{"id":16273,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16273"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-4\/","title":{"rendered":"Presidir \u00e0 Eucaristia em nome de Cristo (4)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> 4. A orienta\u00e7\u00e3o dos Santos Padres<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio sublinhar como esta f\u00f3rmula \u00e9 tradicional: j\u00e1 se l\u00ea em S. Cipriano, a prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que deve corresponder com toda a exactid\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de Cristo: \u00abPorque, se Jesus Cristo, Senhor e nosso Deus, \u00e9 Ele mesmo o sumo Sacerdote de Deus Pai, se ofereceu a Si mesmo em sacrif\u00edcio ao Pai, se mandou que se fizesse este sacrif\u00edcio em sua mem\u00f3ria, evidentemente faz as vezes de Cristo aquele sacerdote que imita o que Cristo fez: na Igreja oferece a Deus um sacrif\u00edcio verdadeiro e perfeito, se come\u00e7a a oferec\u00ea-lo do mesmo modo como v\u00ea que o pr\u00f3prio Cristo o fez\u00bb (Epist. 63, 14).<\/p>\n<p>J\u00e1 S.to In\u00e1cio de Antioquia, querendo recomendar aos fi\u00e9is a venera\u00e7\u00e3o dos ministros sagrados, apresentava-os como pessoas que ocupam o lugar do Senhor; mas h\u00e1 que confessar que a sua \u00abtipologia\u00bb \u00e9 muito vaga e transmitir\u00e1 a sua orienta\u00e7\u00e3o indecisa aos tratados orientais de disciplina eclesi\u00e1stica, que se sucederiam at\u00e9 aos finais do s\u00e9culo IV: \u00abProcurai com todo o afinco fazer todas as coisas em divina conc\u00f3rdia, sob a presid\u00eancia do bispo, que ocupa o lugar de Deus, dos presb\u00edteros que ocupam o do senado dos Ap\u00f3stolos&#8230;\u00bb (Ad Magn. 6, 1; tamb\u00e9m em Ad Trall. 2, 1. 3.1).<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo dar\u00e1 ao seu ensinamento uma base mais s\u00f3lida, apoiando-se na segunda carta aos Cor\u00edntios. Enfim, um coment\u00e1rio da liturgia bizantina, escrito em meados do s\u00e9culo XI, a Protheoria, antecipa-se de modo surpreendente \u00e0 forma de falar de S. Tom\u00e1s de Aquino. Vale a pena citar a sua f\u00f3rmula: \u00abSe algu\u00e9m pergunta como \u00e9 poss\u00edvel aos Pont\u00edfices e sacerdotes de hoje ser os mediadores de realidades t\u00e3o santas, que saiba que isso n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, sobretudo aos que possuem esta dignidade, pelo facto de que representam a pessoa de Cristo, Sumo Sacerdote\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abRepresentar a pessoa de Cristo\u00bb equivale a exercer as fun\u00e7\u00f5es de Cristo. N\u00e3o h\u00e1 nisso uma alus\u00e3o discreta \u00e0 m\u00e1scara do teatro, por meio da qual o actor desaparece para que apare\u00e7a o personagem que tem de representar? E neste caso, a pr\u00f3pria imagem n\u00e3o \u00e9 sugerida pelo sentido primitivo da palavra latina persona? \u00c9, pois, necess\u00e1rio continuar a aprofundar a an\u00e1lise da nossa f\u00f3rmula in persona Christi.<\/p>\n<p>Nos textos conciliares que se citaram, como por outro lado na Summa Theologica, \u00e9 sobretudo a fun\u00e7\u00e3o do sacerdote na consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica que \u00e9 qualificada in persona Christi: sem excluir outras determinadas actividades do minist\u00e9rio sacerdotal, esta \u00e9 considerada como a prova principal, no sentido mais profundo, da uni\u00e3o do sacerdote com Cristo.<\/p>\n<p>5. O sacerdote, representante de Cristo<\/p>\n<p>Efectivamente, os comentaristas, gregos e latinos, puseram em relevo a \u00edndole muito particular do sacramento da Eucaristia. Enquanto que o ministro dos outros sacramentos se exprime de uma forma deprecativa: \u00ab\u00c9 baptizado fulano&#8230;\u00bb ou \u00abN., eu te baptizo&#8230;\u00bb, quando se trata da Eucaristia, o sacerdote actua em forma recitativa; uma recita\u00e7\u00e3o que \u00e9 ac\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o sacerdote a completa com os gestos de Cristo: a frac\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o. No contexto desta recita\u00e7\u00e3o, o celebrante pronuncia as palavras de Cristo na primeira pessoa: \u00abIsto \u00e9 o meu corpo\u00bb&#8230; S.to Ambr\u00f3sio sublinha-o na sua catequese aos neo-baptizados: \u00abTudo o que disse ao princ\u00edpio, \u00e9 dito pelo sacerdote&#8230;; desde o momento em que come\u00e7a a realizar o ador\u00e1vel sacramento, o sacerdote n\u00e3o utiliza j\u00e1 as suas pr\u00f3prias palavras, mas as de Cristo; \u00e9, portanto, a palavra de Cristo que produz o sacramento\u00bb (De sacramentis, IV, 14). Prescindindo dos debates teol\u00f3gicos suscitados mais tarde pelos orientais a prop\u00f3sito da epiclese, a tradi\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o duvidou nunca: as palavras de Cristo s\u00e3o pronunciadas pelo sacerdote com a mesma efic\u00e1cia de Cristo a quem representa, do qual \u00e9 a voz; representa\u00e7\u00e3o e voz eficazes do que significam. As palavras in persona Christi t\u00eam um significado sobremaneira realista, que o pensamento crist\u00e3o explicitou de modos distintos.<\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-16273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}