{"id":16280,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16280"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"reformas-estruturais-pais-bloqueado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reformas-estruturais-pais-bloqueado\/","title":{"rendered":"Reformas estruturais &#8211; Pa\u00eds bloqueado?"},"content":{"rendered":"<p>1. O Presidente da Rep\u00fablica entendeu por bem chamar a aten\u00e7\u00e3o, no dia 5 de Outubro, para o impasse verificado nas reformas estruturais, que os diferentes governos (e a sociedade) n\u00e3o t\u00eam conseguido realizar. Tal impasse justifica perguntar se o pa\u00eds se encontra bloqueado.<\/p>\n<p>Olhando para o Parlamento, \u00e9 not\u00f3rio que ele se divide em dois segmentos quase iguais. Um situa-se mais \u00e0 esquerda; e outro mais a direita. Um aposta no papel decisivo de Estado, mantendo, e eventualmente aumentando, a despesa p\u00fablica; o outro aposta no papel decisivo de iniciativa privada e na diminui\u00e7\u00e3o da despesa p\u00fablica, sem preju\u00edzo da ac\u00e7\u00e3o reguladora do Estado.<\/p>\n<p>2. Olhando para a sociedade no seu todo, deparamos com a mesma divis\u00e3o. No entanto, esta baseia-se mais nos interesses de cada pessoa ou grupo do que em bases doutrin\u00e1rias e ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Independentemente da perten\u00e7a \u00e0 esquerda, \u00e0 direita ou ao centro, um segmento da sociedade portuguesa (talvez maiorit\u00e1rio) exige mais presta\u00e7\u00f5es do Estado e menos impostos. Reivindica a garantia de emprego, mesmo sem trabalho. Recusa a concerta\u00e7\u00e3o social que implique sacrif\u00edcios. E coloca, sistematicamente, os seus interesses profissionais e outros acima do bem comum (que, ali\u00e1s, nem \u00e9 conhecido).<\/p>\n<p>Um outro segmento da sociedade defende o equil\u00edbrio tendencial entre receitas e despesas p\u00fablicas. Fomenta o trabalho e reconhece o respectivo valor. Considera indispens\u00e1vel a concerta\u00e7\u00e3o social. E entende que deve ser realizado um esfor\u00e7o permanente de concilia\u00e7\u00e3o entre o bem-estar pessoal e o bem comum.<\/p>\n<p>Este segmento da sociedade caracteriza-se pelo sentimento de responsabilidade. Integra pessoas da esquerda, direita e centro. E \u00e9, porventura, notoriamente minorit\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, caracterizado pela pr\u00e1tica de irresponsabilidade.<\/p>\n<p>Acresce que existe, na sociedade, um terceiro segmento que se caracteriza pela pr\u00e1tica sistem\u00e1tica da ilegalidade e at\u00e9 do crime. Interage com os outros dois e alastra a sua presen\u00e7a at\u00e9 onde menos se espera.<\/p>\n<p>3. Deste conjunto de segmentos, s\u00f3 o segundo estar\u00e1 interessado em reformas estruturais. Por\u00e9m a sua margem de manobra \u00e9 muito reduzida: primeiro, porque \u00e9 provavelmente minorit\u00e1rio; depois, porque reflecte em si as divis\u00f5es que se observam na vida pol\u00edtica; e, ainda, porque as divis\u00f5es observadas na vida pol\u00edtica n\u00e3o parecem basear-se em posicionamentos consistentes e se mostram gravemente insens\u00edveis \u00e0 procura de posi\u00e7\u00f5es comuns.<\/p>\n<p>Sem clarifica\u00e7\u00e3o consistente de posicionamentos pol\u00edticos e sem esfor\u00e7o de concerta\u00e7\u00e3o tendente \u00e0 adop\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es comuns poss\u00edveis, n\u00e3o parece vi\u00e1vel a consuma\u00e7\u00e3o de reformas estruturais duradoiras. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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