{"id":16246,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16246"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"principios-indiscutiveis-e-vivencia-coerente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/principios-indiscutiveis-e-vivencia-coerente\/","title":{"rendered":"Princ\u00edpios indiscut\u00edveis e viv\u00eancia coerente"},"content":{"rendered":"<p>A vida em sociedade exige, sempre mais, que as rela\u00e7\u00f5es humanas e as exig\u00eancias do bem social, comum e ao alcance de todos, assentem em princ\u00edpios indiscut\u00edveis, dos quais fl\u00faem a melhor compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos direitos humanos fundamentais e os comportamentos pessoais e p\u00fablicos. De contr\u00e1rio, vive-se em desconfian\u00e7a m\u00fatua, multiplicam-se favores segundo simpatias, multiplicam-se interpreta\u00e7\u00f5es unilaterais, os problemas e a sua solu\u00e7\u00e3o apreciam-se segundo \u00e2ngulos contradit\u00f3rios, gera-se, por fim, a irresponsabilidade, porque se calam e se apagam os deveres. <\/p>\n<p>Ou se aceitam princ\u00edpios ou a vida em sociedade n\u00e3o tem sentido, nem \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o apenas na sociedade alargada, mas tamb\u00e9m na fam\u00edlia e nas outras formas de viv\u00eancia em comum, seja a comunidade de livre op\u00e7\u00e3o, seja de necessidade profissional ou qualquer outra. A agressividade que se respira, a imunidade moral que se reivindica, o dedo apontado aos \u201cconspurcados\u201d por parte dos que se julgam \u201cpuros e impolutos\u201d, a intoler\u00e2ncia que quer direitos de cidadania, a fuga a deveres normais de cidadania, s\u00e3o sinais da aus\u00eancia ou do desprezo por princ\u00edpios morais b\u00e1sicos, comummente aceites. <\/p>\n<p>Falemos, por exemplo, do valor universal, constitu\u00eddo em princ\u00edpio de conviv\u00eancia s\u00e3, que \u00e9 \u201co respeito pelo outro\u201d. O outro, pelo que ele \u00e9 em si mesmo, com a sua dignidade inalien\u00e1vel, qualquer que seja a sua ra\u00e7a, cor, op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou religiosa. Se se aceita o princ\u00edpio da igual dignidade de todos, por natureza, n\u00e3o por outorga de outrem, o outro \u00e9 um como eu. Assim aceite o outro, \u00e9 poss\u00edvel progredir, remediar erros cometidos, integrar no conjunto os valores de cada um, humanizar as rela\u00e7\u00f5es, reconhecer o valor da compreens\u00e3o, dar alguma gra\u00e7a ao presente e ao futuro de cada um e de todos.<\/p>\n<p>A pobreza progressiva da sociedade, tamb\u00e9m tem a ver com a marginaliza\u00e7\u00e3o que se provoca, os compadrios que se fomentam, os rumores de meia verdade que se espalham, a intransig\u00eancia farisaica em que se vive, os r\u00f3tulos de preconceito que se colam.<\/p>\n<p>H\u00e1 direitos que se afirmam e logo se sonegam. H\u00e1 pessoas que canonizam e logo  diabolizam. H\u00e1 interesses comuns, que logo se destroem, por outros emergentes, pessoais ou de grupo. H\u00e1 democratas pela manh\u00e3  que, ao fim do dia, viram ditadores.<\/p>\n<p>Uma sociedade de humores ou de interesses, fica eticamente vazia, sempre que n\u00e3o se respeitam nem se aceitam princ\u00edpios universais humanizantes, que sejam refer\u00eancia para todos e garantia de sentido na vida de cada um.<\/p>\n<p>Perde-se facilmente a alegria de viver e de conviver, quando n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias comuns mobilizadoras. Ent\u00e3o, as interroga\u00e7\u00f5es que acordam, n\u00e3o podem deixar de se formular.<\/p>\n<p>Que educa\u00e7\u00e3o para a vida? Que fam\u00edlia, garante futuro de quem tem direito a t\u00ea-lo? Que pol\u00edtica para o bem comum, que seja, tamb\u00e9m, ambiente normal de conviv\u00eancia s\u00e3? Que meios de comunica\u00e7\u00e3o social, servi\u00e7o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o das pessoas, das rela\u00e7\u00f5es humanas, da verdade, dos comportamentos e dos valores que d\u00e3o tom positivo ao viver social? <\/p>\n<p>Na nossa sociedade h\u00e1 mais gente honesta e s\u00e9ria, que desonesta e mirabolante. Por\u00e9m, quem mais aparece n\u00e3o s\u00e3o os protagonistas de uma sociedade com princ\u00edpios. O mal de muitos destes ser\u00e1, talvez, instalarem-se comodamente numa consci\u00eancia de boas pessoas, ca\u00edrem na omiss\u00e3o de n\u00e3o assumir compromissos sociais, serem mais cr\u00edticos que militantes, fecharem-se no seu mundo, porque acham o outro irrespir\u00e1vel e f\u00fatil. Esquecem-se, por\u00e9m, que no seu, h\u00e1 tamb\u00e9m sementes do outro, e este tamb\u00e9m \u00e9 seu, e que h\u00e1 sempre quem se aproveite do comodismo e das omiss\u00f5es que n\u00e3o deviam existir. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida em sociedade exige, sempre mais, que as rela\u00e7\u00f5es humanas e as exig\u00eancias do bem social, comum e ao alcance de todos, assentem em princ\u00edpios indiscut\u00edveis, dos quais fl\u00faem a melhor compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos direitos humanos fundamentais e os comportamentos pessoais e p\u00fablicos. 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