglorifica\u00e7\u00e3o\u00bb do Filho do homem e o melhor motivo de esperan\u00e7a e festa para a humanidade?<\/p>\n<p>As primeiras gera\u00e7\u00f5es exprimiram magnificamente a sua vis\u00e3o de Cristo no hino que nos legaram: \u00ab\u00d3 luz gozosa&#8230; santo e feliz Jesus Cristo\u00bb.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-162","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}