{"id":16294,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16294"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-5\/","title":{"rendered":"Presidir \u00e0 Eucaristia em nome de Cristo (5)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> 6. O sacerdote representa Cristo na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, o pensamento crist\u00e3o deduz que o sacerdote \u00e9 uma imagem de Cristo. E assim, nos damos conta de um texto da Lumen gentium que se citou ao come\u00e7ar estas Notas Lit\u00fargicas, concretamente o n. 28. Trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o tradicional; bastar\u00e1 citar alguns testemunhos. Por exemplo, Narsai de Nisibe, pelos meados do s\u00e9culo V, na sua homilia XVII sobre a explica\u00e7\u00e3o da Missa, descrevendo o rito de entrada, diz: \u00abO sacerdote que foi eleito para celebrar este sacrif\u00edcio leva em si nestes momentos a imagem de Nosso Senhor\u00bb. Nos princ\u00edpios do s\u00e9culo IX, S. Teodoro Estudita, combatendo os Icon\u00f3macos, explicava porque \u00e9 que o sacerdote usava uma imagem de Cristo para a signa\u00e7\u00e3o baptismal, dizendo: \u00abO sacerdote, estando entre Deus e os homens, \u00e9 uma c\u00f3pia (mimena) de Cristo nas invoca\u00e7\u00f5es sacerdotais&#8230;; sendo como uma imagem de Cristo, o sacerdote n\u00e3o o imita, portanto, servindo-se de outra imagem&#8230;\u00bb (Adversus iconomachus, 4, PG 99, 593). Note-se que \u00e9 a prop\u00f3sito do Baptismo que Teodoro fala do sacerdote como imagem ou c\u00f3pia de Cristo: a partir da Eucaristia, esta parecen\u00e7a marca-o para todo o servi\u00e7o lit\u00fargico.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 precisamente na Eucaristia onde se deve descobri-lo e entend\u00ea-lo. Neste sentido, S. Tom\u00e1s de Aquino tem uma f\u00f3rmula muito sugestiva. Antes de responder \u00e0 pergunta \u00abneste sacramento \u00e9 imolado Cristo?\u00bb, encontra-se com a objec\u00e7\u00e3o: \u00abNa imola\u00e7\u00e3o de Cristo, a pr\u00f3pria pessoa \u00e9 sacerdote e v\u00edtima; mas na celebra\u00e7\u00e3o deste sacramento, n\u00e3o \u00e9 a mesma pessoa o sacerdote e a v\u00edtima\u00bb. Resolve-a recordando, primeiro, que \u00aba celebra\u00e7\u00e3o deste sacramento \u00e9 uma imagem que representa a Paix\u00e3o de Cristo (imago repr\u00e6sentativa Passionis Christi); e, visto que, por esta mesma raz\u00e3o, o sacerdote \u00e9 tamb\u00e9m a imagem de Cristo: \u00abtamb\u00e9m o sacerdote leva a imagem de Cristo, in cuius persona, em virtude da qual pronuncia as palavras da consagra\u00e7\u00e3o\u00bb (Summ. Theol., IIIa pars, qu\u00e6st. 83, art. 1, ad 3um).<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a imagem de Cristo, mas tamb\u00e9m a sua presen\u00e7a. O Conc\u00edlio Vaticano II, na Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium, tomou da enc\u00edclica Mediator Dei a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u00abCristo est\u00e1 presente no sacrif\u00edcio da Missa, quer na pessoa do ministro \u2013Ele mesmo ora, oferece-Se pelo minist\u00e9rio dos sacerdotes, sendo Ele mesmo quem se ofereceu ent\u00e3o na cruz\u2013, quer, sobretudo, sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas\u00bb (SC 7).<\/p>\n<p>Isto convida a compreender a natureza do sacramento da Ordem, segundo as leis gerais do sacramentalismo crist\u00e3o. S. Tom\u00e1s sublinhou, antes de mais, que, na Eucaristia, n\u00e3o se tinha de considerar s\u00f3 uma mat\u00e9ria e uma palavra, mas tamb\u00e9m o sacerdote: \u00abo poder instrumental para realizar a mudan\u00e7a (do p\u00e3o e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo) n\u00e3o reside apenas na palavra, nem apenas no sacerdote, mas nos dois&#8230; E como o sacerdote se parece mais que a palavra com o agente principal (Cristo), porque leva dentro de si a sua imagem, assim, falando simplesmente, o seu poder instrumental \u00e9 maior e mais digno; \u00e9 tamb\u00e9m permanente e aplica-se a muitos outros efeitos semelhantes&#8230;\u00bb (In IV Sent., Dist. 8, art. 3, ad 9um).<\/p>\n<p>A partir da Eucaristia, esta caracter\u00edstica que o sacerd\u00f3cio ministerial tem de representar Cristo, estende-se muito mais longe: \u00abtodo o ministro da Igreja \u00e9, sob algum aspecto, a figura de Cristo\u00bb, como diz Pedro Lombardo (IV Sent., Dist. 24, cap I); \u00absuperior aos outros \u00e9 quem representa uma maior perfei\u00e7\u00e3o de Cristo: o sacerdote \u00e9 a figura de Cristo, no sentido em que, por meio d\u2019Ele, exerce certos minist\u00e9rios, o bispo \u00e9-o quando Cristo instituiu outros minist\u00e9rios e fundou a Igreja&#8230;\u00bb (segundo a doutrina de S. Tom\u00e1s, \u00e9 sempre in persona Christi o modo com que o sacerdote pronuncia a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental, apesar de ser pronunciada em forma indicativa). Segundo a l\u00f3gica deste racioc\u00ednio, S. Tom\u00e1s teria podido chegar a admitir a sacramentalidade do episcopado, e certamente t\u00ea-lo-ia feito, se tivesse chegado a acabar a Summa.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\tSDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-16294","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16294\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}