{"id":16264,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16264"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"idolos-de-hoje-ou-referencias-de-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/idolos-de-hoje-ou-referencias-de-sempre\/","title":{"rendered":"Idolos de hoje ou refer\u00eancias de sempre?"},"content":{"rendered":"<p>Passar um tempo numa sala de espera a aguardar vez pode ser um exerc\u00edcio enriquecedor pelo que se observa, se ouve e at\u00e9 se l\u00ea naquelas revistas, folheadas por muitas m\u00e3os que, n\u00e3o sendo da semana passada, conservam ainda alguma leitura que n\u00e3o perdeu actualidade. Gosto desta experi\u00eancia, sempre que tenho de a fazer, porque n\u00e3o \u00e9 tempo perdido.<\/p>\n<p>A capa falava de um dos \u00eddolos do desporto, nosso conterr\u00e2neo, que, pelos seus altos ordenados e chorudos proventos de publicidade, contabiliza mensalmente dois milh\u00f5es e quatrocentos mil euros, o que d\u00e1, em moeda de mais compreens\u00e3o, 16 mil contos por dia. Tem funda\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e liga\u00e7\u00e3o com outras de diversos pa\u00edses, para variadas iniciativas a favor de causas v\u00e1lidas e nobres, sociais e de outra ordem.<\/p>\n<p>A \u00faltima p\u00e1gina trazia respostas de um cantor da nossa pra\u00e7a, muito conhecido, at\u00e9 l\u00e1 se dizia que tinha coisas em que era o primeiro.  Desabafava ele, entre coisas banais e menos limpas, que gostava que a sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o fosse uma \u201coverdose de ostras e coca\u00edna\u201d.<\/p>\n<p>Gente nova, e at\u00e9 pais que voam sempre acima das nuvens no que respeita ao futuro dos filhos, olham os \u00eddolos que a sorte bafejou, com sentimentos de mal disfar\u00e7ada cupidez, e v\u00e3o sonhando desejos de igualdade. Olham-se outros, tamb\u00e9m eles \u00eddolos mais ef\u00e9meros, encandeados pelo brilho das luzes da ribalta, e l\u00e1 se v\u00e3o sonhando vidas f\u00e1ceis com um golpe de fama, sem saber bem como merec\u00ea-la ou alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n<p>Nem todos os \u00eddolos que alcan\u00e7aram honras de capa de revista est\u00e3o na fila das pessoas e dos nomes de refer\u00eancias. A publicidade os constr\u00f3i e os esfarrapa, os aproveita e os deita fora. At\u00e9 nisto o ef\u00e9mero se vai impondo como norma dos tempos que correm. Se n\u00e3o s\u00e3o eles pr\u00f3prios a cultivar um sentido para a sua vida e a pensar ao mesmo tempo na vida dos outros, quando a roda da sorte os protegeu, at\u00e9 o dinheiro pode sufocar e, mesmo com contas astron\u00f3micas na banca, as suas vidas n\u00e3o ter\u00e3o cota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O barulho de plateias a vibrar n\u00e3o \u00e9 eterno para os que afinam na m\u00fasica, mas levam uma vida cheia de ru\u00eddos e disson\u00e2ncias. <\/p>\n<p>As refer\u00eancias v\u00e1lidas e provadas, mesmo que n\u00e3o se identifiquem com o brilho dos \u00eddolos publicitados, s\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rias, mesmo que n\u00e3o falte quem as encubra de nuvens para impedir o seu brilho e est\u00edmulo.  <\/p>\n<p>Todos n\u00f3s conhecemos grandes est\u00e1tuas hoje apeadas, e nomes que n\u00e3o se esquecer\u00e3o mais.<\/p>\n<p>Faz impress\u00e3o ver como a ignor\u00e2ncia preconceituosa de alguns, em nome de exig\u00eancias legais sem perspectivas de bem, pretende denegrir o nome do Padre Am\u00e9rico e da Obra do Gaiato, uma refer\u00eancia inapag\u00e1vel no campo da pedagogia ao servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o humana, ao mesmo tempo que, em universidades estrangeiras, se fazem teses de doutoramento sobre este homem  genial e a Obra em que ele deixou e continuam as suas marcas de solidariedade efectiva para com as crian\u00e7as da rua, desprezadas e pobres. Foi pela sua dedica\u00e7\u00e3o, bebida e inspirada no Evangelho de Cristo, que o seu saber, aliado a uma liberdade interior sem limites, foi fazendo do lixo desprezado da rua, homens dignos e cidad\u00e3os respeit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os \u00eddolos podem ser, \u00e0s claras ou \u00e0s ocultas, est\u00e1tuas com p\u00e9s de barro. As refer\u00eancias humanas v\u00e1lidas, ainda que sem nome na rua ou na pra\u00e7a p\u00fablica, t\u00eam em si consist\u00eancia para ultrapassar o tempo. S\u00e3o estas que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode dispensar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passar um tempo numa sala de espera a aguardar vez pode ser um exerc\u00edcio enriquecedor pelo que se observa, se ouve e at\u00e9 se l\u00ea naquelas revistas, folheadas por muitas m\u00e3os que, n\u00e3o sendo da semana passada, conservam ainda alguma leitura que n\u00e3o perdeu actualidade. 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