{"id":16308,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16308"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presidir-a-eucaristia-em-nome-de-cristo-6\/","title":{"rendered":"Presidir \u00e0 Eucaristia em nome de Cristo (6)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> 7. Natureza sacramental do sacerd\u00f3cio crist\u00e3o<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do que se afirmava na semana passada, e para nos limitarmos ao presbiterado, o pensamento de S. Tom\u00e1s de Aquino reconhece-se facilmente: o sacerd\u00f3cio crist\u00e3o \u00e9 de natureza sacramental; n\u00e3o s\u00f3 no acto transit\u00f3rio da ordena\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na pessoa do sacerdote. \u00c9 certo que a efic\u00e1cia sobrenatural da sua ac\u00e7\u00e3o, como consagrante da eucaristia ou ministro da penit\u00eancia, procede do car\u00e1cter recebido na ordena\u00e7\u00e3o; mas este \u00e9 invis\u00edvel; o pr\u00f3prio sacerdote \u00e9 e deve ser sinal e, portanto, verificar as condi\u00e7\u00f5es requeridas para isso: \u00abvisto que o sacramento \u00e9 um sinal, para tudo aquilo que intervem no sacramento, requere-se n\u00e3o s\u00f3 a res mas tamb\u00e9m o signum rei\u00bb (S. Tom\u00e1s, IV Sent., Dist. 25, qu\u00e6st. 2, art. 2, qu\u00e6stincula 1, corp.), e a principal destas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que o sinal tenha uma semelhan\u00e7a natural com o que significa: \u00abOs sinais sacramentais t\u00eam um valor representativo \u00e0 base de uma semelhan\u00e7a natural\u00bb (Ibidem, ad 4um). Estes dois princ\u00edpios, evoca-os S. Tom\u00e1s para explicar que as mulheres n\u00e3o podem receber a ordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. Orienta\u00e7\u00f5es sacerdotais<\/p>\n<p>De uma reflex\u00e3o sobre os testemunhos da Tradi\u00e7\u00e3o respeitante ao sacerd\u00f3cio ministerial, pode-se chegar a tirar um certo n\u00famero de orienta\u00e7\u00f5es que ajudem os sacerdotes a tomar mais consci\u00eancia do que s\u00e3o e a individuar o lugar que corresponde a cada uma das suas tarefas.<\/p>\n<p>Por um lado, vimos j\u00e1, que em todas estas actividades eles actuam in persona Christi e devem reflectir a sua imagem; mas a partir da sua fun\u00e7\u00e3o na eucaristia descobre-se esse mist\u00e9rio de identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, porque ali, o referido mist\u00e9rio se verifica de forma mais significativa. Igualmente, entre as distintas formas de presen\u00e7a de Cristo na Igreja, h\u00e1 como que graus distintos, enumerados na Enc\u00edclica Mediator Dei, na Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium e, numa presen\u00e7a mais ampla, na Enc\u00edclica Mysterium fidei. \u00c9 necess\u00e1rio recorrer, em ambos os casos, \u00e0 analogia e partir sempre do primeiro analogado que \u00e9 a Eucaristia. Em particular, o v\u00ednculo que une Cristo ao ministro dos sacramentos \u00e9 distinto segundo a \u00edndole de cada um destes: o sacramento do Baptismo, em caso de necessidade, pode ser conferido por um pag\u00e3o, isto \u00e9, por uma pessoa que n\u00e3o tenha recebido nenhum car\u00e1cter que a configure com o sacerd\u00f3cio de Cristo; o Matrim\u00f3nio, para ser sacramento, exige que os esposos tenham o car\u00e1cter baptismal; a Penit\u00eancia e a Eucaristia exigem o sacramento da Ordem. As actividades n\u00e3o sacramentais, foram consideradas frequentemente t\u00e3o independentes da ordena\u00e7\u00e3o que se distinguiram entre ordem e jurisdi\u00e7\u00e3o e p\u00f4de-se confiar a leigos determinadas miss\u00f5es que, de si, pareciam pr\u00f3prias do minist\u00e9rio ordenado. N\u00e3o \u00e9 o caso de entrar, agora, nestas quest\u00f5es para as quais o Vaticano II ofereceu elementos esclarecedores. Mas ser\u00e1 necess\u00e1rio sublinhar como as distintas fun\u00e7\u00f5es da Igreja implicam, cada uma \u00e0 sua maneira, uma participa\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de Cristo e um v\u00ednculo com Ele, que alcan\u00e7a o seu cume na consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>Por outro lado, e de maneira an\u00e1loga, h\u00e1 que manter ao mesmo tempo a necessidade destas distintas fun\u00e7\u00f5es e p\u00f4r em relevo quais s\u00e3o as que encontram na Eucaristia o seu fim e a sua fonte. \u00abOs sacramentos, do mesmo modo que todos os minist\u00e9rios eclesiais e as obras de apostolado, est\u00e3o unidos \u00e0 Eucaristia e para ela se ordenam. Pois, na sagrada Eucaristia se cont\u00e9m todo o bem espiritual da Igreja, isto \u00e9, Cristo em pessoa, nossa P\u00e1scoa e P\u00e3o vivo, que, pela sua carne vivificada e que vivifica pelo Esp\u00edrito Santo, d\u00e1 vida aos homens, que desta forma s\u00e3o convidados e estimulados a oferecer-se a si mesmos, os seus trabalhos e todas as coisas criadas juntamente com Ele. Por isso, a Eucaristia aparece como fonte e coroa de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o, ao introduzir-se, a pouco e pouco, os catec\u00famenos na participa\u00e7\u00e3o da Eucaristia, e os fi\u00e9is marcados j\u00e1 pelo sagrado Baptismo e Confirma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o plenamente inseridos no Corpo de Cristo pela recep\u00e7\u00e3o da Eucaristia\u00bb (Presbyterorum ordinis, 5).<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que o sacerdote n\u00e3o pode definir-se s\u00f3 em raz\u00e3o dos seus poderes lit\u00fargicos, sendo o principal a consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Mas, t\u00e3o pouco, se pode compreend\u00ea-lo prescindindo deles: ele \u00e9 quem pode levar a evangeliza\u00e7\u00e3o a seu termo: Baptismo e Eucaristia; ele \u00e9 quem se associa ao seu bispo ou \u00e9 enviado por ele para imprimir o selo da unidade na comunidade por meio da assembleia eucar\u00edstica. Se n\u00e3o estivesse estreitamente ligado \u00e0s responsabilidades apost\u00f3licas e pastorais do seu bispo, correria o perigo de cair numa concep\u00e7\u00e3o judaizante do sacerd\u00f3cio. E se n\u00e3o exercesse o seu poder sacramental, perderia at\u00e9 a consci\u00eancia do seu sacerd\u00f3cio e n\u00e3o poderia j\u00e1 oferecer aos homens o aut\u00eantico mist\u00e9rio de Cristo, realizado de uma vez para sempre, mas renovado com efic\u00e1cia ao longo da vida da Igreja; na sua pessoa, o sacerdote vive a paradoxo magn\u00edfico da economia da salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-16308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}