{"id":16303,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16303"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"culto-da-morte-ou-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/culto-da-morte-ou-da-vida\/","title":{"rendered":"Culto da morte ou da vida?"},"content":{"rendered":"<p>Celebramos Novembro! O cair da noite, as mais das vezes pardacento, confere tonalidades cinzentas \u00e0 paisagem, que envolve e identifica o estado de esp\u00edrito de muitas pessoas. Aquele que poderia ser motivo para iluminar o rosto e fazer brilhar os olhos de esperan\u00e7a, parece carregar ainda mais as vidas de tristeza. Cinzento \u00e9 o tempo que faz; cinzentas se mostram as caras, que deveriam apresentar-se radiosas, de gente salva!<\/p>\n<p>1 &#8211; Peregrinos sobre a terra, festejamos, logo no primeiro dia do m\u00eas, a certeza de que muitos, conhecidos nossos ou n\u00e3o, de agora como de sempre, responderam ao convite de Deus \u00e0 santidade; percorreram o seu caminho num esfor\u00e7o alegre de O amar com todo o cora\u00e7\u00e3o, transformando esse amor em dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo, nos compromissos familiares, profissionais, sociais, eclesiais, indiferentes a dificuldades e prova\u00e7\u00f5es. Agora participam da vida em plenitude. A \u201ccomunh\u00e3o dos santos\u201d, que professamos na f\u00e9, garante-nos que a sua solicitude fraterna \u00e9 um apoio a n\u00f3s, que ainda estamos em caminho.<\/p>\n<p>2 &#8211; Logo depois, digamos que invertemos as posi\u00e7\u00f5es, para nos colocarmos n\u00f3s em atitude de fraternal ajuda a quantos \u201cnos precederam com o sinal da f\u00e9 e dormem o sono da paz\u201d. Na verdade, seguros de que a pedra do t\u00famulo n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra sobre a nossa exist\u00eancia, de que \u201ca vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma\u201d, apoiando-nos na f\u00e9, como resposta \u00e0 ansiedade de vencer este mist\u00e9rio de sil\u00eancio, que \u00e9 a morte, seguros na certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, exercitamos a mesma \u201ccomunh\u00e3o de santos, orando por todos, unido-nos a todos, para al\u00e9m desse drama da morte. Se assim n\u00e3o fosse, seria v\u00e3 toda a prega\u00e7\u00e3o e vazia a f\u00e9. Mas, porque Cristo ressuscitou, temos a certeza de que podemos todos caminhar para o abra\u00e7o eterno e feliz com Deus. E rezamos, para que aqueles que foram antes de n\u00f3s, experimentem essa felicidade.<\/p>\n<p>3 &#8211; Aquilo que vivemos e fazemos nestes dias &#8211; a festa de Todos-os-Santos e a ora\u00e7\u00e3o pelos Fi\u00e9is Defuntos &#8211; \u00e9 um testemunho de esperan\u00e7a. Tudo ao inv\u00e9s do pardacento pessimismo que povoa o nosso Mundo. E nada melhor, para retomar o gosto pela vida, o entusiasmo para cultivar uma vida plena, para n\u00f3s e para os outros, procurando os caminhos da nossa pr\u00f3pria dignidade e ajudando a devolver a dignidade a todos e cada um &#8211; o n\u00facleo dos esfor\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o a desenvolver nos nossos dias. O nosso Deus \u00e9 um Deus de vivos! Em Jesus Cristo brilha a estatura plena do Homem. Trabalhar para que todos cres\u00e7am para essa estatura \u00e9 o bem do Homem, \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus!<\/p>\n<p>Coloquemo-nos duas interroga\u00e7\u00f5es: Todo o aparato de velas e flores, que, nestes dias, povoam os nossos Cemit\u00e9rios, \u00e9 express\u00e3o desta esperan\u00e7a escatol\u00f3gica &#8211; de uma vida sem dor, sem limite, sem morte? \u00c9 sincera e coerente a nossa afectuosa recorda\u00e7\u00e3o, a nossa saudade&#8230; ou \u00e9 uma infrut\u00edfera e repetida tentativa de mascararmos o que foi o nosso desprezo pela vida, pela vida daqueles cujos restos mortais pretendemos agora \u201chonrar\u201d assim?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos Novembro! O cair da noite, as mais das vezes pardacento, confere tonalidades cinzentas \u00e0 paisagem, que envolve e identifica o estado de esp\u00edrito de muitas pessoas. 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