{"id":16248,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16248"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"conhecer-para-acolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/conhecer-para-acolher\/","title":{"rendered":"Conhecer para acolher"},"content":{"rendered":"<p>Dias Positivos <!--more--> FRANKFURT. Acontece todos os anos e \u00e9, talvez, o evento cultural mais influente do mundo, embora se trate de uma influ\u00eancia difusa. \u00c9 onde se negoceia e se compra aquilo que vamos ler dentro de meses \u2013 o que explica a presen\u00e7a de dezenas (talvez chegue \u00e0 centena) de editores portugueses. Refiro-me \u00e0 Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, na cidade que, desde Gutenberg, \u00e9 a capital do livro. A vers\u00e3o moderna da feira, depois da II Guerra Mundial, come\u00e7ou na igreja de S\u00e3o Paulo (Paulskirche) com 200 expositores, em 1949. Nos anos seguin-tes, os estrangeiros j\u00e1 eram mais do que os alem\u00e3es. Hoje, Frankfurt \u00e9 o ponto de encontro da literatura mundial. A feira deste ano foi de 6 a 10 de Outubro (coincide sempre com a divulga\u00e7\u00e3o do Nobel da Literatura, que h\u00e1 dias foi atribu\u00eddo \u00e0 austr\u00edaca Elfriede Jelinek).<\/p>\n<p>\u00c1RABES. A Feira de 2004 teve como convidado de honra o \u201cMundo \u00c1rabe\u201d, acolhendo 17 pa\u00edses e 200 autores para \u201cactualizar a imagem difusa do Oriente no mundo Ocidental e mostrar ra\u00edzes culturais comuns entre pa\u00edses\u201d. Por outras palavras: conhecer para compreen-der; e compreender para acolher. J\u00e1 dizia Arist\u00f3teles que \u201cs\u00f3 se ama aquilo que se conhece\u201d.<\/p>\n<p>Cinco pa\u00edses dos 22 da Liga \u00c1rabe ficaram de fora: Marrocos, Arg\u00e9lia, Kuwait, L\u00edbia e Iraque (a Turquia, por exemplo, \u00e9 um pa\u00eds mu\u00e7ulmano mas n\u00e3o \u00e9 \u00e1rabe). Mas isso n\u00e3o retira import\u00e2ncia ao acontecimento \u2013 tanto mais necess\u00e1rio quanto alastra a identifica\u00e7\u00e3o perigosa e err\u00f3nea entre cultura \u00e1rabe e terrorismo.<\/p>\n<p>\u00c9 natural que dentro de algum tempo apare\u00e7am no mercado portugu\u00eas mais autores \u00e1rabes. Isso \u00e9 fundamental para o di\u00e1logo das civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>TRADU\u00c7\u00d5ES. O outro lado da tradu\u00e7\u00e3o de literatura \u00e1rabe para as l\u00ednguas ocidentais \u2013 coisa que Frankfurt vai incentivar \u2013 \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o de autores ocidentais na l\u00edngua \u00e1rabe. A esse prop\u00f3sito foram divulgados dados que explicam claramente porque \u00e9 que o mundo \u00e1rabe (ou parte dele) abomina o mundo ocidental: num universo de 275 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o traduzidos por ano 300 livros (tr\u00eas vezes menos que na Gr\u00e9cia); no per\u00edodo de um mil\u00e9nio \u2013 dados da ONU \u2013 traduziram-se menos livros no mundo \u00e1rabe do que em Espanha num ano.<\/p>\n<p>O mundo \u00e1rabe n\u00e3o conhece o Ocidente. Est\u00e1 nitidamente fechado. E isso \u00e9 muito preocupante.<\/p>\n<p>EQU\u00cdVOCO. H\u00e1 dois anos, numa confer\u00eancia sobre a globaliza\u00e7\u00e3o, promovida pela Gulbenkian, em Lisboa, um professor universit\u00e1rio marroquino proferiu uma comunica\u00e7\u00e3o em que usava indistintamente express\u00f5es como \u201csociedade crist\u00e3\u201d, \u201ccristianismo\u201d, \u201csociedade ocidental\u201d ou \u201cOcidente\u201d. N\u00e3o era um professor qualquer. Era um destacado intelectual de Marrocos. Entre os ouvintes, algumas pessoas sentiam-se nitidamente incomodadas com a identifica\u00e7\u00e3o. E o caso n\u00e3o era para menos. Para n\u00f3s, ocidentais, h\u00e1 pontos de contacto entre cristianismo e Ocidente (tal como h\u00e1 entre cristianismo e Oriente ou Cultura Africana), mas nunca uma identifica\u00e7\u00e3o. Essa comunica\u00e7\u00e3o pareceu-me um exemplo claro da forma equivocada como o mundo \u00e1rabe nos perce-pciona. O que h\u00e1 a fazer? Da parte deles, conhecer-nos melhor. E vice-versa da nossa parte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias Positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}