{"id":16208,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16208"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"daniel-faria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/daniel-faria\/","title":{"rendered":"Daniel Faria"},"content":{"rendered":"<p>Dias Positivos <!--more--> Amo-te como um planeta em rota\u00e7\u00e3o difusa\/ E quero parar como o servo colado ao ch\u00e3o.\/ Fr\u00e1gil cer\u00e2mica de poros soprados no teu h\u00e1lito\/ Vasilha que ergues em tua m\u00e3o de oleiro\/ C\u00e1lice que n\u00e3o pudeste afastar de ti.<\/p>\n<p>Daniel Faria, in Do inesgot\u00e1vel<\/p>\n<p>Primeiro foram uns versos dispersos, citados num jornal. A seguir, uma partilha de amigos: \u201cPosso ler-te este poema?\u201d Depois, a procura de mais poemas, de livros e da biografia do poeta. E eis a surpresa: um novo autor, com uma obra extraordin\u00e1ria, luminosa e completa. Completa porque o autor morreu em 1999, com apenas 28 anos.<\/p>\n<p>O meu projecto de morrer \u00e9 o meu of\u00edcio\/ Esperar \u00e9 um modo de chegares\/ Em modo de te amar dentro do tempo.<\/p>\n<p>in Do inexplic\u00e1vel<\/p>\n<p>Daniel Faria nasceu em Baltar, Paredes, em 1971. Desde pequeno desejou ser padre e frequentou os semin\u00e1rio do Porto, para ser padre diocesano. No entanto, em 1997 decidiu seguir a vida mon\u00e1stica, sendo postulante no Mosteiro Beneditino de S. Bento da Vit\u00f3ria e novi\u00e7o no Mosteiro de Singeverga. Morreu no dia 9 de Junho de 1999, na sequ\u00eancia de uma queda no mosteiro. Dizem os que com ele privaram que passava o tempo a ler e a escrever, o que explica a obra longa na vida breve. Daniel Faria \u00e9 considerado um dos maiores poetas portugueses do final do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Homens que s\u00e3o como lugares mal situados\/ Homens que s\u00e3o como casas saqueadas\/  Que s\u00e3o como s\u00edtios fora dos mapas\/ Como pedras fora do ch\u00e3o\/ Como crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s\/ Homens agitados sem b\u00fassola onde repousem<\/p>\n<p>In Homens que s\u00e3o somo lugares mal situados<\/p>\n<p>Embora muitos outros aspectos da sua poesia possam ser sublinhados, destaco a religiosidade (car\u00e1cter m\u00edstico?), ora expl\u00edcita, ora discreta, mas sempre profunda, sem nunca cair em banalidades ou lugares comuns \u2013 o que \u00e9 a maior tenta\u00e7\u00e3o quando falamos do Absoluto. Alguns epis\u00f3dios da B\u00edblia s\u00e3o por ele iluminados de uma forma sublime, como neste poema sobre Zaqueu:<\/p>\n<p>A \u00e1rvore foi a forma de te ver\/ E desci para abrir a casa.\/ De me teres visitado e avistado\/ Entre os ramos\/ Fizeste-me passagem\/ Da folha ao voo do p\u00e1ssaro\/ Do sol \u00e0 do\u00e7ura do fruto.\/ Para me encontrares me deste\/ A pequenez.<\/p>\n<p>In Se fores pelo centro de ti mesmo<\/p>\n<p>A obra de Daniel Faria, anteriormente dispersa, est\u00e1 publicada nas edi\u00e7\u00f5es Quasi. Para conhecer melhor o autor, pode-se consultar o site www.danielfaria.org<\/p>\n<p>Para terminar, e numa estranha coincid\u00eancia que me faz escrever este texto no dia da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen (2 de Julho de 2004), deixo as palavras que a grande poetisa escreveu sobre o jovem poeta:<\/p>\n<p>\u201cAgora est\u00e1 morto e relembro claramente o corte da dor que me anunciou a sua morte. Era um poeta muito mais novo do que eu por isso muitas vezes fala uma linguagem desconhecida, mas a densidade dos seus poemas como uma apari\u00e7\u00e3o s\u00fabita mostra aqueles fragmentos que a nossa alma relembrar\u00e1\u201d (in Legenda para uma casa habitada).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias Positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16208","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16208\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}